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Brasil ou Havaí? Fim de semana de ondas gigantes faz a festa de surfistas

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Big rider Marcos Monteiro pega onda gigante na Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha Imagem: guilherme_duarte_

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

06/03/2018 17h54

A previsão era animadora, e as ondulações corresponderam, com louvor, às expectativas criadas pelos surfistas de ondas grandes. Alguns lugares do Brasil – como Fernando de Noronha e Urca do Minhoto, próximo ao Rio Grande do Norte – receberam um swell épico no último fim de semana e viraram palco de um verdadeiro espetáculo proporcionado pela natureza e pelos surfistas, que pegaram altas ondas e fizeram a festa não só deles, mas também dos fotógrafos.

Presença constante no arquipélago de Pernambuco, Marcos Monteiro foi um dos destaques da sessão. Ao UOL Esporte, o big rider contou detalhes das ondas épicas que atingiram Fernando de Noronha, e disse que ‘nunca viu nada nem parecido com esse swell’.

“O swell foi mega, destruiu quiosques e derrubou coqueiros na praia da Conceição. O objetivo era Cacimba. Já cheguei no pico pegando uma bomba perfeita para abrir a caída, aproveitei a maré seca pegando algumas boas, mas minha [prancha] 8'6" parecia um papel. Na maré cheia parou de bombar a terceira laje e fui ao barco. Voltei para a água com o Paulo Moura e logo entrou uma bomba de maré cheia enorme, com muita pressão”, recorda.

“Peguei uma que fechou e achei que não ia entrar de volta por causa das bombas que tomei na cabeça, mas o mar se abriu para mim e percebi que eu estava sozinho essa hora, pois o Moura tinha pego uma onda também e saiu do mar. Terminei o dia com essa caída de mais de duas horas sem ninguém no mar e com algumas bombas surfadas. Já vou a Noronha desde 2009, essa é a nona vez que vou para lá, a maioria delas atrás dos grandes swells, porém nunca vi nada nem parecido com o que vi nesse swell. Inclusive, relatos de surfistas antigos e pescadores nativos confirmam que esse foi, se não o maior, o mais potente swell da história recente de Noronha”, acrescenta.

Nunca vi nada nem parecido com o que vi nesse swell" (Marcos Monteiro)

Um dos big riders mais renomados do Brasil e do mundo, Pedro Scooby fretou um jatinho com amigos para chegar a tempo em Noronha e não perder a sessão. E valeu a pena: “Na semana passada eu estava aqui no Rio olhando o swell, ia ser um swell histórico, e eu fiquei na dúvida em ir lá para a Urca ou ir para Noronha, mas aí resolvi ir para Noronha, tenho vários amigos lá. Não só pelo swell, mas o lugar é diferenciado, um dos lugares mais bonitos do mundo. E aí, quando fui ver o voo, triste notícia: não tinha voo. E a única forma era fretar um jatinho. Eu fui, deu tudo certo, pegamos altas ondas", disse Scooby, lembrando ainda que nem tudo foi alegria neste swell.

Não foi só o tamanho do mar; foi o mar junto com a maré de Lua. Foi um swell animal, histórico" (Pedro Scooby)

"Para algumas pessoas de lá foi triste, especialmente para o Duda Rei, que é um bar antigo da Conceição, o mar levou o bar inteiro. Acho que foi o mar que as pessoas morando há 50 anos em Noronha não tinham visto. Não foi só o tamanho do mar; foi o mar junto com a maré de Lua. Mas passaram dois dias e já estava tudo lindo de novo, água cristalina, maior paraíso. Foi um swell animal, histórico”, completou em entrevista ao UOL Esporte.

Outro que marcou presença em Noronha, o baiano Roberto Vieira contou nas redes sociais a luta que travou com o enorme mar da Cacimba do Padre para conseguir a onda que chamou de ‘uma das maiores que já surfou no Brasil’: “Dia histórico na Cacimba do Padre e para o big surfe brasileiro. Não há registro de um dia de surfe como esse de hoje em Fernando de Noronha! Três horas de luta para pegar minha bomba que foi uma das maiores que já surfei no Brasil”.

Urca do Minhoto clássica com até 5 metros

E se em Fernando de Noronha as ondas chegaram a até quatro metros, uma laje localizada na costa do Rio Grande do Norte, chamada Urca do Minhoto, recebeu morras de até cinco metros em condições praticamente perfeitas. O carioca Pedro Calado, grande nome do big surfe mundial, comparou as ondas do local com as dos principais picos de surfe do mundo, como Indonésia, Taiti e Havaí, e expressou em palavras o que sentiu na sessão.

“Olhando essa foto, até parece que estou em algum pico da Indonésia, Tahit ou até mesmo no Hawaii... Mas não, isso aconteceu no Brasil!!!! Mais especificamente no Rio Grande do Norte. Essa onda deixa qualquer surfista de cabelo em pé, ela tem todos os quesitos de uma onda internacional, ela é perfeita, tubular e grande”, disse em sua conta no Instagram.

“De todas as previsões que eu já olhei, essa onda é umas das mais difíceis de saber se vai rolar bom, pelo fato do pico estar bem aonde o vento faz a curva, o RN é considerado um dos lugares que mais venta no mundo, então dá para imaginar porque é tão difícil de acertar um dia desse. Obrigado a todos que fizeram parte desse dia”, agradeceu o surfista.

O tricampeão mundial de windsurfe, Kauli Seadi, postou vídeo de um momento épico em que é puxado por um jet-ski (modalidade chamada tow-in) para surfar uma enorme direita: “Hoje rolou novamente a nossa mágica onda oceânica #urcadominhoto foi clássico para townin”.

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