! UOL Esporte - Retrospectiva 2006

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Favorito disparado antes da Copa, Brasil se atrapalha dentro e fora de campo e vê a conquista dos italianos

A seleção brasileira prometia surpreender o mundo em 2006. E surpreendeu. Negativamente. O time comandado por Carlos Alberto Parreira, e liderado dentro de campo por Cafu, Roberto Carlos, Émerson e Ronaldo, não foi novamente páreo para a França, do veterano Zidane, e caiu logo nas quartas-de-final, no seu primeiro grande desafio na Copa da Alemanha.

Mas quem acompanhou a trajetória da equipe, mesmo à distância, poderia prever a precoce eliminação. O Brasil errou desde a preparação na Suíça, na festiva e fria Weggis, até o momento em que Roberto Carlos decidiu ajeitar a meia no gol de Henry, aos 12min do segundo tempo, no Waldstadion, Frankfurt, dia 1º de julho.

Convicto de que o esquema batizado como "quarteto mágico" resolveria, como resolveu na Copa das Confederações, em 2005, Parreira apostou em Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo. E, fechado com os jogadores, inclusive com os veteranos, manteve a equipe até o final do torneio (exceção feita à partida diante no Japão, na última rodada da primeira fase, quando a seleção já estava classificada às oitavas-de-final e fez cinco trocas).

Crédito Materazzi
Substituiu Nesta à altura, tirou Zidane da decisão e virou astro internacional
Crédito Klose
Depois de 36 anos, Alemanha teve de novo o artilheiro da Copa, com 5 gols
Crédito Lúcio
Ao lado de Juan, liderou a defesa; setor foi um dos menos vazados
Diferentemente de Zidane, 34, que só não foi mais elogiado graças à cabeçada no italiano Materazzi, na decisão da Copa, o capitão Cafu, 36, e Roberto Carlos, 33, tropeçaram na arrogância. O jogador do Milan declarou publicamente que estava na Alemanha para quebrar recordes. Superou Taffarel e Dunga em números de jogos em Mundiais (20), mas não disputou a quarta final -jogou 1994, 1998 e 2002 -e não levantou o troféu mais cobiçado do planeta pela segunda vez -ergueu a Taça Fifa há quatro anos, no Japão. O lateral-esquerdo foi além. Antes da falha crucial, disse que o Brasil tinha 80% de chance de ser campeão.

Companheiro de Real Madrid, Ronaldo foi outro capítulo à parte. O centroavante superou o recorde de gols em Copas do Mundo do alemão Gerd Muller, 15 contra 14, mas problemas físicos o atrapalharam durante toda a competição. Se apresentou à comissão técnica pesando 94,7 kg, como revelou o preparador físico Moraci Sant'Anna, fato que comprometeu a sua preparação. Além do sobrepeso, que também "vitimou" Adriano, o Fenômeno sofreu com bolhas nos pé ainda na Suíça e, na Alemanha, após sentir tonturas na concentração, foi levado a um hospital e submetido a exames de sangue, tomografia e endoscopia. Nada foi constatado.

Decepção igual ou maior à pífia campanha da seleção na Alemanha só mesmo Ronaldinho Gaúcho. De longe o mais procurado e assediado jogador brasileiro, o astro do Barcelona, que chegou credenciado como o melhor do planeta pela Fifa, em 2004 e 2005, não marcou nem sequer um gol e foi o espelho da equipe da em campo: sem brilho e apático.

Melhor para os adversários, e melhor para outro brasileiro que ganhou ainda mais projeção. Livre do risco de enfrentar o Brasil - o choque aconteceria numa eventual semifinal, Luiz Felipe Scolari cumpriu a promessa feita à torcida lusa e colocou Portugal entre os quatro melhores do planeta. Sua equipe caiu nas semifinais para a França, porém a boa campanha valeu ao treinador a renovação do contrato até 2008 e a certeza de que Felipão conquistou definitivamente espaço entre os melhores técnicos do planeta.

Zidane
A cabeçada em Materazzi na final da Copa manchou o adeus do astro
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Adriano
Pesado, o atacante foi figura "nula" no ataque do Brasil e ainda não se achou
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Parreira
Falhou mesmo com muitos craques na mão e foi trocado pelo novato Dunga
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Mesma sorte não tiveram Zico, que dirigiu Japão, Alexandre Guimarães, da Costa Rica, e Marcos Paquetá, da Arábia Saudita. Todos foram eliminados ainda na primeira fase do Mundial.

Felipão só não repetiu o feito alcançado pela geração portuguesa de 1966, terceira colocada, porque enfrentou a mordida Alemanha. A anfitriã, dirigida pelo astro Jürgen Klinsmann e com um time renovado, caiu frente aos italianos, em um jogo emocionante: 2 a 0 nos minutos finais. Na decisão do bronze, apoiados pelos satisfeitos torcedores, os alemães derrotaram Portugal por 3 a 1 e retribuíram parte do carinho dispensado pelos fanáticos compatriotas.

Números
32 seleções disputaram a 18ª edição da Copa do Mundo. Em 64 partidas, foram marcados 147 gols (média de 2,3 por partida); Klose, da Alemanha, com cinco, sagrou-se artilheiro. O melhor brasileiro foi Ronaldo, com três.

Foram registradas 2284 faltas (média de 35,69), e os mais faltosos foram Alemanha (125), Portugal e França (122). Os árbitros distribuíram 318 cartões amarelos e 28 vermelhos.

O Brasil, que não ficou com o hexa, garantiu ao menos os ''títulos simbólicos'' de seleção com maior número de vitórias consecutivas em Copas do Mundo -11- e o "Fair Play (Jogo Limpo)", dividindo a honraria com a Espanha.

De acordo com o comitê de organização da Copa do Mundo da Alemanha-2006, foi registrado um lucro de 20 milhões de euros após a disputa do torneio de 9 de junho a 9 julho. Dado triste: a competição terminou com um saldo de 7.000 crimes e 875 feridos.

Despedidas
A Copa do Mundo marcou a aposentadoria de estrelas do futebol. Além de Zidane, que parou definitivamente, Oliver Kahn (Alemanha), Totti (Itália), Nakata (Japão), Claudio Reyna (EUA), Roberto Carlos (Brasil), Figo e Pauleta (Portugal) deram adeus às suas respectivas seleções.

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Alemanha faz Copa inesquecível, e Itália é tetra
É tetra, tetra; Itália é tetra!
Doze anos depois de perder o tetra para o Brasil nos pênaltis, a Itália derrotou a França nas penalidades e pôs fim à espera que durava 24 anos, quando a "Azzurra" garantiu a Copa de 1982.

A geração de Buffon, Cannavaro, Gattusso, Del Piero e Totti isolou a Itália como a 2ª maior vencedora da história com quatro taças [1934, 1938, 1982 e 2006], atrás apenas dos cinco títulos brasileiros.

O triunfo por 5 a 3 [1 a 1 no tempo normal e prorrogação] foi o primeiro da Azzurra numa decisão por pênaltis de Copa. Os italianos tinham perdido para a Argentina na semi de 1990, para o Brasil na final de 1994 e para a mesma França nas quartas de 1998.

A Itália conseguiu ainda provocar um fim de carreira melancólico de Zidane, expulso na prorrogação por agredir Materazzi com uma cabeçada no peito. O lance, aliás, fez do zagueiro uma celebridade e rendeu muito dinheiro ao jogador, que estrelou na seqüência jogos virtuais e propagandas.

O capitão Cannavaro também deixou a Alemanha valorizado. O defensor trocou a Juve pelo Real e ganhou, além da Bola de Ouro da revista "France Football", o prêmio de melhor jogador do Mundo de 2006 oferecido pela Fifa. Zidane ficou em segundo e Ronaldinho Gaúcho em terceiro.

Escândalo
O título italiano veio na seqüência de um escândalo em seu futebol. Milan, Lazio, Juventus e Fiorentina eram suspeitos de manipular arbitragens. A Juve caiu, e os demais foram punidos com a perda de pontos no atual campeonato.


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