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Ex-atleta de fim de semana mergulha de cabeça no tiro

Prata no Pan-Americano de 2003 e já classificado para a Olimpíada de Atenas-2004, Rodrigo Bastos consegue apoio financeiro para deixar a odontologia, treinar todos os dias e dedicar-se exclusivamente ao tiro em busca de uma medalha olímpica

Por Murilo Garavello
Em São Paulo



Divulgação
Bastos: agora, um ex-dentista



Santo Domingo, 3 de agosto de 2003. O atirador Rodrigo Bastos, 36, conquista a primeira medalha brasileira no Pan-Americano. Momentos após a conquista, Bastos revela ser um "atleta de fim de semana": os 250 quilômetros que separam sua cidade, Guarapuava, de Curitiba -centro mais próximo para a prática do tiro- e sua profissão -dentista- impediam a dedicação exclusiva ao esporte.

São Paulo, 16 de outubro de 2003. Rodrigo Bastos reúne a imprensa paulista para anunciar: deixou de praticar a odontologia. Sua clínica, a Odontocenter, em Guarapuava, segue na ativa, mas os pacientes, agora, são atendidos por outros profissionais. Ele, Rodrigo, vai se dedicar inteiramente ao tiro. Um estande será construído em sua cidade para seus treinamentos. E, para a Olimpíada de Atenas-2004 -Bastos já tem vaga assegurada-, viajará preparado, em condições de brigar de igual para igual com os outros 17 competidores.

A medalha no Pan, o desempenho excelente -que lhe garantiria a prata também na Olimpíada de Sydney-2000- e os contatos desenvolvidos por Bastos permitiram a ele reunir R$ 400 mil, provenientes da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para construir o estande de tiro em Guarapuava, participar de competições internacionais e, claro, sustentar-se.

Luiz Doro
Bastos pratica a fossa olímpica
"Estou muito seguro que tomei a melhor decisão. Gosto até mais do meu esporte do que da minha profissão. Só participar de uma Olimpíada é uma coisa boa demais. Estarei entre os 18 melhores atiradores do mundo, que tiveram desempenhos excelentes para estar lá".

Estratégias e preparação
Mesmo com o estande de tiro ainda em construção -a previsão é que as obras estejam encerradas no início de dezembro-, Bastos já se dedica inteiramente ao esporte. Por enquanto, pratica o tiro em Curitiba e cuida da preparação física quase todos os dias. Já contratou um técnico, Cid Campello, um psicólogo e até uma empresa de marketing esportivo para a busca de novos patrocinadores.

"Sem responsabilidade, o resultado às vezes sai mais fácil", comenta Bastos, sobre o desempenho no Pan e a iniciativa de passar a contar com um psicólogo. Agora que terá uma preparação mais adequada, a pressão por bons resultados aumentará. Ele quer estar preparado.

Além de auxiliá-lo a lidar com as cobranças, o psicólogo tem outra função para Bastos: ajuda-o em exercícios de controle da mente. "Basicamente é concentração, algo parecido com ioga, mentalização. O objetivo é conseguir entrar em um estado em que nada externo te atrapalhe e você fique concentrado apenas no momento do tiro", revela o atirador, que também pratica a natação "três ou quatro vezes por semana".

Com o técnico Campello, conhecido de longa data, Bastos planeja pequenos aperfeiçoamentos técnicos para a Olimpíada. "Quero fazer ajustes na coronha. Todos os competidores de alto nível têm a coronha personalizada. Eu, não". Outro ponto passível de mudança, segundo o atirador, é o comprimento do cano, que com um melhor ajuste, pode lhe dar mais estabilidade no momento do disparo.

"São pequenas coisas que quero testar com o Cid (Campello), que podem até resultar em nada. A tendência, entretanto, é que eu consiga algum ganho. E qualquer ganho, de 0,001, em uma Olimpíada pode fazer a diferença", diz Bastos.

Expansão do tiro
Além de conseguir dinheiro para sua preparação para a Olimpíada, Bastos obteve do Governo do Estado do Paraná, da CBC e do COB o compromisso de que 10 centros de treinamento de tiro em cidades paranaenses serão construídos em curto prazo. "Quero ajudar a formar novos atiradores, ampliar a base do nosso esporte", diz o medalhista, que será coordenador da implantação dos CTs.

Bastos também passará a ser uma espécie de garoto-propaganda do tiro esportivo. Quando competir no Brasil, ministrará clínicas para novos atiradores. Até uma caixa de cartuchos com seu nome e o de Janice Ribeiro -outra medalhista no Pan- será comercializada.

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    Publicado em 16 de outubro de 2003





  • Eu estava em um dia especial no Pan, meu desempenho foi surpreendente até para mim
    Rodrigo Bastos




    124

    acertos em 125 tiros foi a marca de Bastos no Pan




    Dor de cabeça
    Após brilhar na 1ª fase do Pan, Bastos, não dormiu, ansioso. Uma dor de cabeça que o prejudicou na final do Pan foi o resultado