Esporte

Ele foi ator da Globo; hoje tenta ser tri mundial de stand up paddle

Guilherme Dorini

Do UOL, em São Paulo

11/02/2017 04h00

Ele brilhou nas telinhas e até estampou capas de revistas internacionais, mas a paixão pelo mar foi maior do que tudo. Caio Vaz, 23 anos, foi ator da Globo e ganhou uma fama repentina, mas, mesmo assim, não conseguiu se afastar das ondas. O surfista brasileiro participou de vários campeonatos de pranchinha, mas foi no stand up paddle (SUP, prancha com remo) que se ele se firmou. Hoje, ele é bicampeão mundial da modalidade e vai em busca do terceiro título na temporada que se inicia neste sábado (11), na ilha de Oahu, no Havaí.

Natural do Rio de Janeiro, Caio começou a dar suas primeiras remadas entre os cinco e seis anos, já que seu pai era surfista e o empurrava nas marolinhas. Aos 11, já treinava com Caio Monteiro, que na época liderava a equipe carioca e brasileira nos principais campeonatos amadores.

SUCESSO NA TV E NAS REVISTAS

Reprodução
Caio Vaz na capa da revista londrina i-D Imagem: Reprodução

Enquanto já participava de algumas competições regionais e nacionais, uma outra experiência mudou sua vida. "Minha mãe tinha um restaurante e um booker me viu e sugeriu que eu fizesse algumas fotos para uma agência", contou Caio em entrevista ao UOL Esporte.

Na época, no entanto, ele não sabia que o profissional era Serginho Mattos, da agência 40 Graus, uma das mais conceituadas do Rio. "Fiz as fotos e deu uma bombada. Consegui ganhar um dinheiro, fui para Nova York fotografar e fiquei amarradão. Tinha 11, 12 anos naquela época", acrescentou. Em seu currículo, Caio acumula editoriais na revista Vogue Paris e Brasil, além de ter saído na capa da revista londrina i-D.

Reprodução
Surfista brasileiro (ao fundo) em campanha na Vogue Brasil Imagem: Reprodução

Aos 14, Caio, que já fazia teatro por vontade própria, fez um teste para uma novela na TV Globo, e acabou aprovado. "Depois desses trabalhos, todo mundo começou a me falar que meu lugar era na televisão. Curtia pra caramba fazer teatro, mas nunca fui aquele aluno exemplar, sempre era o último a ser escolhido. Fiz alguns testes até chegar esse. O personagem era a minha cara, então foi maneirão, conheci uma galera bacana, fui muito legal", contou.

Caio fez parte do elenco de "Três Irmãs", novela exibida pela Globo entre 2008 e 2009. Na trama, ele interpretava Thor, filho mais velho de Sandro (Marcello Novaes) e Liginha (Malu Galli), um surfista que conhecia a Praia Azul como ninguém. Ele ainda tinha Zig (Bruno Leone) e Caramirim (Paulinho Vilhena) como irmãos e namorava Mel (Estrela Blanco).

Reprodução/TV Globo
Caio Vaz em ação na novela "Três Irmãs" Imagem: Reprodução/TV Globo

"Fui uma época curiosa. A visibilidade que ganhei foi uma coisa assustadora na época. Bem diferente do que vivo hoje, mesmo sendo campeão mundial. Foi muito diferente, era reconhecido nas ruas e nunca tinha vivido isso. Eu era o 'cara da novela'. Foi maneiro, diferente de tudo que já tinha vivido", lembrou.

Depois chegou a fazer um filme, que misturava surfe com romance, e até foi chamado para outra novela global, mas, pelas viagens de campeonatos, decidiu abandonar a carreira nas telinhas para se dedicar exclusivamente ao surfe.

"Hoje estou muito focado na minha carreira profissional. Até pintou um lance ano retrasado para participar da Boogie Oogie (novela das 7), mas ia ter que deixar de viajar. Até topei, mas disse que precisava viajar nas janelas do campeonato, então acabou não rolando", contou.

DA PRANCHINHA AO PRANCHÃO

Ryan Heywood
Caio Vaz é o atual campeão mundial de Stand Up Paddle Imagem: Ryan Heywood

Caio ainda surfa de pranchinha, mas, hoje em dia, sua vida gira em torno do stand up paddle, que conheceu ainda garoto. "Até sonhava em investir na pranchinha, mas toda minha turma já estava virando profissional e eu, na época da novela, acabei ficando para trás. Comecei no SUP em um verão do Rio com ondas muito pequenas, mais como uma brincadeira, mais para passear. Depois, começamos a tentar manobrar o pranchão. O esporte estava bem no início aqui no Brasil, quase não existia competidores", disse.

Arquivo Pessoal
Vaz também se arrisca em ondas gigantes Imagem: Arquivo Pessoal

A mudança na cabeça de Caio aconteceu com um "empurrão" de seu irmão, Ian, que também é profissional e o acompanha no SUP (veja vídeo no topo da matéria). "Meu irmão ganhou um patrocínio, pranchas e começou a competir. Foi isso que me incentivou a começar a competir também. Começamos no carioca, fechamos mais patrocínios, fomos para o Campeonato Brasileiro e, em 2011, corri pela primeira vez no mundial, já no Havaí", recordou Caio.

De lá para cá, o brasileiro só cresceu: foi vice-campeão mundial em 2013 e 2014 e, na sequência, alcançou o auge. Em 2015 e 2016 não deu chance aos rivais e consagrou-se bicampeão mundial da modalidade.

Diferente das competições de Gabriel Medina, Adriano de Souza e Filipe Toledo, o Mundial de SUP é organizado pela APP (Association of Paddlesurf Professionals) e, nesta temporada, será composta por sete etapas. Além da primeira, que acontece neste sábado, no Havaí, o torneio ainda terá provas na Espanha, Alemanha, China, Japão e duas nos Estados Unidos.

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