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Gil de Ferran: despedida à
francesa com jeito brasileiro


Francês com naturalidade brasileira, bicampeão da Fórmula Cart e vencedor da mítica 500 Milhas de Indianápolis neste ano, o piloto surpreende o mundo e, sem fazer alarde, anuncia sua aposentadoria das pistas no auge da carreira, aos 35 anos

Por Ricardo Zanei
Em São Paulo



AFP
Ferran e o troféu de Indianápolis


De mansinho, sem ninguém perceber. Foi quase assim que Gil de Ferran anunciou sua aposentadoria das pistas. A saída "à francesa" não poderia ser diferente, já que o piloto nasceu na terra de Alain Prost e Michel Platini, em 11 de novembro de 1967, quando seu pai trabalhava no país.

"Tentei manter em segredo, a sete chaves. Existia um número muito pequeno de pessoas que sabiam (da aposentadoria)", afirma Ferran, direto da sua casa, em Fourt Lauderdale, nos EUA, onde mora ao lado com sua mulher, Angela, e os filhos Anna, 8, e Luke, 6.

Diferentemente do que faz nas pistas, onde admite que acelerar é uma paixão, Ferran toma a decisão de parar de forma bem pensada, devagar até, depois de analisar, pensar e repensar o assunto.

AFP
Título e um abraço no pai, Luc
"Foi uma decisão muito difícil e emocional", diz. "Pensar em parar já me deixou em uma situação desconfortável. É melhor parar enquanto estou aproveitando e gostando de pilotar. Não queria passar por um período de decadência. Como pessoa, como homem, passar por um período assim seria uma coisa muito difícil de lidar", explica o piloto, que desde julho já havia anunciado à equipe Penske, a qual compete na IRL, que iria se aposentar ao fim da temporada.

Temporada, aliás, que começou com dúvidas. Depois de se tornar bicampeão da Cart em 2000-2001, foi para a IRL com a Penske no ano passado; brigava pelo título quando sofreu um forte acidente no GP de Chicago, a penúltima etapa, e não pôde correr no Texas, perdendo as chances de ser mais uma vez campeão.

O episódio de Chicago marcou Ferran. Antes de pensar em aposentadoria, ele teve que lutar contra as lembranças do acidente e o medo de voltar a pilotar. "Não tem como dirigir com agressividade e paixão quando você está com medo no coração e na cabeça", filosofa.

AFP
Guitarra na festa em Nashville
O único jeito para perder esse temor foi acelerar. E isso fez com que a temporada, que parecia nebulosa, se tornasse das mais vitoriosas. A coroação veio com a conquista das 500 Milhas de Indianápolis, no dia 25 de maio. E de maneira emocionante: chegou à frente menos de 0s3 de seu companheiro de Penske, Hélio Castroneves, que tentava o tricampeonato.

"Vou sentir falta da classificação, de colocar um pneu novo e saber que só tem uma volta para fazer um bom tempo. Vou sentir falta da disputa por uma liderança faltando um ou duas voltas para o final. São situações na vida que são difíceis de ser substituídas", confidencia.

Vitórias e campeonatos ficarão marcados para sempre, mas Ferran garante que isso não é a melhor lembrança que vai levar. "O que tenho mais orgulho são as pessoas e relacionamentos durante os 20 anos que passaram. Vou guardar no meu coração quem passou pela minha vida."

Como desejo de despedida, Ferran sonha com o título. "O encerramento ideal seria ganhar Chicago, Fontana e Texas, colocando uma volta em todo mundo", brinca. "Ganhar o campeonato seria muito especial."

Sobre o futuro, Ferran diz não saber o que fazer. Nem o que esperar. Ou melhor, fica na torcida para que Luke, o filho, não siga seu caminho. "Se Deus quiser, ele não vai correr; não tenho estômago para isso. Se mais para a frente ele quiser, vai ter estudar ao mesmo tempo", diz o "paizão".

Uma coisa é certa: Ferran, um dos mais vitoriosos pilotos dos últimos anos, garante não vai desaparecer de uma vez. Até logo!

Publicado em 27 de agosto de 2003





É melhor parar enquanto estou gostando de pilotar. Não queria passar por um período de decadência
Gil de Ferran




5

títulos Ferran conquistou na carreira




Matrícula trancada
Em 1988, Gil cursava o terceiro ano de engenharia quando optou pelas pistas e foi para a Inglaterra, já como profissional.