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Alemanha espera por novo "milagre econômico" a um ano da Copa do Mundo

País se prepara para fazer a mais perfeita edição da competição, com objetivo de chegar ao título e, muito mais que isso, recuperar o desenvolvimento econômico desaquecido desde a Queda do Muro de Berlim e a unificação com o lado oriental

Gabriel Fortes
Em Bonn (Alemanha)



EFE
Beckenbauer: o dono da bola


Os estádios são fantásticos, os sistemas de segurança extremamente eficientes e o transporte é praticamente perfeito. As cidades já se fantasiam, o povo é fascinado por futebol e está com sede de vitórias.

O cenário está preparado, e falta um ano para a Copa do Mundo. Mas a Alemanha não está satisfeita. Ainda. Enquanto a previsão aponta para a felicidade dos torcedores mesmo em caso de fiasco de suas seleções, o governo projeta um aquecimento econômico que pode tirar o país de uma grande crise.

A conquista do título perdido para o Brasil em 2002 é um sonho em solo germânico, mas o ressurgimento da nação em termos financeiros vem em primeiro plano para os sempre organizados alemães.

AFP
Klinsmann: confiança total
"A Alemanha será campeã do mundo em 2006, e eu não teria nada contra se fosse sobre o Brasil", diz Juergen Klinsmann, o técnico do time nacional, em um discurso prático e patriótico ao recordar a decisão no Japão.

"É uma chance que não se repetirá mais nesta década e que nós não podemos jogar fora", rebate, em tom teórico, o ministro da Economia Wolfgang Clement, referindo-se ao poder econômico que o Mundial pode oferecer ao país - estima-se um lucro de até 4 bilhões de euros.

Foram gastos 6 bilhões na construção e reforma de estádios (o Allianz Arena, em Munique, custou 340 milhões de euros), e com investimentos em outros setores de infra-estrutura, mas ao mesmo tempo os alemães tentam "esconder" os seus 5 milhões de desempregados, a grande maioria no Leste.

A Alemanha, há dois meses, caiu duas posições no ranking dos países mais ricos da Europa (foi do oitavo para o décimo lugar), e enquanto o povo sonha com um novo título mundial no futebol, quer também a retomada da aceleração econômica que caracterizou a nação no pós-guerra e foi freada com a reunificação, em 1990.

De lá para cá, a República Federal movimentou internamente uma quantidade considerável de dinheiro do Oeste para o Leste. O governo e a revista Der Spiegel, um dos meios de comunicação mais respeitados do país, falam em 1,25 trilhão de euros, mas um estudo da Universidade Livre de Berlim diz que o Estado rico já transferiu 1,5 trilhão de euros à ex-Alemanha Oriental - mais do que a dívida pública dos germânicos (1,4 trilhão).

ALLIANZ ARENA

O novo estádio alemão é um espetáculo à parte por fora...


...e por dentro, em sua festa de lançamento, em maio


Esperança de melhora com a Copa do Mundo é contagiante
O chamado "imposto de solidariedade" (5,5% do salário), instituído em 1995 e que derrubou o alto nível de vida do lado esquerdo do mapa, é um dos fatores que mais contribuem com o montante.

O balanço econômico após a queda do Muro de Berlim impôs várias outras taxas à população ocidental. E, além disso, há outros motivos que fazem o governo prever a Copa do Mundo como um "milagre econômico" capaz de mudar novamente a cara da nação.

"A economia alemã com certeza lucrará com a Copa, independente do desempenho da seleção nacional no torneio", aposta Marco Bargel, economista chefe do Postbank, instituição ligada aos correios alemães e responsável por um estudo sobre os benefícios econômicos que o evento irá representar.

Pedintes, mendigos e crianças atrás de ajuda financeira e alimentar não são coisas raras nas ruas das grandes cidades, principalmente em algumas das 12 que serão sede do Mundial. O Estado banca a grande maioria, oferece alguns subsídios, mantém a segurança, mas está de mãos atadas em relação ao mercado de trabalho.

O Mundial surge também neste aspecto como uma grande esperança. A estimativa traçada pelos germânicos e que envolve todo o período desde o início dos preparativos do evento, em 2003, fala na criação de quase 4 mil postos de trabalho anualmente até 2008.

"E isso é apenas o aspecto econômico", afirma Franz Beckenbauer, presidente do Comitê Organizador e quem aposta na geração de um volume de negócios da ordem de 10 milhões de euros.

"Made in Germany"
Dentro da filosofia do chanceler federal Gerhard Schroeder, que lançou no ano passado o fomento da inovação como mote da atividade governamental, Wolfgang Clement aposta sobretudo na chance de a Alemanha se apresentar ao mundo como uma sociedade moderna, de tecnologia de ponta. E, além disso, de polir na oportunidade o selo "Made in Germany".

O país conta com crescimento de até 8 bilhões de euros no PIB (Produto Interno Bruto) entre 2003 e 2010, em conseqüência dos impulsos resultantes da realização da Copa. O ministro Clement vê, assim, grandes chances especialmente para as empresas da tecnologia da informação, do setor esportivo e do turismo - serão 3,2 milhões de visitantes durante o campeonato de 2006.

AFP
Schroeder: "Made in Germany"
Tanto o presidente alemão Horst Koehler quanto o chanceler federal apóiam um fã-clube chamado de "Lideranças Empresariais pela Copa".

A idéia partiu há um ano da BDI (Confederação da Indústria Alemã), mas a proposta inicial pareceu modesta demais para o governo, que logo encarregou a agência de publicidade Goldener Hirsch de aperfeiçoá-la.

O resultado foi a criação da campanha FC Deutschland 06 para possibilitar um clima favorável no mercado interno e atrair investidores estrangeiros. Em um jantar em novembro do ano passado, Schroeder e a alta cúpula da BDI conseguiram o apoio de várias lideranças empresariais e o investimento de 20 milhões de euros na campanha neste ano e mais 12 milhões em 2006.

"O boom do consumo interno deverá ocorrer no início do ano que vem", diz Bargel, que aposta no superaquecimento dos mercados eletrônico, alimentício e de artigos esportivos. O estudo liderado pelo economista projeta que cada turista irá gastar de 800 a 1 mil euros durante cinco dias na Alemanha no próximo ano.

Munique e a Copa de 1974, os exemplos
A cidade bávara, sede das Olimpíadas de 1972, é o melhor exemplo para o país. "A capital do estado recebeu uma injeção financeira tão grande que isso refletiu em seu desenvolvimento durante os 15 anos seguintes", analisou o economista alemão Holger Preuss.

SEGURANÇA É PRIORIDADE
Os sistemas de segurança, para o economista Holger Preuss, são motivos de grande preocupação. "Se pensarmos que Atenas investiu 1 bilhão de euros em segurança durante os Jogos Olímpicos, podemos imaginar a importância que isso tem", argumentou o alemão.
Muitos projetos, como as construções de novas ruas e linhas de metrô, fizeram de Munique, até então uma mera cidade alpina, uma verdadeira metrópole. "A necessidade de investimentos para abrigar os Jogos deu um impulso grande para o desenvolvimento da cidade", comentou.

Membros do Comitê Organizador da Copa de 2006 e especialistas anunciam nos meios de comunicação do país que a evolução irá superar a oferecida pelo Mundial de 1974, responsável por um avanço de cerca de 20 anos em relação aos sistemas viários e urbanos. "Desta vez os efeitos econômicos serão maiores", projeta Bargel.

Para 2006, a maior parte dos investimentos na infraestrutura será injetada no princípio do ano e, segundo o membro do Postbank, o fomento da economia será notado durante do próprio evento.

Publicado originalmente em 09 de junho de 2005





A Alemanha será campeã do mundo em 2006, e eu não teria nada contra se fosse sobre o Brasil.
Juergen Klinsmann, técnico da seleção




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bilhões de euros foram gastos na construção e reforma de estádios



"Milagre de Berna"?
Alemanha vence Hungria, de virada, final da Copa-54. O confronto deu início à época de crescimento econômico no país.