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Vestido comprado na web vira amuleto para Halep buscar sua maior glória

Peter Parks/AFP
Simona Halep usou o vestido durante os seis jogos em Melbourne Imagem: Peter Parks/AFP

Do UOL, em São Paulo

26/01/2018 15h00

Atual número um do mundo, finalista do Aberto da Austrália e a caminho do auge na carreira. Simona Halep entra em quadra neste sábado, a partir das 6h30 (de Brasília), para enfrentar a dinamarquesa Caroline Wozniacki em busca de seu maior título com um vestido que comprou pela internet. E sem o logotipo de nenhum patrocinador.

A história, improvável para um esporte que movimenta milhões de dólares, tem como ponto de partida o fim do contrato que a tenista mantinha com a Adidas até dezembro de 2017. Sem pressa para definir um novo fornecedor de uniformes, ela iniciou a temporada improvisando na vestimenta. E mostrou praticidade para se apresentar em Shenzhen e Melbourne.

"Enviei a uma de minhas assistentes uma foto e em menos de 24 horas eu tinha o modelo. É bonito, hein? Comprei na internet, pois tudo está na internet agora", disse a romena antes de estrear no torneio.

O vestido vermelho, com apenas um pequeno contorno preto nas alças e um pequeno detalhe abaixo do braço, pode parecer básico perto de vestimentas formuladas pelas grandes empresas do ramo. Não há logotipos, mas a visibilidade que o assunto ganhou durante a disputa em Melbourne indica que Halep não deve ficar muito tempo sem fornecedor.

Durante o torneio, ela foi questionada outras vezes sobre o assunto e brincou com os resultados positivos que vem obtendo. "Está me dando sorte. Na verdade, vem da China e lá eu sempre consegui bons resultados. Eu me sinto confortável e eu gosto disso, então veremos quanto tempo demora", apontou.

Notícias da imprensa especializada já indicavam, antes mesmo do torneio, que Halep tinha em mãos uma proposta de 1,3 milhões de euros (cerca de R$ 5 milhões) por ano da Nike, 500 mil euros a mais do que o que recebia da Adidas. A romena disse na época que a ascensão em 2017 que a levou ao número um do mundo em outubro a fez exigir um valor maior, mas não houve acordo.

"O meu pessoal está trabalhando para mim sobre essas coisas. Eles estão negociando. Mas a conversa acabou de começar. Eu não tenho contrato agora. Ainda não tenho roupa de marca. Eu só quero me certificar de que vou escolher o que eu gosto - e também a marca que me agrada. É realmente importante ter uma roupa agradável e se sentir bem na roupa. Então não estou correndo. Esperarei para ver o que o futuro me dá", disse.

Um levantamento da Forbes de 2017 mostrou que Halep era apenas a 10ª colocada entre as tenistas em atividade no ranking de mais bem pagas do esporte. A romena tinha uma receita, incluindo patrocinadoras, estimada em 4,9 milhões de euros (cerca de R$ 19 milhões). Situação que deve melhorar com a consolidação no circuito como uma das principais favoritas, mas que ainda deve ficar muito longe da campeã em faturamento, a norte-americana Serena Williams: 21,5 milhões de euros (cerca de R$ 84 milhões).

Vestido da sorte

Thomas Peter/Reuters
Wozniacki tem a Adidas como fornecedora de uniformes Imagem: Thomas Peter/Reuters
Negócios à parte, o vestido de Halep tem se mostrado um amuleto para a romena dentro de quadra. Desde que o estreou, a romena conquistou o título do WTA Shenzhen e ganhou as seis partidas em Melbourne. Duas delas com fortes doses de emoção, na segunda rodada contra a americana Lauren Davis (15 a 13 no terceiro set) e na semifinal contra a alemã Angelique Kerber (9 a 7 na última parcial).

Vice-campeã de Roland Garros em 2014 e 2017, Halep tem a terceira oportunidade de entrar para o grupo de vencedoras de um torneio de Grand  Slam. O duelo contra a dinamarquesa Caroline  Wozniacki também valerá a liderança do ranking, que será nesta segunda-feira, para a campeã em Melbourne.

Mais experiente no circuito, apesar da diferença de apenas um ano (27 anos contra 26 de Halep), Wozniacki também busca seu primeiro título em Grand Slam, apesar de ter 27 de outros níveis da WTA em sua galeria (Halep tem 11). Mas em rendimentos sempre esteve entre as melhores. Tendo a Adidas como fornecedora, a dinamarquesa fatura 5,9 milhões de euros (cerca de R$ 23 milhões) por ano segundo a Forbes.