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Surfe: Brasileiro relata mar poluído e medo de gringos com violência no Rio

Kelly Cestari/WSL
Etapa do Rio de Janeiro foi alvo de críticas dos surfistas estrangeiros Imagem: Kelly Cestari/WSL

Guilherme Dorini

do UOL, em São Paulo

24/05/2016 07h00

A etapa do Rio de Janeiro do Circuito Mundial de Surfe (WCT) desta temporada foi recheada de polêmica fora do mar. Além da já conhecida (e sempre criticada) poluição na água, a violência também preocupou os estrangeiros que vieram ao Brasil para a quarta prova do ano, fazendo, inclusive, rumores aumentarem de que a “Cidade Maravilhosa” poderia ser retirada do calendário em 2017.

Antes mesmo de a etapa começar, surfistas haviam dado entrevista à revista Stab, relatando os problemas do Rio de Janeiro, que iam desde poluição, até a qualidade da onda. “Acho que todo mundo já sabe que se a gente tiver outro ano no Rio de ondas medianas e todo mundo ficar doente, provavelmente o evento não segue adiante por lá,” disse Ace Buchan, australiano representante dos surfistas no Mundial.

Alejo Muniz, argentino naturalizado brasileiro e que mora no Rio de Janeiro há dois anos, apesar de torcer para que a etapa continue na cidade, concordou com o problema da poluição. “Na verdade, todo mundo gosta de vir ao Rio surfar essa etapa, mas eu estava lá na praia e estava bem feio mesmo, a água estava suja. Uma hora tiveram até que parar porque mudou a correnteza e trouxe ainda mais poluição”, relatou em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Outro problema desta temporada foi um caso específico de violência que assustou os surfistas estrangeiros. Na véspera da etapa no Rio de Janeiro, a havaiana Carissa Moore e o americano Conner Coffin, além de pessoas de algumas marcas e da organização do evento, presenciaram o momento em que um homem foi baleado após uma tentativa de assalto em um posto de gasolina.

Alejo ainda revelou uma conversa com Coffin, que ficou bem assustado com a situação. “Conversei com o Conner, e eles ficaram em choque, já que não estão acostumados com isso. Mas, ao mesmo tempo, falei para eles que morava há 26 anos no Brasil e também nunca tinha visto. Foi azar deles estarem lá no momento. A gente sabe que isso não acontece toda hora, muito menos ali na Barra. No momento foi forte, ele até ficou com um pouco de medo de surfar e fazer algumas coisas sozinho, mas depois acho que ele entendeu e ficou tranquilo”, contou.

Santa Catarina pode virar opção

Divulgação/WSL
Imbituba pode virar opção para etapa do Mundial de Surfe Imagem: Divulgação/WSL

Apesar da insatisfação de alguns surfistas estrangeiros com a etapa do Rio, o Brasil não deve ficar de fora do calendário da próxima temporada. O país, que ano passado foi campeão de todas as divisões possíveis, é muito importante em termos de negócio, tanto que a Liga Mundial de Surfe (WSL) anunciou no mês passado um acordo com a Go4it, empresa que trabalhará na prospecção de novos negócios e desenvolvimento de mercado do surfe em terras brasileiras a partir de 2016.

Por isso, uma das alternativas seria apenas tirar do Rio de Janeiro a etapa. Uma das opções que pode aparecer é levar a prova para Santa Catarina, estado que já abrigou eventos do WCT.

“Quando rolava em Imbituba, era muito legal, eu era moleque e sempre ia lá para pegar autógrafos dos meus surfistas preferidos”, disse Alejo, que é considerado local em Santa Catarina.

“Para mim, tirando Saquerama, que é onde teria que ser essa etapa, Imbituba é o melhor lugar. Sempre que tem swell (ondulação) é uma onda muito boa e ainda possui uma ótima estrutura, como pousadas e restaurantes. A praia também é bem espaçosa, daria para montar uma estrutura legal e seria perfeito para rolar por lá”, completou.

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