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Por que vencer a Copa Davis é uma obsessão para a Argentina

 AFP PHOTO / Andy Buchanan
Imagem: AFP PHOTO / Andy Buchanan

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

24/11/2016 06h00

A partir das 11h desta sexta-feira, Argentina e Croácia começarão a decidir em Zagreb o título da edição de 2016 da Copa Davis.

Ganhar a competição é uma obsessão para os argentinos e isso pode ser medido pela cobertura da imprensa local. Durante toda esta semana, os principais jornais do país (Clarín, La Nación e Olé) têm dedicado grande espaço em suas coberturas ao encontro.

No site do Olé, inclusive, a final da Davis vem recebendo destaque maior do que o dado ao futebol e a clubes como Boca e River. A TV Pública - canal aberto - transmitirá a série inteira para todo o país.

A final é tão importante para o orgulho argentino que Diego Maradona confirmou que estará presente na Arena de Zagreb para apoiar a equipe formada por Juan Martín del Potro, Federico Delbonis, Guido Pella e Leonardo Mayer.

Além disso, são esperados entre 3 mil e 4 mil torcedores, muitos deles que cruzarão o Atlântico.

"A Davis é uma obsessão para os argentinos porque a Argentina já teve muitas possibilidades de ganhar e nunca conseguiu. Além disso, teve e tem excelentes de primeiro nível como (Guillermo) Vilas, (José Luis) Clerc, (Guillermo) Coria, (Gastón) Gaudio, (David) Nalbandián e (Juan Martín) del Potro. Por isso existe a cobrança da torcida para ser campeão do mundo, diferentemente por exemplo do que acontece no rúgbi. Os Pumas nunca tiveram jogadores de primeiro nível", analisou Sebastían Torok, jornalista do La Nación que está em Zagreb para cobrir a decisão. 

"Temos campeões de Grand Slam, temos medalha olímpica, mas não temos a Davis. Falta isso para nosso tênis. Os argentinos são muito apaixonados para torcer e a Davis mexe muito com este sentimento", completou Torok.

Em cinco tópicos, o UOL Esporte mostra o porquê da obsessão argentina pela Davis

Tênis só fica atrás do futebol em popularidade no país

A modalidade é a segunda mais jogada no país, com um número estimado de 1,5 milhão de praticantes em academias e escolinhas. Reportagem do La Nación em 14 de novembro mostrou um "boom" na procura por aulas, impulsionada pela classificação à final da Copa Davis e a medalha de prata conquistada por Juan Martín del Potro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

País tem até estádio fixo para a Copa Davis

Na zona sul de Buenos Aires, no bairro de Villa Soldati, colado ao autódromo, fica o Parque Roca, a solidificação do interesse argentino pelo tênis. Erguido há exatos dez anos, tem capacidade para 14.500 espectadores e é um orgulho para os argentinos que se gabam de ter o maior estádio do mundo fixo para a Copa Davis. Custou US$ 16 milhões dos cofres públicos e está à espera da inauguração de um této retrátil que vai custar mais US$ 8 mi.

A grande conquista que falta para o esporte argentino

Entre os esportes mais populares no país (futebol, tênis, basquete, boxe e automobilismo), a Argentina já fez campeões mundiais em todos eles. A Davis é a Copa do Mundo do tênis e a joia que falta na coroa do esporte argentino.

Finais perdidas estão entaladas na garganta

A tradição da Argentina na Copa Davis é enorme. Já foram quatro finais disputadas e quatro finais perdidas. A primeira delas foi no ano de 1981, quando caiu fora de casa ante os Estados Unidos por 3 a 1.

Em 2006, uma queda dura. Perdeu para a Rússia fora de casa por 3 a 2 com uma derrota de José Acasuso para Marat Safin na última partida.

Porém nenhuma queda é tão dolorosa quanto a ocorrida na decisão de 2008. Atuando em casa, no piso duro, contra uma Espanha que não contava com Rafael Nadal, a Argentina acabou derrotada por 3 a 1.

Em 2011, novo revés para a Espanha por 3 a 1 fora de casa. Desta vez, porém, os ibéricos eram os favoritos para ficar com a taça.

Com quatro derrotas em finais, a Argentina é o país que lidera esta estatística negativa.

Redenção definitiva de Del Potro

O ano de 2016 tem sido especial para Del Potro. Marcou seu retorno às quadras após um ano afastado por causa de cirurgia no punho. E o retorno ocorreu em grande estilo. Foi vice-campeão olímpico, ganhou o ATP 250 de Estocolmo e foi eleito pela ATP o jogador com a maior reviravolta da temporada.

Del Potro também retornou ao time argentino da Davis após uma ausência de quatro anos por causa de problemas de lesão e também de relacionamento ruim com os antigos capitães da equipe e a federação local.

Ele atuou nas vitórias sobre a Itália (quartas de final) e o Reino Unido (semifinais).

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