Seleção sem Neymar

PVC e Menon discutem ausência do jogador e mudanças possíveis na equipe para a disputa da Copa América

Arte/UOL

Um bate-papo sobre futebol é das atividades favoritas dos brasileiros, antes, durante e depois da rodada. Futebol é um tema infinito. Conversa é a série do UOL Esporte que pretende fazer justamente isso: conversar sobre futebol.

E se há um assunto que tomou do noticiário às mesas de bar é o caso Neymar, desde que a modelo Najila Trindade registrou boletim de ocorrência com acusação de agressão e estupro. Aqui, os blogueiros PVC e Menon deixam de lado a temática jurídico-criminal e discutem o impacto da ausência de Neymar, que saiu carregado de campo durante amistoso contra o Qatar, e o que pode ser feito por Tite para melhorar o desempenho da seleção na Copa América.

Como será um Brasil novamente sem Neymar?

Ueslei Marcelino/Reuters Ueslei Marcelino/Reuters

Menon: Oi, Paulo. Tudo bem?

PVC: Tudo. E você?

Menon: Paulo, Tite tem agora a missão de formar, em pouco tempo, um time sem Neymar. Algo para que não se preparou. Vai ser fácil?

PVC: Não vai, não. Mas a gente pode se lembrar de que o Brasil ganhou remendada as copas Américas de 2004 e 2007. Em 2004, sem Ronaldinho, Ronaldo, Kaká, Robinho. Em 2007, sem Lucio, Ronaldinho, Kaká. Não é simples e eu não cortaria se não fosse a lesão. Mas é possível transformar em uma coisa nova.

Menon: Outro exemplo é 89, quando Lazaroni era muito vaiado e a seleção se encontrou, com Bebeto e Romário. Eu não gosto de 4-2-3-1 e apostaria na dupla Jesus e Firmino.

David W Cerny/Reuters David W Cerny/Reuters

PVC: Pode ter o Firmino de falso 9 e Richarlison e Jesus entrando em diagonal. Tem jogador e chance de montar time. Mas o Brasil jogou 8 vezes depois da Copa e nenhuma vez jogou bem. Então, tem de achar o time. O que você acha?

Menon: O errado seria procurar um substituto para o Neymar. O assunto é mais complicado. Trata-se de fazer um time sem Neymar. Paulo, o que você acha dos coadjuvantes brasileiros?

PVC: Nas quartas-de-final da Champions, nos jogos de volta, havia 37 franceses, 37 brasileiros, 22 espanhóis, ingleses e alemães escalados, 14 argentinos e 12 italianos. Então, tem jogador de sobra. A questão é achar os protagonistas. Coadjuvante bom tem muito. Mas toda vez que há ruptura de uma geração para outra, excesso de juventude no ataque, a gente questiona se há talento suficiente. Ouvi essa crítica sobre Bebeto, em 1985.

Andre Borges/AGIF Andre Borges/AGIF

PVC: Quem você acha que pode ser protagonista na Copa América?

Menon: Talento há, sim, mas me preocupa o momento ruim de Coutinho. O protagonista da Copa, creio, será Messi. Em seguida, Cavani, Richarlison e a dupla Valbuena e Gustavo Gómez.

Menon: E você, aposta em quem?

PVC: Acho o grupo do Brasil traiçoeiro, porque a Venezuela ganhou da Argentina e a seleção peruana tem sequência de trabalho. Aposto em Messi, Cavani e Richarlison pelo Brasil.

Menon: A Venezuela tem ótimo goleiro, o Farinez, e deve ter bom ataque, porque dispensou o Soteldo. Cueva joga bem no Peru.

Thanassis Stavrakis/AP Thanassis Stavrakis/AP

Menon: O que você espera da Colômbia?

PVC: Início de trabalho. Carlos Queiroz é bom técnico. A vantagem é não ter pressão. Lá é preparação. Aqui é sempre obrigação.

PVC: Acho a Colômbia um time de quartas de final.

Menon: Acho que os estilos não combinam, mas talvez a Colômbia precise mesmo de ter um pouco mais de pragmatismo.

Menon: E o Brasil? Deveria ter renovado mais?

PVC: Nenhuma seleção se renovou mais do que o Brasil depois da Copa. Nas convocações, 43% de mudança. Mas no grupo da Copa América, só 9 de 23. Podia ser mais. Mas acho importante ter uma renovação com transição. Que chegue uma geração com outra presente. Prefiro a história de Ronaldo e Rivaldo, que estrearam com Bebeto, Romário e Dunga por perto, do que a história de Neymar.

PVC: Que chegou com Adriano e Ronaldinho desistindo e Kaká machucado. Talvez se Neymar tivesse outras referências por perto, subisse menos no tamanco.

Lucas Figueiredo/CBF Lucas Figueiredo/CBF

Menon: É verdade. Eu gostaria de mais renovação, a defesa é sub-40. Mas se Tite radicalizasse e desse errado, correria risco de demissão.

PVC: Exato. Nosso maior problema é cultural. Entender que time se constrói. Tijolo por tijolo.

Menon: Vamos terminar? Quem você convocaria para o lugar do Neymar?

PVC: Vinicius Jr. E você?

Menon: Fico com Dudu.

PVC: Boa.

Menon: Então, um abraço. Até...

PVC: Outro, Menon!!!

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