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Por Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo


Contra fatos, não há argumentos: Michael Schumacher é o maior piloto de toda a história da F-1. Os saudosistas seguem defendendo o pentacampeão Juan Manuel Fangio, alguns preferem a técnica refinada do "professor" Alain Prost, enquanto os brasileiros insistem em celebrar Ayrton Senna.

Piloto T GP V PD PP PT VR
Schumacher 6 195 70 122 55 1038 56
Fangio 5 51 24 35 29 277,64 23
Prost 4 199 51 106 33 798,5 41
Senna 3 161 41 80 65 614 19
T - Títulos; GP - GPs disputados; V - Vitórias;
PD - Pódios; PP - Pole Positions; PT - Pontos;
VR - Voltas mais rápidas
Fonte: Forix
Depois que a bandeira quadriculada encerrou o GP do Japão de 2003, no entanto, contestar a superioridade de Schumacher na principal categoria do automobilismo mundial é praticamente impossível. Somente um torcedor fanático, dominado pela paixão a ponto de deixar de lado a razão, pode negar que o hexacampeão deixou para trás todos os demais grandes nomes da F-1.

Em 13 anos de carreira, Schumacher colecionou títulos e recordes na mesma proporção em que construiu uma imagem de frio e arrogante. No Brasil, ficou marcado como o piloto desleal que provocou uma batida com Damon Hill para faturar seu primeiro Mundial, em 1994.

Com o passar do tempo, porém, amadureceu tanto na forma de pilotar como no trato com companheiros, torcedores e mídia. Corrigiu o "defeito" de não medir esforços para conquistar as vitórias e foi derrubando, um a um, os argumentos daqueles que o consideravam apenas mais um bom piloto.

Principais Conquistas

(clique nas fotos para ver o álbum)

1991
• Estréia na F-1 pilotando uma Jordan no GP da Bélgica
• Disputa outras cinco etapas pela Benneton e conquista os seus primeiros pontos

1992
• Vence pela 1ª vez, na Bélgica
• Termina sua 1ª temporada completa em 3º, à frente de Senna

1993
• Vence pela segunda vez
na carreira, em Portugal

1994
• Vence em Ímola a mesma prova em que morreu Senna
• Provoca acidente com Hill na Austrália e garante seu primeiro título mundial

1995
• Conquista nove vitórias
no ano e garante o bi

1996
• Troca a equipe Benneton pela Ferrari com o desafio de acabar com o jejum de títulos da escuderia
• Vence três corridas e fica em 3º no campeonato

1997
• Vence cinco vezes e disputa o título até a última etapa
• Com mais pontos que Villeneuve, tenta tirar o rival da pista no GP da Europa, mas não consegue e ainda tem o vice cassado

1998
• Vence seis etapas e volta
a perder o título na última
• Precisando descontar quatro pontos de Hakkinen, faz a pole position, mas tem problemas na largada, cai para último e abandona com um pneu estourado

1999
• Sofre grave acidente em Silverstone, fratura a perna e fica fora da briga pelo título
• Termina a temporada em quinto, com 44 pontos, mas ajuda a Ferrari a levar o Mundial de construtores

2000
• Vence nove corridas e conquista o tri com uma etapa de antecedência
• Quebra jejum de títulos da Ferrari que já durava 21 anos

2001
• No mesmo circuito onde iniciou sua carreira e conquistou sua primeira vitória, vence pela 52ª vez na carreira e se torna o recordista de vitórias na F-1
• Repete as nove vitórias do ano anterior e, sem dar chances aos rivais, conquista seu quarto título com quatro etapas de antecedência

2002
• Domina a categoria de forma jamais vista na história, vence 11 etapas, sobe ao pódio em todas e chega ao penta
• Torna-se o campeão mais rápido de todos os tempos, conquistando o título com seis etapas de antecedência
• Termina o campeonato com impressionantes 144 pontos, recorde absoluto na história da categoria

2003
• Depois de um começo difícil, supera as novas regras e a queda de rendimento da Ferrari para vencer seis corridas
• Conquista o hexa na última prova e ultrapassa o lendário Juan Manuel Fangio em número de títulos
A fama de máu caráter, que aumentou quando o alemão jogou o carro para cima de Villeneuve na fracassada tentativa de garantir o título de 1997, foi apagada com a seqüência de quatro títulos conquistados de forma limpa e incontestável, mesmo nos campeonatos em que foi obrigado a disputar até a última etapa.

Além disso, Schumacher adotou outra postura fora das pistas, evitando confrontação com os demais pilotos e passando a participar de vários eventos beneficentes ao redor do mundo, associando sua imagem à de grandes personalidades internacionais como Pelé, Ronaldo, o papa João Paulo II, entre outros.

Se dentro do cockpit ainda mantém a frieza e a arrogância que o diferenciam dos demais, fora dele Schumacher não faz mais questão de manter o jeitão de iceberg. Chorar em público já não é novidade para o alemão, que derramou lágrimas no pódio ao garantir o penta em 2002 e não conteve a emoção ao vencer o GP de San Marino, neste ano, horas depois de saber da morte de sua mãe.

Ao contrário de Senna e Prost, Schumacher nem sempre teve o melhor carro da categoria à sua disposição. Logo em seu primeiro título, apesar de contar com a trágica ausência de Senna e pilotar a equilibrada Benneton, Schumacher precisou derrotar a poderosa Williams, ainda que pilotada pelo limitado Damon Hiill.

Mais tarde, já bicampeão, aceitou o espinhoso desafio de tirar a Ferrari do jejum de títulos. Penou quatro anos para conseguir o objetivo em 2000, aí sim já com o melhor carro da F-1, que ele mesmo trabalhou para desenvolver.

À bordo do "foguete" construído pela Ferrari, dominou a categoria de maneira jamais vista em 2001 e 2002. Sem dar chances para qualquer adversário, venceu nada menos que 11 corridas para conquistar seu quinto título e subiu ao pódio em todas as etapas, feito também inédito na F-1.

Justamente por essa suposta falta de adversários à altura, o alemão muitas vezes teve seu mérito diminuído. Se em seus dois primeiros títulos Schumacher não teve grandes pilotos contra quem duelar, no terceiro precisou bater o bicampeão Mika Hakkinen, da McLaren.

Depois de reinar absoluto nos dois anos seguintes, Schumacher encontrou em 2003 uma promissora safra de jovens pilotos dispostos a acabar com seu domínio, como o finlandês Kimi Raikkonen, legítmo herdeiro de Hakkinen, o espanhol Fernando Alonso, aposta da Renault para voltar a vencer na F-1, e o colombiano Juan Pablo Montoya, turbinado pela evolução da Williams.

Além disso, precisou driblar as diversas mudanças no regulamento da categoria (entre elas a mudança no sistema de pontuação que desvalorizou as vitórias), criadas com o propósito de tornar a disputa mais equilibrada e, quem sabe, acabar com sua hegemonia.

As medidas, ao menos em parte, surtiram o efeito desejado. A temporada 2003 foi a mais equilibrada dos últimos anos, com oito pilotos diferentes vencendo corridas, mas seu resultado final acabou sendo pouco diferente.

Seus críticos diziam que Schumacher era sujo. Ele passou a jogar limpo e continuou ganhando. Afirmavam que ele era frio e arrogante. Ele mudou seu estilo, mostrou suas emoções e provou ser um campeão também fora das pistas. Alegavam que o alemão não tinha adversários à altura. Surgiram novos talentos, as demais equipes evoluíram e alcançaram a Ferrari, mas ele seguiu vencendo. Mudaram as regras do jogo, mas ele se adaptou rapidamente e continuou deixando todos para trás.

Hexacampeão e dono de quase todos os recordes da categoria (exceto o de poles positions, que ainda pertence a Senna), Schumacher é praticamente impossível de ser batido. Nada parece ser capaz de pará-lo, a não ser ele mesmo. Como não deve se aposentar pelo menos até 2006, o alemão terá ainda mais dois anos para convencer os que ainda insistem em contestá-lo.

Publicado em 12 de outubro de 2003





Sua maior qualidade é a velocidade, sem dúvida. O Ayrton (Senna) também era muito veloz, mas às vezes batia. O Schumacher é consistente. E, com os anos, conseguiu agrupar outros fatores à sua velocidade

Rubens Barrichello,
em 2002




194

GPs disputou o alemão; confira seu desempenho em todos eles





Imagens do hexa
Veja álbum com as melhores fotos da temporada que fez de Michael Schumacher o maior campeão da história da F-1



Todos tem uma idéia do melhor piloto de todos. Os mais velhos vão citar Fangio, Jim Clark e Stirling Moss. Outros acham que é Prost ou Ayrton Senna. Para mim, Michael é o melhor. Senna tem muito mais pole positions, mas sempre correu com o melhor carro. Se ele não tivesse morrido em 94, seria forçado a se aposentar por não conseguir superar Schumacher

Eddie Irvine, em 2001




70

vitórias na carreira; veja todos os números e recordes de Schumacher





Retratos do campeão
Reveja os momentos mais marcantes da vida e da carreira do piloto alemão em álbum com fotos de 1993 a 2002



Não há como se fazer comparações entre Fangio e eu. Naquela época, os pilotos tinham uma coragem acima do comum, guiavam em condições muito precárias de segurança, tanto dos autódromos quanto dos carros, e eu não sei se conseguiria fazer o mesmo. Ele foi fantástico

Michael Schumacher, em 2002