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Atletas se despedem de Maria Esther: "Sempre será maior tenista do Brasil"

Fábio Braga/Folhapress
Imagem: Fábio Braga/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

08/06/2018 20h23Atualizada em 09/06/2018 08h09

Falecida aos 78 anos na noite desta sexta-feira (8), em São Paulo, Maria Esther Bueno vai deixar saudade no universo esportivo. Pouco a pouco, os atletas do tênis reagem à morte da lenda da modalidade.

Gustavo Kuerten chamou Maria Esther de "rainha". "Maria Esther Bueno, nossa rainha das quadras. Gratidão, respeito e orgulho eterno a maior estrela do Tênis brasileiro!!! Continuará sempre nos iluminando com suas conquistas inesquecíveis e seu espírito corajoso e inspirador. Descanse em paz e com todo nosso carinho", publicou em seu Instagram. 

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

“Que dia triste. Descanse em paz, querida Maria Esther. O tênis deve muito a você. Nós, tenistas, agradecemos por tudo o que você fez e inspirou”, disse no Twitter o ex-tenista Fernando Meligeni, atual comentarista da ESPN Brasil.

"Nunca fomos grandes amigos, mas você é amigo de quantos gênios do seu esporte ou trabalho? Tinha por muita admiração, muito respeito e gratidão. O que ela fez pelo tênis ninguém fez. Muito mais que amigo, eu era fã de tudo que ela representa", postou Meligeni no Instagram.

"Maria Esther Bueno foi e sempre será a maior tenista do Brasil. Em uma época onde o tênis era jogado entre passos de dança, ela era a melhor dançarina do mundo. Ela flutuava em quadra. Avessa ao marketing pessoal ou ao endeusamento, ela sempre foi tímida, querida e humilde. Seus títulos e as pessoas falavam por ela", acrescentou.

"Hoje perdemos o maior ícone e nome do tênis no nosso país. Mais um gênio esquecido, deixado de lado. Mais uma incrível atleta que não foi reconhecida como merecia. Mais uma atleta mais reconhecida fora do que dentro do nosso país. Maria Esther vai deixar saudade e uma lição. Nossos ídolos precisam ser tratados com muito mais dignidade. Precisamos cultivar mais o reconhecimento e respeitar o passado. Obrigado, Maria Esther. Descanse em paz", encerrou.

reprodução/Twitter
Imagem: reprodução/Twitter

Marcelo Melo foi outro a se manifestar. “Dia triste não só para o tênis brasileiro, mas para o tênis mundial. Que descanse em paz a maior tenista de todos os tempos que já tivemos. Muito obrigado, Maria Esther, por tudo que fez pelo tênis”, publicou no Instagram.

"Hoje é um dia triste para o tênis brasileiro. Praticamente, a maior vencedora do tênis brasileiro. Sempre prestou tudo que pode ao tênis, sempre acompanhando até os últimos dias. Sempre dava força e boa sorte, com energias bem positivas. É um dia triste pro tênis, a gente teve uma grande perda. Eu desejo meus sentimentos à família. O mundo do tênis hoje está de luto em nome da Maria Esther Bueno", completou Melo em áudio enviado à imprensa.

reprodução/Instagram
Imagem: reprodução/Instagram

Bia Haddad falou sobre o falecimento de Maria Esther em um vídeo (veja abaixo). "Acabei de ficar sabendo do falecimento da Maria Esther. Ela sempre foi um ícone no nosso país, que representou da melhor forma possível. Teve resultados brilhantes na carreira, dentro e fora da quadra sempre mostrou muito luta, sempre foi uma pessoa muito boa, fez bem para o esporte. O que eu desejo é muita força para a família neste momento. Sei que não é um momento fácil, mas agora ela vai ser uma estrela torcendo por cada um de nós", disse a tenista, que fez uma projeção.

"Vou tentar da melhor forma possível fazer o meu melhor dentro de quadra para seguir essa luta pelo nosso país. Guardarei todos os momentos que tive com ela, que foram poucos, mas tive a oportunidade de conversar com ela no Rio Open. Desejo tudo de bom para sua família, e vida que segue. Ela está lá nos assistindo agora", completou.

Bellucci foi outro tenista brasileiro a se manifestar. "Ela foi a maior ganhadora de títulos do nosso país. Uma das maiores esportistas da nossa história e para a nossa sorte, uma tenista. Tenho um enorme respeito por ela. Foi uma super jogadora, pioneira no nosso país, onde pouca gente conhecia o esporte e em uma época onde tudo era muito mais difícil", exaltou.

Repercussão no exterior

Principal torneio de tênis dos Estados Unidos, o US Open (Aberto dos EUA) se manifestou no Twitter. "Nós enviamos nossas condolências aos amigos e entes queridos de Maria Bueno, quatro vezes campeã de simples e campeã de duplas no US Open", publicou a página do Grand Slam.

O jornal inglês The Mirror classifica Maria Esther Bueno como "lenda", pontuando que ela é "lembrada como uma das principais jogadoras de tênis de sua geração". Na mesma linha, o New York Times recorda o apelido de Bailarina do Tênis "devido a seu estilo gracioso em quadra".

O falecimento da lenda

A ex-atleta de 78 anos, que fez história durante as décadas de 1950 e 1960, estava internada no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, após ser diagnosticada com um câncer na boca. Posteriormente, a doença afetou seu ombro e suas costas.

O velório de Maria Esther será no Salão Oval do Palácio dos Bandeirantes, do governo de São Paulo. A cerimônia será realizada das 8 às 15 horas. Ela foi internada no Hospital 9 de julho em meados de maio; lutava contra o câncer e estava sedada desde a última quarta-feira, mas não resistiu e morreu.

Com a raquete na mão, Maria Esther fez história e foi a primeira representante brasileira a se destacar na modalidade. Durante a carreira, a paulistana se tornou um dos principais nomes do esporte durante a transição do amadorismo para o profissionalismo.

Maria Esther Bueno conquistou sete títulos de Grand Slam de simples - quatro no Aberto dos Estados Unidos e três na tradicional grama de Wimbledon. Ela ainda levantou o troféu nas duplas em 12 oportunidades (uma delas nas duplas mistas ao lado do australiano Bob Howe).

Nas duplas, a brasileira colocou seu nome na história ao vencer os quatro torneios de Grand Slam no mesmo ano em 1960, marca atingida apenas por outras lendas como Martina Navratilova, Pam Shriver e Martina Hingis.

A carreira extremamente vitoriosa alçou a tenista ao Hall da Fama da modalidade no ano de 1978. Em 1959, temporada na qual venceu Wimbledon e o US Open, Maria Esther Bueno recebeu o prêmio de Atleta do Ano pela Associated Press (AP), sendo a única atleta do país a chegar a tal feito (tanto no masculino quanto no feminino).

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