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Ex-técnico: Apostas com meninos mais velhos moldaram uma nº 1 no tênis

Jason Szenes/EFE
Caroline Wozniacki em ação pelo Aberto dos Estados Unidos; ex-técnico rasgou elogio à tenista Imagem: Jason Szenes/EFE

Gustavo Franceschini

Do UOL, em Kolding (Dinamarca)

2015-12-13T06:00:00

13/12/2015 06h00

Se conseguiu atingir a liderança do ranking mundial em algum momento da carreira, a dinamarquesa Caroline Wozniacki deve o feito a uma carga de treinos pesada, que incluía jogos constantes contra meninos mais velhos. O organizador desses duelos era o pai da atleta, que apostava contra a própria filha para fortalecer seu jogo. Quem conta isso é Mikkel Norby, que durante quase dez anos trabalhou como técnico da ex-número 1 do tênis feminino.

“Ela já era uma pessoa incrível aos dez anos de idade, quando eu a conheci. O pai dela também é muito especial, estava sempre pensando em maneiras de fazê-la treinar melhor. Ele pagava US$ 200 para os meninos mais velhos ganharem dela e eles a detonavam. Fez isso até com o filho, irmão mais velho da Caroline. Até que um dia ela passou a vencer”, conta o treinador, hoje no comando de um clube de tênis em Copenhague.

Mikkel Norby conheceu Wozniacki na juventude e trabalhou diretamente com ela dos 10 aos 20 anos de idade da tenista, que chegou a liderar o ranking da WTA (Associação de Tenistas Profissionais) em 2010 - foi a primeira escandinava a conseguir o feito. Ex-coordenador da Federação Dinamarquesa de Tênis, ele tem uma visão bem clara da ex-pupila, com quem ele mantém boa relação.

“Caroline é única. A Dinamarca é um país rico, mas a estrutura do tênis ainda não é boa. Não temos tantas quadras fechadas e o nível dos torneios locais também não acompanha o dos principais países. Caroline superou tudo isso do jeito dela”, disse Norby, que vê muitos méritos no pai dela, Piotr, um imigrante polonês, ex-jogador de futebol, de que sempre incentivou a filha.

“Ele fazia coisas na quadra. Para que ela subisse mais à rede, por exemplo, ele colocava cordas esticadas no fundo da quadra, para ela não poder recuar. Ele estava realmente aberto a técnicas diferentes. Ele a acordava no meio da noite para fazer treino físico porque entendia que ela sempre deveria estar pronta. Tentou diferentes coisas psicológicas, sempre tentando melhorar o desenvolvimento dela”, disse Norby.

E apesar de todo esse esforço, Wozniacki ficou marcada por não confirmar o potencial em grandes competições. Embora seja uma das tenistas mais conhecidas dos últimos anos, ela nunca venceu um Grand Slam na carreira e sempre acumulou derrotas seguidas para suas maiores rivais, como Serena Williams, Maria Sharapova e Kim Clijsters. Para Norby, tudo absolutamente normal.

“Eu acho que ela teve uma performance acima do que podia se você pensar o nível dela. Ela bateu gente importante e do jeito dela, mas sempre teve dificuldade com as melhores. Em um dia em que a Serena estiver no melhor dela, mesmo que ela também esteja, eu não a vejo vencendo”, diz Norby.

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