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Em seu maior título após retorno, Del Potro enaltece Guga: "grande pessoa"

Phillipe Lopez/AFP
Guga entra em quadra para cerimônia de ingresso de Amélie Mauresmo no hall da fama internacional do tênis antes da final feminina em Roland Garros Imagem: Phillipe Lopez/AFP

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

22/03/2018 17h25

No dia em que salvou match point contra Roger Federer e conquistou o Masters 1000 de Indian wells, seu maior título desde a volta ao circuito mundial, Juan Martin Del Potro se derreteu em elogios a Gustavo Kuerten. Ele lembrou a amizade com Guga e ressaltou que não é o único nos vestiários a sentir saudades do brasileiro.

“Quando era criança meus pais ensinaram sobre a vida e o esforço necessário para conquistar o que deseja. Guga é um exemplo perfeito de esforço e conquistas. E ele ainda é uma grande pessoa. Todos adoram o Guga, todos sentem falta do Guga. Eu tenho uma grande relação com ele.”

As palavras não foram para fazer média. A admiração e o carinho de Del Potro são reais e prova disso é que ano passado o argentino convidou Guga para ser seu treinador. O pedido não foi aceito. Kuerten explicou que deseja desenvolver o tênis no Brasil e priorizar a família. Em um trecho da nota divulgada na época escreveu “o que sobra de tempo é dedicado à família, para eu acompanhar o crescimento dos meus filhos”.

Mas ambos são amigos e já fizeram uma partida de exibição em Punta Del Leste em 2012. A admiração de Del Potro se explica porque Guga estava entre os melhores do mundo quando o argentino fazia a transição do juvenil para o profissional. Mas o sentimento não é apenas por causa do desempenho em quadra, tem a ver com a capacidade de envolver a torcida.

“Guga, (Marat) Safin, estes caras fazem a torcida sentir coisas diferentes, sabe? Eu sinto falta de pessoas como eles, nós do circuito sentimos falta”, disse Del Potro na coletiva nos Estados Unidos.

O elogio veio em um momento que o argentino bateu Federer e conquistou o primeiro Masters 1000 de sua carreira e segundo maior título da carreira, atrás do US Open 2009. Mas Delpo não é uma voz isolada em seu país, os argentinos gostam e respeitam bastante Guga desde que ele apareceu para o circuito em 1997 vencendo Roland Garros.

Programas especializados na modalidade passaram a acompanhar e mostrar o brasileiro com muita frequência. As televisões exibiam imagens dele em momentos de lazer, como jogando videogame. Blogs comentavam detalhes técnicos, principalmente da poderosa esquerda, ressaltavam os feitos em quadra e a relação com torcedores, enaltecendo o carisma de Guga.

AP/Darko Vojinovic
Imagem: AP/Darko Vojinovic

Brasileiros adotam Del Potro

Curiosamente o carinho dos argentinos por Kuerten é devolvido com a grande admiração dos brasileiros por Del Potro. A cada vitória dele é comum ler comentários nas matérias de pessoas dizendo ser o único atleta que faz brasileiros torcerem por um argentino. Isto ficou claro nas Olimpíadas, quando muitas pessoas de verde e amarelo acompanhavam os gritos de “Delpo, Delpo, Delpo” puxados por argentinos.

Em outra coincidência entre os dois países, foi justamente neste torneio que Del Potro voltou a encaixar seu jogo. Bateu Djokovic e Nadal e terminou a competição com a medalha de prata. As duas partidas foram consideradas entre as melhores de 2016. O torneio também marcou a volta da confiança de Delpo em seu backhand.

Depois das operações, ele estava duvidando do seu físico e batia somente slices deste lado, um golpe nad a potente. O tenista afirma que a partir do Rio passou a ter mais consistência, colaborando com sua escalada no ranking. O jogador que pensou em encerrar a carreira hoje é o sexto melhor do mundo. Mesmo sem Guga como treinador.

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