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09h20 - 18/08/2003
Dinheiro público "democratiza" acesso a medalhas

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Santo Domingo (República Dominicana)

As verbas públicas destinadas pela Lei Agnello/Piva às confederações olímpicas provocaram uma democratização na distribuição das medalhas brasileiras nos Jogos Pan-Americanos. Em Santo Domingo-2003, primeira competição de grande porte de que o Brasil participa desde que os repasses da lei começaram a chegar às entidades dirigentes do esporte, em fevereiro de 2002, modalidades que não haviam subido ao pódio em Winnipeg-1999 puderam fazê-lo. Outras observaram um aumento significativo em seu número de medalhas. Na maioria dos casos, a relação entre o melhor desempenho e as verbas que as confederações receberam é direta.

Natação e atletismo, tradicionais e principais fontes de pódios neste tipo de competição, seguiram ajudando o país no quadro de medalhas. Entretanto, neste Pan, luta, pentatlo moderno, taekwondo, futebol e saltos ornamentais, que em Winnipeg-1999 não haviam subido ao pódio, ganharam um lugar entre os três melhores em pelo menos uma das disputas. Isto sem computar conquistas inéditas, como medalhas na fossa olímpica feminina do tiro ou na ginástica rítmica individual.

No Pan de 1999, brasileiros de 25 modalidades diferentes haviam subido ao pódio. Em 2003, 30 das 37 competições em que o país esteve representado acabaram proporcionando medalhas.

O número de esportes nacionais que conseguiu pelo menos um ouro também cresceu: de 11 para 13. Perderam o ouro o hipismo, que deu vexame e está fora da Olimpíada de Atenas-2004 na prova por equipes, e o vôlei de praia, que enviou apenas duas duplas -nenhuma delas a melhor do país. Em compensação, canoagem, futebol, patinação artística e tênis de mesa fizeram o hino nacional tocar na República Dominicana.

Outras modalidades que haviam subido ao pódio em Winnipeg-1999 puderam observar uma melhora quantitativa em seu desempenho, como é o caso do remo (de 1 prata para 3 pratas e 3 bronzes), da ginástica artística (de 1 prata e 2 bronzes para 5 pratas e 5 bronzes) e do tênis de mesa (de 2 bronzes para 1 ouro, 2 pratas e 1 bronze).

Em 2002, a Lei Agnello/Piva destinou um total de cerca de R$ 19 milhões às confederações que participaram do Pan. Neste ano, até julho, R$ 16 milhões já haviam sido repassados. A previsão inicial -que deve ser superada por um aumento na arrecadação das loterias (fonte dos recursos da lei)- era de que as entidades receberiam R$ 25 milhões neste ano.

A evolução no desempenho de remo, canoagem, ginástica, saltos ornamentais, tênis de mesa e judô pode ser, em grande parte, atribuída a este dinheiro.

O remo, enfim, formou uma equipe olímpica permanente ao ter condições de proporcionar uma infra-estrutura aos atletas -importou 44 remos e três barcos da Espanha. Para isto, contou com R$ 900 mil da Lei Agnello/Piva e mais R$ 200 mil do Ministério dos Esportes em 2002 -os dados relativos a 2003 ainda não foram divulgados pelo COB.

Nos saltos ornamentais, que nunca haviam subido ao pódio em um Pan e em Santo Domingo obtiveram duas pratas e um bronze, uma ajuda de custo mensal de R$ 500 tem sido destinada aos atletas, além de outras atividades. "Há um ano, comecei a ter mais condições de treinamento e agora vocês vêm os resultados", disse Juliana Veloso, que obteve uma prata e um bronze na modalidade.

A canoagem, turbinada por R$ 980 mil em verbas públicas (quase R$ 700 mil provenientes da Lei Agnello/Piva) só em 2002, também formou uma equipe olímpica permanente -classificada pelo presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, como "exemplar"-, adquiriu mais remos e caiaques e proporcionou aos atletas um estágio de treinamento na Alemanha, Polônia e EUA em 2002. Em Santo Domingo, um de seus caiaques conquistou a primeira medalha de ouro da história da modalidade em Jogos Pan-Americanos.

A partir do início deste ano, a Confederação Brasileira de Ginástica reuniu as equipes olímpicas masculina e feminina em Curitiba. Todos moram juntos, têm estudos subsidiados, transporte para os treinos, alimentação balanceada e técnicos estrangeiros. A ginástica masculina foi a responsável pelo maior salto: de nenhuma medalha em Winnipeg-1999, ganhou três de prata e duas de bronze neste Pan. As realizações e conquistas têm muito a ver com recursos públicos: em 2002, a Confederação recebeu R$ 1,5 milhão (R$ 900 mil da Lei Agnello/Piva, outros R$ 600 mil do Ministério dos Esportes, em verba utilizada para a importação de um aparelho para a ginástica artística).

O judô, campeão de ouros brasileiros em Santo Domingo-2003 ao lado do atletismo, com cinco, é o caso mais gritante de evolução qualitativa. A modalidade voltou a obter dez medalhas em 14 categorias, mas a cor delas melhorou bastante: de 1 ouro, 3 pratas e 6 bronzes, passou para 5 ouros, 1 prata e 4 bronzes. Pudera: somente neste ano, os judocas participaram de etapas do Circuito Europeu, fizeram um estágio de treinamentos em Paris ao lado de algumas das maiores forças do esporte e receberam Bélgica, Portugal e Holanda para treinos em São Paulo. Em 2002, a modalidade foi "premiada" com quase R$ 1 milhão em recursos públicos.

Já o tênis de mesa, que contou com duas medalhas do veterano Hugo Hoyama, apresentou duas caras novas aos brasileiros: Gustavo Tsuboi e Bruno Anjos, ambos de 18 anos, levaram a prata na final de duplas. "Estamos podendo pagar a participação dos meninos no circuito mundial juvenil. O Hugo Hoyama começou a disputar torneios porque o pai pagava", compara o chefe da equipe brasileira, Fran Camargo.

A Confederação Brasileira da modalidade construiu um Centro de Treinamentos em Piracicaba (SP) e montou uma equipe olímpica permanente, em que os atletas têm acesso, por exemplo, a cuidados médicos e psicológicos -R$ 830 mil em recursos públicos foram destinados ao tênis de mesa. "A medalha dos meninos aqui foi inesperada, porque nosso trabalho está sendo feito visando o longo prazo. Se seguirmos nosso caminho, em 2012 teremos mesatenistas no melhor nível mundial".

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