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11h08 - 14/08/2003
Fábrica de medalhas cubana resiste à crise econômica e mantém alto nível no Pan

Vicente Toledo Jr. e Murilo Garavello
Enviados especiais do UOL
Em Santo Domingo (República Dominicana)

Apesar de ser uma ilha, Cuba não está tão isolada do mundo a ponto de escapar dos efeitos da crise econômica internacional, agravada no país pelo embargo comercial norte-americano ao regime de Fidel Castro. Pelo menos no esporte, no entanto, os cubanos resistem bravamente.

Mesmo enfrentando dificuldades para participar de competições no exterior, comprar equipamentos e até garantir alimentação adequada para os atletas, Cuba conseguiu manter o nível de excelência que exibiu em Winnipeg-1999.

"Como não podemos entrar nos EUA, a maioria das viagens de nossos atletas sai mais cara que o normal. Além disso, importamos materiais esportivos da Europa, quando poderíamos comprá-los a um custo menor dos norte-americanos", conta Roberto Rodríguez, diretor de comunicação do ministério dos esportes de Cuba.

Há quatro anos os cubanos conquistaram 69 ouros em um total de 155 medalhas. Em Santo Domingo-2003, faltando ainda quatro dias de competição, Cuba já soma 57 medalhas de ouro (121 no total) e ainda tem chance de ganhar pelo menos mais dez no boxe, uma das modalidades mais fortes no país.

"Nosso êxito não vem do investimento financeiro. Ele é uma conseqüência da estrutura de organização do nosso esporte, que começa com a assistência às mulheres grávidas, passa pela educação das crianças, pela seleção dos jovens com aptidão e chega à qualidade do treinamento em alto rendimento", explica Rodríguez.

O esporte cubano é dirigido pelo Inder (Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação), organismo estatal criado em 1961 com o objetivo de massificar o esporte no país e garantir o acesso de toda a população à educação física.

Sua filosofia de trabalho é fazer do esporte um subproduto do sistema de educação, desenvolvendo no povo cubano a cultura esportiva e extraindo da quantidade a qualidade exibida por grandes campeões como o boxeador Félix Savón, o jogador de vôlei Joel Despagne e o ginasta Eric López, estrela do Pan-2003.

"As medalhas de ouro são a conseqüência do planejamento e da organização de um ciclo de quatro anos. O que estamos mostrando aqui é a continuidade do trabalho que começou ao final das Olimpíadas de Sydney e um dos últimos estágios de nossa preparação para Atenas", diz Rodríguez.

A estrutura de organização implantada pelo Inder é conhecida pelos cubanos como pirâmide de alto rendimento, composta de cinco estágios. O primeiro acontece nas escolas, quando os professores de educação física selecionam as crianças com mais aptidão para a prática esportiva.

Editoria de Arte/UOL

"Temos observadores especializados em todas as escolas procurando por garotos com talento para os diferentes esportes. Além disso realizamos competições escolares regularmente, onde descobrimos os mais aptos", revela Ramón Nuñez, presidente da federação cubana de triatlo.

A segunda fase acontece nas Escolas de Iniciação Esportiva Escolar (Eide), que trabalham as crianças com maior desenvolvimento em um esporte específico, passando para níveis maiores de exigência e iniciando-as nas competições.

Adolescentes e jovens com fundamentos mais sólidos são encaminhados para as Escolas Superiores de Aperfeiçoamento Atlético (Espa), que os preparam para entar nas Academias provinciais, onde recebem treinamento de alto nível e começam a competir em eventos nacionais e internacionais.

De todo esse longo processo é extraída a elite do esporte cubano, que vai para um dos dois Centros de Alto Rendimento Esportivo (Cear) existentes no país - Cerro Pelado e Girargo Córdova Cardín.

Os atletas que alcançam este nível treinam nas melhores instalações esportivas de Cuba, com os treinadores mais qualificados, e integraram as seleções nacionais em eventos como Mundiais e Olimpíadas.

"O mais impressionante de tudo é a organização e a disciplina deles. Tudo está bem definido, tem regras muito claras, fases de treinamento e calendários cumpridos à risca. A todo momento eles repetem a mesma frase: 'somos um país pobre, não podemos errar'", conta a judoca brasileira Tânia Ferreira, medalha de bronze em Santo Domingo, que passou vinte dias treinando em Cerro Pelado no início deste ano.

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