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Veja como foi
a cerimônia
de abertura



Quase lá
Por Vicente Toledo Jr.

Depois de vinte longos dias em Santo Domingo, até mesmo uma caipirinha dominicana já é suficiente para aliviar a saudade do Brasil.

Domingo, 17 de agosto de 2003

Ao entrar no salão, os acordes da música ambiente soam familiares. O painel montado no palco mostra uma paisagem também bastante conhecida. O garçom passa oferecendo caipirinha, e na mesa do bufê há uma grande panela de feijão preto.

Para quem está há vinte dias na República Dominicana, ouvir só o instrumental de Samba do Avião, ver um painel com a imagem do Pão de Açúcar, descobrir alguém bebendo caipirinha e vislumbrar a possibilidade de comer uma feijoada é um sonho.

Mas, como em todos eles, uma hora você vai acordar. Logo a música do maestro Tom Jobim é substituída por intermináveis discursos em espanhol e português, e a paisagem carioca dá lugar ao logotipo do Rio-2007.

O mais triste, no entanto, ainda está por vir. A caipirinha não resiste ao primeiro gole, era claramente uma esforçada tentativa de imitar a tradicional bebida brasileira. Não chega a ser ruim, mas não passa nem perto da legítima caipirinha.

E a enorme panela de feijão preto, que decepção, não tem feijoada. Está recheada de uma espécie de tutu, mas menos consistente. O gosto agrada, a pasta faz muito bem o papel de coadjuvante com o arroz, mas não consegue matar a saudade que a aparência aguçou.

No último dia do Pan, estar tão próximo e ao mesmo tempo tão longe do Brasil é torturante. O almoço oferecido pelo Comitê Organizador do Rio-2007 recria em um salão fechado os ícones que melhor representam aquilo tudo que agora sentimos muita falta. Parece um pedaço do Brasil, mas não é. Ainda não estamos em casa, mas estamos quase lá.


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