Esporte

Melhor amigo brasileiro e filho da Meca do surfe: quem é o novo campeão

Guilherme Dorini

Do UOL, em São Paulo

25/10/2016 12h00

A promessa virou realidade. John John Florence provou nesta temporada, sua sexta na elite do surfe, por que é considerado há anos um dos surfistas mais talentosos da nova geração. O havaiano conquistou seu primeiro título mundial com uma etapa de antecedência, deixando para trás grandes nomes do esporte e tem tudo para entrar para a história da modalidade. Mas, afinal, quem é John John Florence?

John Alexander Florence, 24 anos, nasceu na costa norte da ilha de Oahu, no Havaí, tendo como "quintal" as ondas da famosa Banzai Pipeline, considerado um dos picos mais perfeitos do mundo. E crescer na meca do surfe mundial foi fundamental para desenvolver suas habilidades dentro do mar.

Incentivado pela mãe, John John, como é conhecido, sequer se lembra da primeira vez em que subiu em uma prancha. Situação natural, já que tinha apenas seis meses de vida e ia de “carona” no longboard da mãe. Aos cinco, já entrava no mar por conta própria. "Não me lembro quando comecei a surfar, acho que desde que me lembro como gente. Minha mãe nos colocava na água desde que éramos bebê."

FAMÍLIA: A BASE DE TUDO

Reprodução
John John (esq.), os irmãos Nathan e Ivan e a mãe Alexandra Imagem: Reprodução

John John, apelido dado por sua mãe, é o irmão mais velho de três filhos de Alexandra Florence, mãe solteira que precisou criar três crianças na ilha de Oahu, no Havaí, sem nenhuma ajuda do pai. Além do agora campeão mundial, ela ainda teve Nathan e Ivan Florence, 22 e 20 anos, respectivamente.

Reprodução
Alex Florence com os três filhos no Havaí Imagem: Reprodução

"Nós praticamente vivíamos aqui na praia. Eu era sozinha e não tinha dinheiro para uma babá. Então simplesmente ia para a praia com eles e ficávamos o dia inteiro, até todos ficarem bem cansados”, lembrou Alexandra em uma série de televisão que conta a história de John John.

John desde cedo era visto como uma figura paterna para sua família e um pai para os irmãos mais novos. Desde jovem começou a sustentar sua família graças ao seu talento em cima das pranchas. Ele já acumulou mais de US$ 1,5 milhão (R$ 4,7 milhões) com premiação em toda sua carreira, sem contar o dinheiro de patrocinadores pessoais. "Ele vem sendo o chefe da casa já faz um tempo. Ele sempre me ajudou muito a cuidar dos irmãos, é carinhoso, atencioso, se preocupa com eles", completou Alex.

Vans / Divulgação
Ivan, John e Nathan Florence Imagem: Vans / Divulgação

John sabe de sua responsabilidade como irmão mais velho, mas também valoriza a amizade e parceria que possui com os dois. "Ter crescido com dois irmãos foi a melhor coisa. Ambos são meus melhores amigos. A gente surfa e brinca junto o tempo todo, todos os dias, desde quando éramos pequenos. Eu me lembro quando meus irmãos começaram a poder surfar sozinhos, fiquei amarradão porque passei a ter companhia para surfar comigo", conta John John, que ainda dá crédito ao seu bom desempenho dentro do mar para os dois.

"A gente sempre incentiva um ao outro quando as ondas estão grandes. Quando vejo um deles pegando uma grande, fico com vontade de pegar uma ainda maior."

KIRON JABOUR E JOHN JOHN: AMIZADE VERDADEIRA

Reprodução
John John e Kiron Jabour quando eram crianças no Havaí Imagem: Reprodução

Além de Nathan e Ivan, três outros surfistas fazem parte da "turma de John John" no Havaí. São eles: Koa Rothman, Eli Olson e o brasileiro naturalizado havaiano Kiron Jabour.

Filho do surfista João Mauricio Jabour, Kiron, eleito pela revista Surfer em 2008 como um dos 20 maiores talentos com menos de 18 anos no mundo, nasceu no Brasil, mas mudou-se cedo para o Havaí com a família, onde moram e representam a bandeira havaiana em competições.

Jeremiah Klein / Surfline
Kiron e John John em Pipeline Imagem: Jeremiah Klein / Surfline

John e Kiron se conheceram muito pequenos e, desde então, não se separaram mais. "Não sei há quanto tempo conheço John John, provavelmente desde que eu era bem pequeno. Provavelmente quando eu tinha quatro anos, talvez cinco... Realmente não sei”, disse Kiron em um dos episódios do programa sobre a vida do talento havaiano.

"Nós surfamos juntos todos os dias, sem exceção", diz Florence. "Sempre acabamos juntos. Ou estamos lá em casa, ou surfando em Pipeline. Independentemente do que estamos fazendo, estamos sempre juntos, somos muito unidos.”

"Eu cresci surfando com ele a minha vida inteira. Basicamente crescemos aprendendo a surfar ondas grandes juntos. Surfávamos ondas que talvez não deveriam ser surfadas na nossa idade. Pegávamos ondas enormes fechando na baía e tomávamos várias na cabeça”, completou Kiron.

O brasileiro ainda tentou dar algumas aulas de português para John John. Tudo em vão. Em um dos episódios, o havaiano diz que o amigo é seu professor de português, mas admite: não aprendeu muita coisa. “Ele não me ensinou nada. Eu peço para ele só falar em português comigo, mas dura no máximo 20 minutos”. E o que o atual campeão mundial sabe na nossa língua? “Só algumas coisas como Macaco, obrigado, tudo bem e valeu”, tenta pronunciar com um sotaque gringo.

ESTREIA NO WCT, VITÓRIAS NO BRASIL E EDDIE AIKAU

Divulgação / WSL
John John, em 2008, durante sua estreia na elite do surfe mundial Imagem: Divulgação / WSL

John John estreou no Circuito Mundial de Surfe (WCT) em 2008, com apenas 16 anos, na última prova da temporada, no Havaí. Não foi muito bem, sendo eliminado no segundo round para Kieren Perrow, hoje comentarista da Liga Mundial de Surfe (WSL). Entrou para a elite do esporte, de fato, em 2011, mas terminou apenas na 34ª posição do ranking, tendo seu melhor resultado um quinto lugar, de novo em Pipeline.

Kirstin Scholtz/WSL
John John venceu pela 1ª vez no Rio Imagem: Kirstin Scholtz/WSL

No entanto, foi em 2012 que o jovem talento começou a desabrochar. Na terceira etapa do Mundial daquele ano, no Rio de Janeiro (mais uma ligação com o Brasil), ele brilhou. Depois de superar nomes importantes do esporte, como Josh Kerr e Taj Burrow, bateu Joel Parkinson na decisão, que seria campeão mundial neste ano, para vencer pela primeira vez na carreira uma etapa da elite. Terminou em quarto lugar no ranking desta temporada.

Em 2013, ele sofreu com lesões e não teve o desempenho esperado, terminando o WCT apenas na décima posição. No ano seguinte, com uma temporada mais regular, até venceu a etapa da França e ficou na terceira posição no ranking, mas viu Gabriel Medina, um dos grandes rivais de sua geração, levar o caneco. No ano passado, lesões voltaram a atrapalhar John John, que perdeu duas etapas seguidas e acabou apenas no 14º lugar no ranking geral. 

Em 2016, antes do título, ainda teve um outro capítulo especial na vida do havaiano. Ele foi convidado para participar do tradicional Eddie Aikau, tradicional competição no Havaí que só é realizada quando as ondas passam de 20 pés (mais de seis metros). Depois de seis anos sem condição para acontecer o evento, ele não só participou como foi o campeão, entrando para a história do surfe (veja o vídeo abaixo).

Neste ano ele também se consolidou como um xodó dos brasileiros ao vencer, mais uma vez, a etapa brasileira do WCT. Depois de eliminar Adriano de Souza, então campeão mundial, na semifinal, o havaiano não teve trabalho para superar o novato Jack Freestone e levar a taça, ganhando ainda mais pontos com a torcida brasileira. 

SUCESSO FORA DO MAR

Reprodução
Filme lançado por John John Florence em dezembro de 2015 Imagem: Reprodução

Além de uma série sobre sua vida já citada aqui, televisionada no Brasil pelo Canal Off, John John ainda acumula diversos filmes nas telonas. Garoto-propaganda global da Hurley desde 2013, ele já protagonizou diversas produções da marca. A mais impressionante é View From a Blue Moon, filmado todo em 4K e produzido pelo próprio havaiano ao lado de Blake Vincent Kueny (veja o trailer no topo da matéria).

No filme, lançado em dezembro do ano passado, estima-se que foi gasto US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões), o mesmo que é preciso para se patrocinar uma etapa do Circuito Mundial de Surfe (WCT). Segundo o site americano Surfline, foram necessárias mais de duas mil horas de edição para fechar 59 minutos de filme. Ainda foram utilizados seis helicópteros, em seis locações diferentes, um drone e um avião. Dizem que John John quebrou entre 60 a 70 pranchas, e aproximadamente 70 voos foram reservados para viabilizar as gravações.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Mais Esporte

Topo