Uma taça, muitas perguntas

Brasil volta a conquistar um título, triunfa sem Neymar, mas há muito a discutir sobre o futuro da seleção

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro
Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images

Três anos, um título e bela festa em casa, no Maracanã. Mas o ciclo não está fechado. E Tite também pensa assim. Para ele, tudo começa e termina numa Copa do Mundo. Por isso, depois do título da Copa América diante do Peru, a pergunta fica: o domínio continental foi retomado completamente após 12 anos, mas e o mundo?

O que fazer até o Mundial de 2022? Quem vai substituir Edu Gaspar? Os veteranos que brilharam vão seguir na mira de Tite até o Qatar? O técnico vai mesmo continuar? E o que fazer com Neymar quando o craque se recuperar de lesão no tornozelo direito?

O UOL Esporte traz as dúvidas de uma seleção que carrega um aproveitamento de 87,5% com Tite, mas ainda vê uma instabilidade externa pelo fracasso de um ano atrás na Rússia.

Lucas Figueiredo/CBF Lucas Figueiredo/CBF

Qual o futuro de Tite?

Sim, o contrato de Tite vai até 2022, depois da Copa do Mundo no Qatar, como ele diz que já cansou de dizer. E o técnico deve mesmo seguir no comando da seleção brasileira, embora não tenha confirmado a permanência de forma enfática. Mas o que esperar de Tite nessa nova etapa que inicia após a Copa América?

Ele quer testar novos jogadores e já faz muitos planos com o auxiliar Cleber Xavier - inclusive apresentou algumas ideias após sua entrevista coletiva no Maracanã. A grande dúvida está mesmo sobre as mudanças que a comissão técnica vai sofrer. Sairão o coordenador de seleções Edu Gaspar e o analista Fernando Lázaro.

Tite diz que ainda não pensou nessas mudanças, mas que confia nos critérios da CBF para escolher os substitutos. Segundo o técnico, os dirigentes sabem que a escolha deve ser por capacidade e excelência e que sua preferência é contar com alguém que já conheça seus métodos.

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É preciso exaltar o grupo e a comissão técnica, porque não é normal depois de perder uma Copa do Mundo manter técnico e comissão. Isso mostra que quando o trabalho é bem feito se ganha

Casemiro

Casemiro, em entrevista na zona mista do Maracanã

Falei antes que o capitão do nosso barco é o Tite. Não sou eu, não é nenhum jogador. Apenas os represento. Parabéns à comissão, eles trabalham muito, são muito dignos e merecedores de tudo

Daniel Alves

Daniel Alves, em entrevista no gramado do Maracanã

Buda Mendes/Getty Images Buda Mendes/Getty Images

Neymar seguirá intocável?

Neymar estreou pela seleção brasileira principal em 2010. Desde então, nos acostumamos a debater a dependência que naturalmente é gerada quando se tem um craque desse tamanho. Com o passar do tempo, os críticos mais fervorosos de Neymar começaram a insistir que a seleção seria melhor sem ele. E hoje, um dia após a conquista da Copa América, eles saboreiam a teimosia de anos.

Mas a seleção foi, de fato, melhor sem Neymar? Essa afirmação perde força quando vemos que o ponto mais alto e constante da campanha vitoriosa esteve no sistema defensivo. O ataque teve raros momentos de brilho, com Gabriel Jesus e Everton, e bastava uma retranca mais bem armada para os cabelos de Tite ficarem de pé e o placar, zerado.

É verdade, também, que a seleção se permitiu ser mais democrática sem Neymar. Protagonistas se formaram a cada jogo e o time construiu bonitas jogadas em velocidade, com toques rápidos. Não vimos ninguém prendendo bola até sofrer faltas e mais faltas do adversário, nem provocações.

O que fica é: título da Copa América ajuda a diminuir o pânico para futuras ausências de Neymar e faz Tite confiar em alternativas para uma jornada ruim do astro. E isso é ótimo para a seleção.

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Neymar é top 3, extraordinário, mas é o que eu disse: o trabalho de equipe ele é importante. Portugal foi campeã da Eurocopa sem o Cristiano Ronaldo jogando. Ele machucou, saiu e foram campeões

Tite

Tite, técnico da seleção brasileira

Juan MABROMATA/AFP Juan MABROMATA/AFP

Como tirar os veteranos que brilharam?

As principais críticas sobre a convocação de Tite para esta Copa América envolviam a presença de veteranos, sobretudo no setor defensivo. Por que se apegar a jogadores mais velhos, que dificilmente estarão em alta para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar? Thiago Silva, aos 34 anos, e Daniel Alves, aos 36, responderam em campo.

Eles foram pilares dessa impressionante defesa que foi campeã sem tomar um gol sequer nas seis partidas da Copa América. Thiago apresentou regularidade notável, como já havia acontecido na Copa de 2018, na Rússia. Daniel, que perdeu o último Mundial por lesão, foi enorme nas decisões contra Argentina e Peru.

No discurso, eles divergem um pouco. Thiago mostra um pouco mais de sobriedade e sabe que seu tempo na seleção está, naturalmente, no fim. Já Daniel é mais ousado e planeja disputar a Copa no Qatar mesmo com 39 anos. Esse "problema" estará nas mãos de Tite, que ainda não tem um lateral-direito que chegue perto do nível de Daniel Alves. Na zaga, Militão tende a ser a sombra do futuro para Thiago.

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Raul Arboleda/AFP Raul Arboleda/AFP

Qual o próximo passo da renovação?

Apesar do sucesso de Daniel Alves e Thiago Silva, o processo de renovação da seleção brasileira vai continuar. Era uma promessa de Tite, que dividia esse procedimento em três etapas. Uma fase de testes, nos amistosos de 2018, logo após a Copa do Mundo. Uma mistura pensando em conquistar a Copa América. E, agora, um projeto de longo prazo para formar um novo time para 2022.

Assim, é difícil imaginar que nomes como Miranda, aos 34 anos, e Filipe Luís, aos 33, estarão no Qatar para serem titulares. Miranda só foi usado em caso de necessidade contra a Argentina. Filipe perdeu vaga no time titular para Alex Sandro, cinco anos mais novo, justamente na reta final da Copa América. O veterano tem sofrido com lesões frequentes.

Nos outros setores do time, essa renovação já está mais adiantada. O mais velho entre meio de campo e ataque é Fernandinho, 34, outro que deve deixar de figurar nas próximas convocações. Willian foi chamado às pressas para substituir o lesionado Neymar e, aos 30 anos, também tende a perder espaço.

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As etapas de reconstrução de uma equipe acontecem o tempo todo. Foi assim depois da Copa. Agora vamos reconstruir de novo, com novos atletas que estão surgindo, novas promessas. É nosso trabalho acompanhar

Tite

Tite, técnico da seleção brasileira

Em quem devemos ficar de olho?

  • Renan Lodi

    Lateral-esquerdo de 21 anos. Cresceu na base do Athletico Paranaense, foi campeão da Copa Sul-Americana como protagonista no ano passado e acaba de se transferir para o Atlético de Madri, da Espanha, por mais de R$ 85 milhões.

    Imagem: Gabriel Machado/AGIF
  • Fabinho

    Volante de 25 anos. Revelado pelo Fluminense, despontou no Monaco e se tornou importante do Liverpool campeão da Liga dos Campeões. Esteve em todas as listas pós-Copa, até ser preterido na Copa América.

    Imagem: Simon Stacpoole/Offside/Getty Images
  • Vinicius Jr.

    Atacante de 18 anos. Cria do Flamengo, foi para o Real Madrid e conseguiu se destacar em uma temporada ruim da equipe espanhola. Chegou a ser convocado para os amistosos de março, mas acabou cortado por lesão.

    Imagem: Giuseppe Cacace/AFP
  • Pedro

    Centroavante de 22 anos. Outro que nasceu no Fluminense. Estava na primeira convocação após a Copa do Mundo de 2018, mas sofreu grave lesão e só voltou a jogar recentemente. É alvo do Flamengo.

    Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF
Lucas Figueiredo/CBF Lucas Figueiredo/CBF

Alguém não aproveitou a chance?

Se o processo de renovação já estava em andamento, embora ainda discreto, ele passava pela presença de dois jovens jogadores: Lucas Paquetá e David Neres. Uma dupla que provocou brilho nos olhos da comissão técnica, mas que na Copa América pouco conseguiu mostrar.

Paquetá chegou a ser titular nos amistosos. Era visto como sucessor natural de Renato Augusto para dar ritmo ao meio de campo e liberdade a Philippe Coutinho. No fim das contas, jogou os últimos minutos das quartas de final contra o Paraguai e só.

Neres só foi convocado para os amistosos de março devido à lesão de Vinícius Jr., mas foi bem, encantou Tite e se garantiu na Copa América. Quando Neymar foi cortado, ganhou a vaga no time titular. Teve atuações apagadas contra Bolívia e Venezuela e sucumbiu diante da ascensão de Everton Cebolinha. Eles terão uma nova chance?

Lucas Figueiredo/CBF Lucas Figueiredo/CBF

Quem será o chefe de Tite?

Nem Arsenal, nem CBF, nem Edu Gaspar anunciaram, mas o ex-volante vai deixar o cargo de coordenador de seleções para ser executivo de futebol do clube inglês. Esse acordo foi definido antes mesmo da Copa América, quando ficou evidenciado um distanciamento de Edu da rotina da seleção brasileira.

O coordenador não ficou na concentração do time nas passagens por São Paulo, já participou do planejamento do Arsenal para a próxima temporada e não foi mais ao banco de reservas durante as partidas. É o fim de um casamento que começou a rachar na Copa do Mundo na Rússia, quando as rusgas com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, começaram. E terminou em lágrimas após o fim da vitória sobre o Peru.

Ainda não há uma definição sobre quem será o sucessor de Edu como coordenador de seleções. O nome mais forte por enquanto é o de Juninho Paulista, que é diretor de desenvolvimento da CBF.

Lucas Figueiredo/CBF Lucas Figueiredo/CBF

O que muda na comissão técnica?

Edu Gaspar não será a única baixa na comissão técnica da seleção brasileira. O auxiliar Sylvinho já havia saído antes da Copa América para ser técnico do Lyon, da França, e levará com ele Fernando Lázaro, que era coordenador do Centro de Pesquisa e Análise da CBF. Assim, uma vaga será aberta no corpo técnico fixo.

Como aconteceu em outros movimentos na comissão, deve haver uma escalada. A tendência é que o analista fixo do CPA, Thomaz Araújo, assuma a coordenação. A vaga de analista fixo deve ser disputada por Carlos Eduardo Bressane, que trabalha nas seleções de base, e Bruno Baquete, do Atlhetico-PR.

Foi nessa escalada, após a saída de Sylvinho, que Matheus Bachi, filho de Tite, passou a ser o segundo auxiliar. Antes, ficava só na tribuna para observar o time de cima. Na Copa América, já ficou no banco de reservas junto de Cléber Xavier, o auxiliar principal.

É uma conquista que deixa a gente muito feliz. Era um objetivo forte, o sonho de uma conquista. São 64 pessoas que começaram dia 22 de maio e às vezes nem são mencionadas. Nosso trabalho nos fortalece para chegar e conquistar. Como diz o Tite, com merecimento

Cleber Xavier

Cleber Xavier, auxiliar da seleção brasileira

REUTERS/Luisa Gonzalez REUTERS/Luisa Gonzalez

Gabriel Jesus e Roberto Firmino convenceram de vez?

Gabriel Jesus e Roberto Firmino têm sido os centroavantes da seleção desde que a "Era Tite" começou. Jesus, inclusive, é o artilheiro do período, com 18 gols. E Firmino tem todo o prestígio de quem acabou de conquistar a Liga dos Campeões da Europa pelo Liverpool, da Inglaterra. Mas por que tanta gente desconfia deles?

Na Copa do Mundo, Jesus não fez um gol sequer. Virou piada por aparecer muito mais na hora de ajudar a marcação. Firmino encara outro tipo de rejeição, que passa pelo distanciamento do público geral. Ele chegou há pouco no patamar mais alto do futebol e muita gente ainda faz cara feia por não conhecê-lo.

A Copa América no Brasil serviu para que os dois quebrassem essas barreiras. Jesus foi decisivo no mata-mata todo, desde a disputa de pênaltis contra o Paraguai até os dois gols e as duas assistências entre semifinal contra Argentina e final contra o Peru. Além disso, mostraram que podem jogar juntos, em uma parceria que foi fundamental para a conquista.

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As pessoas às vezes esquecem que o Gabriel ainda é um jovem (22 anos), mas ele já vem com a gente desde todo o processo da última Copa e teve muita personalidade para nos ajudar desta vez

Alisson

Alisson, em entrevista na zona mista do Maracanã

Quando estive no Palmeiras, levei para treinar e me causou surpresa um jogador daquela característica. Era um jovenzinho. Quando estava próximo de estrear, por uma questão de documentos, não pôde entrar. Já me parecia que teria um futuro incrível

Ricardo Gareca

Ricardo Gareca, técnico argentino da seleção peruana, sobre Gabriel Jesus

Marcello Zambrana/AGIF Marcello Zambrana/AGIF

Agora vocês acreditam em Alisson?

O mesmo mal que atingia Firmino acometia Alisson. "Quem é esse no gol do Brasil?". Muita gente não reparou na ascensão meteórica do goleiro no Internacional. Em menos de dois anos como titular no clube gaúcho, já havia chegado a uma semifinal de Libertadores e à seleção brasileira principal.

Na Roma, também não demorou para ser titular e fez história ao levar o time italiano à semifinal da Liga dos Campeões do ano passado. O Liverpool, então, o transformou no segundo goleiro mais caro da história e em protagonista da conquista da Champions desta temporada, com grande atuação na final contra o Tottenham.

Mas, para os desavisados, ainda precisava mais. O chute de Kevin De Bruyne, de força impressionante, ainda era defensável. A Copa América com um gol sofrido em seis jogos, defesas seguras e prêmio de melhor da posição o coloca em um novo patamar e nas graças da torcida.

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Agradeço a Deus por me dar sabedoria para lidar com críticas e elogios. Sempre tive a confiança de quem trabalha ao meu lado. Tite, Taffarel e Dunga também. Jogadores têm história de superação, a minha não foi diferente. Sempre trabalhei, quieto, focado e não respondi a ninguém. Sofri muitas críticas, mas não me vitimizo. Faz parte do futebol, sou goleiro da seleção brasileira

Alisson

Alisson, em entrevista na zona mista do Maracanã

Ricardo Moraes/Reuters Ricardo Moraes/Reuters

A seleção brasileira reconquistou a torcida?

Amistosos sem casa cheia, estreia com silêncio preocupante no Morumbi e fortes vaias após o empate contra a Venezuela na Fonte Nova. A seleção brasileira começou a Copa América preocupada com a relação fria e muitas vezes hostil com a torcida, reflexo de mais um fracasso em Copa do Mundo. O fantasma da Bélgica ainda incomodava?

As cobranças sobre Gabriel Jesus, Fernandinho ou Alisson mostram que sim. Mas nessa conta também entra a elitização do público na Copa América. Um público desacostumado a frequentar estádios, de reações incomuns dentro do futebol brasileiro. Poucos cantos, muitas olas e selfies.

Mas a ascensão de Everton Cebolinha, uma figura carismática e que ainda joga no Brasil, ajudou a quebrar o gelo. O jogo truncado, decidido nos pênaltis, contra o Paraguai acendeu a faísca. E a semifinal no Mineirão contra a Argentina incendiou de vez o clima até a conquista tensa diante do Peru no Maracanã.

O título será suficiente para reatar de vez o casamento? Em março do ano que vem, as Eliminatórias para a Copa de 2022 começam e a resposta será dada nas arenas brasileiras.

Foi um título importante, já que o Brasil não era campeão há um tempo. A gente tenta buscar o amor e a paixão dos torcedores para nosso lado

Allan

Allan, volante da seleção brasileira

Relembre os melhores momentos da final

Carl de Souza/AFP Carl de Souza/AFP

Bolsonaro vai colar na seleção?

Um jornalista estrangeiro queria perguntar a Tite se o presidente Jair Bolsonaro tentava se apropriar do título da seleção para valorizar a própria imagem. Um funcionário do Comitê Organizador Local (COL) tentou impedir a questão, mas outros repórteres protestaram e Tite quis responder. Uma cena que só aconteceu porque, de fato, Bolsonaro tentou se associar à seleção na Copa América.

Essa aproximação começou ainda no amistoso contra o Qatar, em Brasília, no dia 5 de junho. Bolsonaro não iria a princípio, mas mudou a agenda presidencial para ver o jogo no Mané Garrincha. Queria até ir ao vestiário, algo que não era bem visto pela CBF. E no fim optou por visitar Neymar, que seria cortado por lesão no tornozelo direito, em um hospital.

Durante a Copa América, era esperado somente para abertura e encerramento. A Conmebol nunca cogitou que ele entregasse a taça ao campeão. O presidente da entidade, Alejandro Domínguez, foi quem deu o troféu a Daniel Alves, de forma rápida e discreta. Bolsonaro apenas entregou medalhas, como é praxe em grandes eventos, e depois se juntou a alguns atletas e membros da comissão técnica para fazer fotos e vídeos.

A maior quebra de protocolo aconteceu na semifinal contra a Argentina. Bolsonaro surpreendeu a organização do torneio quando anunciou que iria ao Mineirão. E mais ainda quando quis descer ao campo e dar uma volta olímpica. Seus seguranças, sem credenciamento do torneio, incomodaram a Associação de Futebol Argentino (AFA) e a própria Conmebol.

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Eu fico tão focado no jogo, naquilo que é minha essência de trabalho, de ética, que prefiro não pensar nas outras coisas. Sei que elas existem, mas prefiro não falar e continuar com minha conduta

Tite

Tite, ao ser perguntado sobre opiniões extremistas de Bolsonaro

Foi legal, é o presidente do nosso país. Foi mais um pra comemorar com a gente. Fique feliz

Allan

Allan, sobre a presença de Bolsonaro em campo após o título

Buda Mendes/Getty Images Buda Mendes/Getty Images

Na CBF, Caboclo terá vida própria?

Após a conquista do título estar consolidada, na cerimônia de premiação, Tite deu um abraço caloroso no presidente da CBF, Rogério Caboclo. A conquista da Copa América era a primeira tanto para o técnico quanto para o cartola. Tite já tem vida própria. Como ele mesmo disse, agora se sente treinador de verdade da equipe canarinho. Mas e o cartola, já está á vontade à frente da entidade?

Essa taça vem em um momento em que Caboclo tenta descolar sua imagem da gestão de Marco Polo Del Nero, que é seu padrinho na candidatura, como demonstrou em discursos. A ideia, portanto, é que se dê uma marca à gestão do dirigente da CBF. E o dirigente terá que mostrar isso.

O desafio imediato de Caboclo será a autonomia para definir as reposições da agora desfalcada comissão de Tite. Mais do que isso, sustentar o discurso de permanência do treinador até 2022 sem qualquer interferência. A começar pela definição de um coordenador de seleções - agora ligado à presidência e sem o desgaste de Edu Gaspar, que deixou a seleção para trabalhar no Arsenal, da Inglaterra.

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CARL DE SOUZA/AFP CARL DE SOUZA/AFP

O Brasil é o dono da América, mas vai dominar o mundo?

Com Tite, contratado após mau início com Dunga, a seleção brasileira dominou as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Foi a melhor campanha da história no formato atual das Eliminatórias, com 41 pontos em 18 jogos. O suficiente para que muita gente clamasse pelo técnico como presidente do Brasil.

A Copa América que terminou com vitória sobre o Peru reforçou a supremacia canarinho no continente. Título invicto, com artilheiro, melhor jogador, melhor goleiro, melhor ataque e liderando quesitos como posse de bola, passes certos, finalizações e dribles. Incontestável.

Mas isso basta para dominar o mundo em 2022, no Qatar? A seleção sucumbiu diante da Bélgica no ano passado fazendo um jogo equilibrado, sobretudo no segundo tempo, mas apresentou muito mais problemas do que virtudes na Copa disputada na Rússia. Tite diz ter aprendido com os próprios erros e promete não repeti-los para realizar o sonho de ganhar um Mundial.

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