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Desemprego atinge único
jogador brasileiro na NFL


Damian Vaughn, 27, que desde 1998
atua como tight-end na National Football
League, treina sozinho todos os dias em
Chicago, Illinois, enquanto procura uma equipe para atuar na temporada 2003-2004


Marcius Azevedo
Em São Paulo



Divulgação
Vaughn: à procura de um time


Aqui como lá (nos Estados Unidos), o desemprego atinge um número muito grande de pessoas. Aqui como lá, profissionais gabaritados são afetados por esse problema. Isso está acontecendo com Damian Medeiros Silva Vaughn, único brasileiro que atua na NFL (National Football League).

Recuperado de uma grave lesão no tendão de Aquiles do pé direito, o tight-end (cuja missão em campo é proteger o quarterback, cérebro do time, e ainda se livrar para receber passes) está treinando em separado em Chicago, onde mora, e procurando um lugar nas equipes da liga.

Na última temporada, Vaughn cumpriu seu último ano de contrato com o Tampa Bay Buccaneers (atual campeão do Super Bowl) e agora é um agente livre ("free agent"), ou seja, tem o passe livre. Por não ter atuado com regularidade, devido à contusão, Vaughn não deve renovar com a equipe da Flórida. Como aqui, lá ele busca um novo emprego.

"Ainda vou voltar para lá (Tampa Bay) em junho, mas a chance de ficar é muito pequena. Eles contrataram mais um jogador para minha posição e agora têm cinco tight-ends", falou Vaughn, ao UOL Esporte, por telefone.

As dificuldades são enormes para o brasileiro. Desempregado, acorda cedo todos os dias para iniciar seus treinamentos. Pela manhã, Vaughn faz um trabalho técnico acompanhado de um treinador particular, com prioridade para velocidade e outros aspectos importantes para um tight-end. À tarde, vai à academia e realiza exercícios de musculação.

Arquivo
Sem facilidade contra o Miami
"É um treinamento muito pesado. Você fica, realmente, muito cansado. Mas, como estou nessa situação, preciso trabalhar bastante", afirmou.

Vaughn revela estar se sentindo como no início de carreira, quando foi selecionado pelo Cincinnati Bengals, em 1998. "Estou encarando isso como um recomeço. Apesar de ser conhecido na NFL, preciso provar novamente meu valor e, principalmente, que estou recuperado da lesão", disse o brasileiro, que passou por clínicas pelos EUA para ser definitivamente liberado pelos médicos para poder atuar na NFL ainda neste ano.

Enquanto Vaughn treina, Andy Simms, seu agente, "oferece" o brasileiro aos times da NFL e procura agendar testes para ele. Segundo o jogador, Chicago Bears e Seattle Seahawks, equipe menos cotadas que o Tampa Bay Buccaneers, estão entre as equipes que já mostraram interesse.

"Em breve, vou visitar algumas equipes e tentar me encaixar. Além disso, em junho, os times da NFL promovem acampamentos e tenho chance de ser recrutado", revelou. "Está sendo muito difícil, mas estou treinando bastante", acrescentou.

Vaughn espera definir até o fim de junho qual será seu novo time e, em seguida, iniciar a pré-temporada. A temporada 2003-2004 começa no dia 4 de setembro com o jogo entre New York Jets e Washington Redskins.

Soccer? Tamanho atrapalhou...
Nascido em Divinópolis, Vaughn mudou para os EUA quando completou seis anos. Como todo brasileiro, o tight-end cresceu jogando "soccer". No entanto, o porte físico acabou fazendo o mineiro seguir outro caminho.

Divulgação
Damian em ação pelos Dragons
Aos 14, por ser alto e forte em relação aos outros garotos (hoje tem 1,94 m e 120 kg), Vaughn foi recrutado para jogar futebol americano no colegial. "Sou apaixonado pelo nosso futebol, mas o treinador me fez mudar de idéia. Acho que não tinha futuro."

Logo se apaixonou pelo "novo futebol". Destacou-se, ganhou bolsa para estudar na Miami University de Ohio e foi atuar na NCAA (Liga Universitária de Futebol Americano). Em 1998, Vaughn foi escolhido pelo Cincinnati no draft da NFL.

Ficou nos Bengals até 2000. Depois, Vaughn teve uma breve passagem pelo Miami Dolphins (apenas um mês) e, em seguida, se transferiu para o Tampa Bay Buccaneers. Emprestado, foi defender o Barcelona Dragons, na liga européia da NFL, por dois anos: 2000 e 2001.

Na Espanha, o brasileiro viveu seu melhor momento na carreira. Em 2000, foi eleito o melhor tight-end da Europa. Ainda assim, não pensa em voltar aos Dragons. "Como todos sabem, o esporte é violento. Não quero correr o risco de me machucar de novo", afirmou Vaughn, deixando claro que a NFL Europa não tem uma estrutura tão boa quanto a dos Estados Unidos.

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  • Doping...Mortes... Isso faz parte da NFL?
  • League Flag... O início no Brasil

    Publicado em 24 de maio de 2003



  • É como um recomeço. Apesar de ser conhecido na NFL, eu preciso provar novamente meu valor e que estou recuperado da lesão no Tendão de Aquiles.
    Damian Vaughn





    4

    Esse é número de temporadas disputadas por Vaughn, que está na NFL desde 1998






    Doping e mortes?
    Leia revelação do brasileiro sobre uso de substâncias proibidas e do medo de não conseguir terminar uma partida com vida




    Usei (efedrina) algumas vezes, porque era normal. Agora é proibido, e respeito isso. A NFL está bastante preocupada com isso e faz vários testes-surpresas nos atletas.
    Damian Vaughn





    2000

    Ano em que foi eleito o melhor tight-end da NFL Europa, defendendo o Barcelona Dragons






    League Flag
    Vaughn aposta no investimento da NFL no Brasil. Em abril, ele participou de um evento no Rio e gostou dos resultados.