Só um detalhe

Brasileirão tem menor média de gols desde 1990, mas sustenta maior média de público dos pontos corridos

Alexandre Loureiro/Getty Images

Os palmeirenses nem se importaram, claro. Foi ano de título. Dando um passo para trás, porém, talvez a segunda lembrança histórica mais relevante do Brasileirão 2018 seja a escassez de gols. Com média de 2,17 gols por jogo, essa foi a pior edição da competição em termos de produção ofensiva desde 1990 (1,89). Foi também a segunda pior temporada história.

Na verdade, num contraponto curioso, não foram apenas os palmeirenses que pareceram alheios à seca dos artilheiros. Afinal, o campeonato ostenta a melhor média de público em sua fase de pontos corridos. Concluídas 380 partidas, superou a casa de 20.000 espectadores pela primeira vez desde 2003. Antes, nunca havia passado da marca de 18.000 torcedores.

Para constar, no que ainda estava em disputa na última jornada, o Grêmio conseguiu o quarto lugar e a vaga direta na fase de grupos da Libertadores, superando o São Paulo. Na luta contra o rebaixamento, Sport e América-MG caíram, enquanto Fluminense, Chapecoense, Ceará e Vasco escaparam, mas não sem um pouco de drama, especialmente no confronto entre Flu e América, com pênalti perdido pelos mineiros (veja mais abaixo).

Tanto na última rodada como em todo o Brasileirão, o Palmeiras fez sua parte para tentar elevar o rendimento dos ataques no campeonato, com o triunfo por 3 a 2 sobre o Vitória e média de 1,68 por jogo. Nas arquibancadas, para completar, foram 41.256 presentes e mais de 32.000 na média. Quer dizer, num campeonato de pouquíssimos gols e mais gente na plateia, os campeões foram realidade à parte.

Veja os gols da última rodada

Foram bem

  • Júlio César (Fluminense)

    Estava 0 a 0, e o goleiro mergulhou para defender pênalti do América-MG, salvando em momento tenso

    Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images
  • Felipe Melo (Palmeiras)

    Em contexto bem diferente ao do Flu, o volante controlou o meio-campo no jogo festivo (e no triunfo) sobre o Vitória

    Imagem: reprodução/Instagram
  • Leandro Pereira (Chapecoense)

    Centroavante está aí para isso: bateu marcação no segundo pau e fez o gol que deu alívio à Chape contra o São Paulo

    Imagem: Sirli Freitas/Chapecoense
  • Everton (Grêmio)

    Na importante vitória sobre o Corinthians, valendo o quarto lugar, se destacou pelos dribles e criatividade. Quase anotou dois golaços

    Imagem: Fom Conradi/Agif

Foram mal

  • Luan (América-MG)

    O veterano perdeu um pênalti e, na sequência, teve outra boa chance, mas esbarrou em Júlio César. Seu time caiu

    Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images
  • Maxi López (Vasco)

    Destaque no campeonato, esteve pouco inspirado contra o Ceará. Por sorte, o time não precisou dele dessa vez

    Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
  • Marlon (Fluminense)

    Mais atrapalhou do que ajudou: foi do seu lado que o América mais chegou. Ainda fez pênalti em Aderlan

    Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images
  • Léo Santos (Corinthians)

    A equipe, como visitante, voltou a desejar em seu setor defensivo, e o jovem zagueiro teve muita dificuldade na contenção

    Imagem: Agência Corinthians

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Lisca, treinador do Ceará, para lá de empolgado

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Drama no Maracanã

A torcida do América-MG vai ter dificuldades para esquecer essa partida contra o Fluminense. O clube teve grandes chances de sair na frente no Maracanã, mas perdeu um pênalti com o meia Luan e ainda viu o zagueiro Gum salvar uma bola praticamente em cima da linha. Depois o meio-campista Richard marcou de cabeça e definiu o placar de 1 a 0. Detalhe: o jogador está de saída das Laranjeiras, mas teve seu dia de herói ao lado do goleiro Júlio César.

Ninguém pode garantir que, caso os mineiros tivessem convertido uma de suas chances claras de gol, teriam saído de campo com os três pontos. Mas essa é, de qualquer forma, uma hipótese dolorosa para a equipe, uma vez que, considerando os resultados da rodada, a vitória teria valido a permanência na Série A.

Do outro lado, raciocínio inverso: uma eventual derrota no Maracanã teria resultado no rebaixamento do Fluminense, que escapou novamente --os mais maldosos poderiam dizer que ao menos dessa vez foi em campo. O Flu terminou em 12º, classificado para a Sul-Americana, com 45 pontos. Com 42 pontos, teria caído: a nota de corte acabou sendo 43, do Vasco. 

Alexandre Loureiro/Getty Images Alexandre Loureiro/Getty Images

Hora de partir

Para a grande maioria dos jogadores que foram a campo neste final de semana, a palavra de ordem foi um "até breve". Eles entram em férias agora, vão viajar, jogar as famigeradas peladas beneficentes de dezembro, se esbaldar na ceia natalina e, logo mais, já tem pré-temporada pela frente. 

Algumas histórias são diferentes, porém. Há quem tenha se despedido de suas torcidas para valer, seja pelo encerramento de contrato ou, nos casos mais emblemáticos, por estarem preparados para se transferirem para clubes do exterior. Nesse grupo estão invariavelmente as principais revelações do campeonato num ciclo que parece não ter fim. Nesse sentido, ninguém chamou mais a atenção do que o meia Lucas Paquetá, do Flamengo. Ou melhor: ex-Flamengo. Já temos de nos acostumar a referir a ele como atleta do Milan. 

Paquetá, 21, primeiro chorou durante a execução do hino no Maracanã. Depois, durante 90 minutos, mostrou a energia de sempre, tentando uma última vitória pelo Fla, o que não foi possível. Depois, ele se atirou no gramado, ficou parado lá por um tempo e, por fim, foi chorar no braço dos familiares, posicionados na primeira fileira do estádio. Bem intenso, como seu estilo de jogo. 

Ainda mais jovem, aos 18, o santista Rodrygo também disse adeus. Vai fazer companhia a Vinícius Júnior no Real Madrid. Mas o próprio Santos neste ano mostrou como essas despedidas podem não ser tão definitivas assim. Afinal, Gabriel Barbosa, o Gabigol, fez companhia a Rodrygo depois de se dar mal na Europa. Está certo que ele está voltando à Internazionale, em final de período empréstimo. Mas fica aí uma lembrança de que, no mercado da bola, há muito de efêmero. 

Essa torcida me abraçou desde o início, saio com gratidão eterna. Vou seguir a vida com o Flamengo no coração

Paquetá, prata-da-casa

Sirli Freitas/Chapecoense  Sirli Freitas/Chapecoense

Everton foi quem mais driblou na temporada Veja mais destaques

Alexandre Loureiro/Getty Images Alexandre Loureiro/Getty Images

Uma temporada em 90 minutos

Ficou só no cheirinho mesmo, já que o Flamengo falhou em sua busca por títulos na temporada. Ainda assim, sua torcida lotou o Maracanã no sábado: foram 66.046 presentes, recorde de público deste Brasileirão. No campeonato, a média de público do time foi superior a 51.000 espectadores, de longe a maior -- o São Paulo aparece em segundo, com 34.000.

Ou seja: estava preparada uma festa para os vice-campeões, e o resultado foi novamente frustrante para um dos elencos mais caros do país. De modo que a derrota de virada para o Atlético-PR, que jogou basicamente com seus reservas, acabou sendo um resumo perfeito da temporada rubro-negra. 

Não deixa de ser curioso, então, que a atual diretoria flamenguista tenha dado à última partida do ano um clima eleitoral, destacando ações da gestão de Eduardo Bandeira de Mello. Faltou combinar com o surpreendente adversário. Ao final, o que se ouvia das arquibancadas eram vaias e cantos contra o presidente.

Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress

Palanque político

O palco do título do Palmeiras virou também um palanque político neste domingo, com a presença do presidente eleito Jair Bolsonaro, um de seus torcedores mais ilustres, entregando e, depois, até mesmo erguendo a taça. Se havia cartazes de protesto contra Bolsonaro colados nos arredores do Allianz Parque (com mensagens que questionavam seu suposto apreço por outros clubes nacionais), dentro do estádio o que mais se ouviu foram gritos de apoio, em homenagem ao "Mito". 

Bolsonaro não estava sozinho neste palanque. Major Olímpio, seu companheiro de PSL e senador eleito por São Paulo, participou da entrega de medalhas aos campeões. O coronel Augusto Nunes, atual presidente da CBF, e Rogério Caboclo, que assumirá o cargo no ano que vem, faziam companhia.

Paulo Paiva/AGIF Paulo Paiva/AGIF

Derrocada pernambucana

O Sport se juntou ao Vitória como um dos quatro rebaixados do Brasileirão, o equivalente a metade do contingente de clubes nordestinos no Brasileirão 2018. Mas essas perdas foram supridas pela ascensão de Fortaleza, campeão da Série B, e o CSA, que retorna à elite após 31 anos. 

Quem sai em baixa, mesmo, é o futebol pernambucano, que não será terá representantes na Primeira Divisão pela primeira vez desde 2011. Já o Sport, mesmo tendo vencido o Santos por 2 a 1, retorna à Segundona pela primeira vez desde 2013. O cenário é pior, todavia, considerando que Náutico e Santa Cruz vão disputar apenas a Série C em 2019.

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