Esporte

1ª vez contra Slater, nota 10 e título: Medina chocava o mundo há 5 anos

Guilherme Dorini

Do UOL, em São Paulo

04/10/2016 06h00

"Foi meu primeiro tudo". É assim que Gabriel Medina tem guardada na memória a oitava etapa do Circuito Mundial de Surfe (WCT) de 2011, realizada na França, quando, recém-promovido à elite do esporte, enfrentou e venceu Kelly Slater pela primeira vez na vida, tirou sua primeira nota 10 e ainda por cima subiu ao então inédito lugar mais alto do pódio no WCT. Tudo isso com apenas 17 anos.

Em um bate-papo exclusivo com o UOL Esporte, Medina relembrou com detalhes todos esses acontecimentos, além de falar sobre sua relação com a França, onde já havia sido campeão do King of the Groms, uma competição para jovens talentos, com apenas 15 anos e bicampeão da elite na temporada passada.

"França é um lugar que me sinto muito confortável, em casa. Já tive vitórias lá e é uma onda que eu amo. É um beach break perfeito. É um lugar especial. Quando estreei em Trestles, acho que estava um pouco nervoso, era minha primeira etapa no WCT... Na França, as coisas foram acontecendo. Quase perdi no segundo round, mas a sorte estava do meu lado. Sempre que precisava de nota, a onda vinha e eu conseguia tirar o que precisava. Estava tudo conspirando a meu favor”, disse.

Nesta terça-feira (4), sem condições boas, ele ainda não caiu no mar de Hossegor para começar defender seu título contra Dusty Payne e Ryan Callinan no primeiro round – a janela de competição para a nona etapa do WCT fica aberta dia 15. Medina é o segundo colocado do ranking geral e tem John John Florence, líder, como grande rival pela conquista do Mundial.

RELAÇÃO COM A FRANÇA

Kelly Cestari / DWSL
Gabriel Medina tem um ótimo retrospecto na França Imagem: Kelly Cestari / DWSL

Medina era considerado um prodígio no mundo do surfe muito antes de se tornar campeão mundial (ou até mesmo júnior, que viria em 2013). E a confirmação do que todos esperavam se confirmou em Hossegor, na França, exatamente há cinco anos.

Foi no "perfeito beach break" europeu, como o próprio Gabriel classifica, que o brasileiro superou a frustrante estreia na elite nos Estados Unidos - quando foi eliminado no terceiro round, levantando (preococemente) dúvidas dos gringos sobre sua capacidade em cima da prancha.

"Era tudo novo para mim. Tinha acabado de chegar de Trestles, onde perdi de cara. Foi um ano de adaptação. Claro que depois da vitória fui para as etapas com vontade de ganhar, com muita confiança, mas tranquilo por ter feito meu papel. Dali em diante foi só alegria, até ganhei minha segunda etapa em São Francisco, foi um ano excelente para mim."

VITÓRIA SOBRE KELLY SLATER

Na França, ele teve a oportunidade de enfrentar pela primeira vez a lenda Kelly Slater. Em um round no loser (quando nenhum dos três surfistas é eliminado), ficou atrás do norte-americano, mas, depois, nas quartas de final, em uma bateria homem a homem, deixou o maior de todos os tempos para trás.

"Foi a primeira vez que ganhei do Kelly. Na verdade, perdi na repescagem e ganhei nas quartas. Era um sonho competir contra o Kelly, sempre tive esse sonho, desde quando comecei a competir. Ele é um ídolo e exemplo para todos. Foi alucinante, foi um dia especial para mim e para minha família”.

MEDINA AIRLINES E 1ª NOTA 10

Na semi, Medina enfrentou Taylor Knox, protagonizando um duelo entre gerações. O americano era o surfista mais experiente daquele ano na elite, e Gabriel o mais novo. O brasileiro fez valer sua juventude e atropelou o rival por uma contagem de 19,57 a 7, com direito a um aéreo que deixaria não só seu adversário impressionado, mas também os juízes, que dariam a primeira nota 10 ao brasileiro na elite do surfe mundial.

"Essa nota 10 foi um aéreo rodando, bem alto... Foi uma bateria que estava tranquila, já na semifinal. O que viesse, era lucro. Entrei tranquilo, tentando fazer meu surfe e veio a nota 10". Na época, Knox, então com 38 anos, se rendeu ao talento brasileiro: "Estava indo bem, mas aí entrei na 'Medina Airlines'", brincou.

FINAL CONTRA JULIAN WILSON

Na final, reencontrou Julian Wilson, um eterno rival nos tempos de divisão de acesso (WQS). Na decisão, o australiano, cinco anos mais velho, liderava a bateria e até teve a chance de abrir uma larga vantagem no placar, o que dificultaria para o brasileiro, mas cometeu um erro e caiu na onda.

Gabriel, então, viu uma possibilidade de virada e, como já disse, tudo conspirou a seu favor. Nos instantes finais, teve apenas uma oportunidade: dropou a onda e surfou de maneira impecável. Charles, tão confiante do desempenho, invadiu o mar antes de a nota sair para comemorar a vitória do filho.

"Consegui chegar na final e enfrentei Julian... Precisava de uma nota alta na final da bateria e consegui tirar. Foi minha primeira vitória no WCT, foi demais”, disse o surfista, que venceu na época por 17 a 16,10.

EM BUSCA DE NOVOS MEDINAS

Gabriel está construindo o seu instituto, o Instituto Gabriel Medina, para atender jovens talentos e prepará-los física e tecnicamente para se destacarem no surf usando a mesma metodologia aplicada nele.

A construção está sendo feita com recursos próprios, e usará a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), do Ministério do Esporte, para captar parceiros para manter a iniciativa. Além dessa iniciativa, Gabriel também está patrocinando um circuito em Maresias, que leva o seu nome, o Circuito Medina/ASM 2016, para selecionar os novos valores, tendo passagens para a Califórnia como premiação.

"Sinto-me orgulhoso com isso. Estou devolvendo um pouco do que o surfe me deu. Quero dar oportunidade e buscar o melhor de cada moleque. Talvez alguns não saibam que tenham esse dom. Quero estar presente, dividir um pouco da minha experiência no dia a dia, junto com o meu pai, e ajudando a revelar novos talentos", completou.

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