Esporte

Conheça o brasileiro que domou mar que "quebra crânios" bem antes de Medina

Kelly Cestari / WSL
Bruno Santos é especialista em ondas tubulares Imagem: Kelly Cestari / WSL

Guilherme Dorini

do UOL, em São Paulo

18/08/2016 08h00

A etapa de Teahupoo, no Taiti, é considerada uma das mais tradicionais - e perigosas -, do Circuito Mundial de Surfe (WCT). Conhecida como praia dos "crânios quebrados" por suas ondas poderosas e um fundo raso de coral, ela já está pronta para receber a sétima etapa da elite do surfe, que terá janela aberta a partir da próxima sexta-feira (19) até dia 30. Em 2014, Gabriel Medina chocava o mundo ao ser campeão sobre Kelly Slater por lá. O que pouca gente lembra é que outro brasileiro, mesmo com uma prancha emprestada, já havia ensinado o caminho das pedras aos compatriotas há oito anos.

Divulgação / ASP
Bruno Santos após vencer a etapa em 2008 Imagem: Divulgação / ASP

Natural de Itacoatiara (RJ), o hoje freesurfer Bruno Santos ainda tentava ganhar a vida como surfista de competição quando brilhou em Teahupoo em 2008. Considerado um dos melhores tubriders (especialista em ondas tubulares) do mundo, ele sequer fazia parte da elite - entrou no torneio por meio das seletivas locais -, abriu a perna após uma queda no mar e ainda quebrou todas as suas pranchas antes da etapa principal.

O cenário para tudo dar errado estava armado. O resultado? Além dos 15 pontos tomados na perna, surfou uma das ondas mais temidas do mundo com uma prancha emprestada de um israelense que nunca tinha visto na vida e ainda levou o caneco pela primeira vez para o Brasil.

O UOL Esporte bateu um papo exclusivo com o Bruno, que acabou de vencer a triagem classificatória no Taiti e mais uma vez representará a Brazilian Storm na etapa principal de Teahupoo. Acompanhe abaixo, na íntegra, a conversa com o surfista sobre a conquista de seis anos atrás.

"GOSTINHO ESPECIAL"

Arquivo pessoal
Brasileiros vibram com vitória de Bruninho em 2008 Imagem: Arquivo pessoal

"Essa vitória teve um gostinho especial por vários motivos. Primeiro que, na época, o Brasil estava passando por um grande jejum de vitórias*. Era uma transição entre a geração do Renan (Rocha) e a Brazilian Storm. Eu também não fazer parte da elite, sem dúvida, deu um sentimento especial. Wildcard (convidado) quando vence é sempre especial, ainda mais não sendo um local do pico. Ainda existia aquele preconceito de que brasileiro não sabia surfar bem ondas tubulares. Galera ficou amarradona na minha vitória. Com certeza ter sido o primeiro brasileiro a vencer ali também tornou mais emocionante, é uma das etapas mais cobiçadas do tour".

*Vale lembrar que o Brasil não conquistava uma etapa do WCT desde 2002, com Neco Pararatz na França. Ou seja, um longo jejum de seis anos.

IMPREVISTOS NA SEMANA

Kelly Cestari / WSL
Bruninho é um dos melhores surfistas em Teahupoo Imagem: Kelly Cestari / WSL

"Foi um campeonato recheado de imprevistos. Primeiro, arrebentei minha perna na semifinal da triagem. Comecei com uma nota 10 na bateria, mas, logo na sequência, caí dentro de um tubo e levei uma pranchada. Abriu minha perna, e ainda surfei a semi e a final com a perna aberta. Só depois fui para marina levar 15 pontos para fechar o corte. Foi um buraco bem grande, que me deixou sem surfar até começar o evento principal.

Quando chegou a etapa principal, eu já tinha quebrado todas as minhas pranchas durante a triagem e tive que pegar uma prancha emprestada de um cara que nunca vi na vida, um israelense, mas deu sorte e acabei vencendo com a prancha dele".

TRIAGEM LOCAL

"O campeonato para mim foi muito longo, já que tive que começar nas triagens. Tive baterias alucinantes nas triagens, as condições estavam épicas, 10 a 12 pés... Fiz baterias alucinantes com vários surfistas que não estavam na elite, mas que são especialistas neste tipo de onda, como, por exemplo, Jamie O’Brien".

BATERIAS APERTADAS

"Durante o evento principal, as duas baterias mais apertadas foram contra Mick Fanning e o Mineiro (Adriano de Souza). Como é um campeonato longo, algumas baterias você ganha com certa vantagem, outras são mais equilibradas... Essas duas foram realmente bem apertadas. A do Mick eu virei na regressiva, na última onda, quando já nem acreditava mais que dava para virar. Contra o Mineiro, não. Essa foi uma que dominei a bateria inteira, mas com notas baixas, e até vacilei no final, deixei ele pegar uma que quase conseguiu a virada".

VITÓRIA NA TRIAGEM DE 2016

Tahiti Infos / SB
Bruno Santos venceu a triagem deste ano em Teahupoo Imagem: Tahiti Infos / SB

"Foi irado! Estou amarradão! Triagem foi difícil como sempre, 32 convidados, os 16 melhores taitianos, havaianos, australianos... Eu já tinha ido bem ano passado, fica aquela pulga atrás da orelha para ver se vai conseguir repetir o resultado. Mas deu certo, as ondas vieram para mim, competi bem e foi só o primeiro passo. Sempre que venho para cá como convidado coloco na minha cabeça que já estou no evento. Só tenho que passa mais baterias que a galera, meu campeonato só começa mais cedo. Estou amarradão, não quebrei nenhuma prancha ainda. Essa triagem já é uma forma de aquecimento para a etapa principal".

COMO SE DAR BEM EM TEAHUPOO?

Stephen Robertson/WSL
Bruno Santos também venceu a triagem de 2015 no Taiti Imagem: Stephen Robertson/WSL

"A onda de Teahupoo é uma onda muito rasa, mas muito perfeita. Não tem muito mistério. É se posicionar bem, escolher a onda certa, remar forte e acreditar que vai sair do tubo. O fundo está ali, é raso, bater na pedra é normal e pode acontecer em qualquer momento, com qualquer um. É remar, botar para baixo e acreditar que vai sair".

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