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Ela bebia, fumava e brigava por liberdade. E virou uma lenda do tênis

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Suzanne Lenglen fez balé quando menina e por isso era elogiada por seu charme jogando Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

2015-05-22T06:00:00

22/05/2015 06h00

Hoje ela dá nome à segunda quadra mais importante do complexo de Roland Garros e é reverenciada pelos amantes de tênis, mas Suzanne Lenglen ficou conhecida em sua época como uma rebelde, uma estrela esportiva que brigava pela liberdade. A francesa ganhou mais de 200 títulos e perdeu apenas sete vezes. Mas, mais do que isso, fez o mundo respeitar as mulheres no tênis.

Suzanne dominou os campeonatos entre 1919 e 1926. Aos 15 anos, quatro depois de dar sua primeira raquetada no fundo de sua casa, venceu o torneio apontado como o precursor de Roland Garros. A Primeira Guerra Mundial paralisou o circuito, mas o retorno foi ainda mais triunfal: em 1919 conquistou Wimbledon em sua primeira participação, vencendo a então heptacampeã Dorothea Chambers.

Nessa época, a fama de Suzanne se espalhou da França para o mundo. E não foi só o lado tenista. As saias mais curtas e a faixa no cabelo viraram sua marca registrada. Beber conhaque em quadra, fumar e namorar sem ceder aos rígidos costumes daquele tempo fizeram dela um ícone social.

Sua relação com os organizadores dos eventos era de amor e ódio. Amor porque ela atraía milhares de espectadores e era garantia de espetáculo. E ódio porque suas exigências eram incomuns na época. Uma delas, talvez a mais famosa, era a de não jogar antes das 12h. A francesa queria descansar depois de ir dormir tarde.

Também foi na base da rebeldia, deixando claro seu ponto de vista, que Suzanne se tornou profissional, num tempo em que todos os torneios eram amadores. Para disputá-los, era preciso estar ligado a algum clube de tênis. Os prêmios ficavam praticamente só com os clubes. Os tenistas pouco lucravam.

“Para mim, é uma fuga do cativeiro e da escravidão. Ninguém mais pode me dar ordens para jogar torneios em benefício dos donos dos clubes”, disse ela, na época, à Associated Press, comemorando as exibições que faria dali em diante. “Ganhei muito dinheiro para os clubes, gastei muito com taxas de inscrição e não tenho quase nada”, acrescentou.

Antes da despedida, no entanto, ela aceitou disputar um jogo histórico com Helen Wills, norte-americana de 19 anos que repetiria nas temporadas seguintes o sucesso de Suzanne. Contrariando seu pai, a francesa encarou (e venceu) Helen Wills em Cannes diante de sete mil pessoas amontoadas ao redor de uma quadra em um hotel, segundo relatos da época.

Suzanne se aposentou em 1927, um ano antes de o complexo de Roland Garros ficar pronto. Sua morte foi tão intensa quanto sua carreira. Em junho de 1938, foi divulgado que ela tinha leucemia. Semanas depois, já cega, ela morreu aos 39 anos.

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