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Medina é premiado por regularidade e mais uma vez faz história no surfe

Divulgação/WSL
Gabriel Medina é festejado por torcedores em Pipeline Imagem: Divulgação/WSL

Gustavo Setti

Do UOL, em São Paulo

2018-12-17T21:00:45

17/12/2018 21h00

Gabriel Medina voltou a fazer história. Depois de se tornar o primeiro brasileiro a alcançar tal feito em 2014, ele agora também se coloca como o único surfista do Brasil a ser bicampeão do Circuito Mundial de Surfe (WCT).

O título conquistado nesta segunda-feira (17) ao chegar à final em Pipeline (Havaí) ainda encerra uma sequência de anos no "quase". Em 2018, o brasileiro começou a temporada com um resultado ruim, mas depois teve desempenho muito regular e venceu duas etapas. A principal diferença para os anos anteriores, quando bateu na trave, foi justamente a regularidade ao longo da temporada.

Desde 2015, ele vinha brigando pelo bi, mas sempre era prejudicado pelos resultados ruins nos inícios dos anos. Isso mudou em 2018, quando ainda estreou com queda precoce no round 3 em Gold Coast (Austrália), mas foi bem mais consistente nas etapas seguintes e, como já virou rotina nas últimas temporadas, disparou na segunda metade do ano com duas vitórias seguidas no Taiti e no Surf Ranch (EUA) e outras duas semifinais (França e Portugal) nas últimas quatro etapas antes de Pipeline. No fim, Medina foi premiado com seu segundo título e ainda venceu a etapa havaiana.

A campanha regular do agora bicampeão pesou contra os outros brasileiros que se destacaram neste ano. Filipe Toledo, que também venceu duas etapas em 2018 e chegou a liderar o ranking, viu suas chances de título diminuírem após amargar resultados ruins na França e em Portugal. Ele deu adeus à disputa com eliminação no round 3 em Pipe. Enquanto Ítalo Ferreira teve três conquistas na temporada, mas a instabilidade em outras etapas fez com que o potiguar chegasse na última etapa já fora da briga.

Medina iguala rival havaiano

REUTERS/Rafael Marchante
John John Florence é bicampeão Imagem: REUTERS/Rafael Marchante

A conquista de Medina também acentua ainda mais a maior rivalidade da atual geração no surfe. O surfista de Maresias estreou no Circuito em 2011, assim como o havaiano John John Florence. Já naquela época, os dois eram vistos como as maiores promessas para o futuro do esporte, então dominado por nomes como Kelly Slater, Mick Fanning e Joel Parkinson.

O brasileiro foi o primeiro a encontrar o caminho para o título e se sagrou campeão mundial em 2014. Na temporada seguinte, chegou em Pipeline para a última etapa com chances do bi, mas viu seu compatriota Adriano de Souza levar o caneco. A situação foi diferente em 2016, quando John John dominou a temporada e igualou Medina ao conquistar o título com uma etapa de antecedência, em Portugal. Já em 2017, a rivalidade entre eles ficou mais evidente. 

O havaiano começou a temporada melhor que o brasileiro e parecia encaminhar o bicampeonato consecutivo de forma tranquila, mas o surfista de Maresias reagiu na segunda metade da temporada e levou a decisão para Pipeline. John John tinha a vantagem na última etapa e confirmou a conquista após eliminação de Medina nas quartas de final.

A rivalidade entre os dois nos últimos anos nunca foi marcada por provocações ou polêmicas. De origens diferentes e com estilos distintos dentro d'água, o brasileiro e o havaiano protagonizam uma disputa saudável, diferente do que era visto antigamente entre Slater e o havaiano Andy Irons, antigos desafetos que depois viraram amigos. O onze vezes campeão mundial falou sobre os perfis de Medina e John John em Pipe no ano passado e admitiu que a disputa entre eles poderia ser mais intensa.

"Seria uma pena se eles quisessem a mesma garota, sabe? Talvez até fosse melhor, aí seria uma rivalidade realmente boa mesmo", disse Slater na época.

Agora bicampeão, Medina iguala John John, mas faltou o embate direto de 2017. Afinal, o havaiano lesionou o joelho em maio após um começo de ano apagado e não competiu mais em 2018. Com duas conquistas para cada lado, a expectativa é para ver como os dois voltarão em 2019. Só resta esperar os próximos capítulos da rivalidade.

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