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Maria Esther Bueno é velada em São Paulo com presença de amigos e família

Rubens Reis/UOL
Maria Esther Bueno é velada em São Paulo Imagem: Rubens Reis/UOL

Rubens Reis

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/06/2018 09h35

Amigos, familiares e personalidades do tênis deram o último adeus a Maria Esther Bueno neste sábado (09). A lenda do tênis brasileiro morreu na noite de sexta vítima de câncer e foi velada no Salão Oval do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

A ex-tenista morreu na noite de sexta-feira em decorrência de um câncer de boca que se espalhou pelo corpo. O velório foi na sede do governo estadual paulista e o sepultamento aconteceu no Cemitério da Consolação, reservado apenas a familiares.

O governador do Estado de São Paulo, Márcio França, compareceu para o velório e ressaltou a importância da lenda do tênis para o estado e para o país, ressaltando o fato de ela ter falecido na véspera do dia do tenista, que se comemora neste sábado, dia 9. 

“A gente ofereceu para fazer o velório aqui no Palácio dos Bandeirantes por tudo o que ela representou para o esporte de São Paulo. Deus já tinha feito uma homenagem a ela deixando-a falecer no dia do tenista. Foi uma referência, talvez a maior esportista que tivemos no estado, num tempo que não era como hoje, em que as coisas eram muito difíceis. Muito corajosa, uma mulher à frente do seu tempo, que marcou o esporte de São Paulo e do Brasil”, declarou.

Sobrinho de Maria Esther, Pedro Bueno, lembrou da relação que a dona de 19 títulos de Grand Slam tinha com a família, como uma grande contadora de histórias.

"A gente é a família mais próxima, porque ela não teve filhos, era sempre muito próxima, muito querida”, afirmou Pedro.

"Uma pessoa alegre, divertida, que gostava de conversar, de contar histórias, muitas histórias, dos 50 anos jogando no mundo inteiro, conhecendo reis e rainhas, uma pessoa incrível, fantástica e muito amável, carinhosa, muito próxima e sempre disponível”, completa o filho do também ex-tenista Pedro Bueno, irmão de Maria Esther que chegou a representar o Brasil na Copa Davis.

Ex-tenistas brasileiros como Cássio Motta e Fernando Meligeni marcaram presença logo cedo para a última homenagem à lenda do tênis. Atualmente comentarista da ESPN, Meligeni lembrou das histórias com ela e criticou a falta de memória do país.

"Importantíssima, uma referência num esporte que tem tão poucos ídolos, realmente é muito triste. Ela e o Thomaz (Koch) sempre foram as referências numa época em que pouco se falava sobre tênis. Eu adorava conversar com ela para saber como era o tênis daquela época, iam de navio para os campeonatos, não tinham premiação nenhuma, nenhum tipo de glamour, era amor ao esporte mesmo”, disse Meligeni.

"A gente tem um defeito aqui no Brasil de reconhecer os atletas, as pessoas que já passou muito tempo, a gente não tem muito a referência de chegar no teu filho com 8 anos e falar 'você sabe quem é essa pessoa? Sabe o que ela fez?’. Quem conhece sabe o quanto ela é idolatrada lá fora, ia para Londres todo ano com um carinho da realeza porque ela era impressionante, era a bailarina. E no Brasil a gente esqueceu dela, mais um dos nossos grandes ídolos que muita gente lembra quando morre ou quando tem algum tipo de problema”, concluiu Meligeni.

Filho de Milton da Motta, jornalista e ex-dirigente que foi muito próximo a Maria Esther Bueno, o ex-top 10 de duplas Cássio Motta reforçou a importância que a tenista teve para o país e também por sua presença na luta por direitos das mulheres.

“Maria Esther foi a maior atleta brasileira de todos os tempos, respeitadíssima lá fora, viveu intensamente, curtiu muito a vida numa época em que ela jogou com outras mulheres que foram muito fortes nesse tópico que se fala hoje de feminismo e acho que ela deixa um legado importante. Tomara que esse legado que ela tem, essa história não morra na memória dos brasileiros, porque ela foi muito importante para o esporte no Brasil”, afirmou Cássio.

Dois ex-atletas presentes conviveram bastante com Maria Esther foram Thomaz Koch e Luiz Mattar, o primeiro no auge da carreira dela e o segundo por frequentar o mesmo clube, inclusive tendo jogado com ela há alguns meses.

"Na minha época de juvenil eu comecei a viajar e com a Maria Esther no auge, então foi uma coisa inimaginável, o respeito, o carinho e como ela colocou o Brasil lá em cima. Tive uma convivência muito grande e a gente treinava juntos, viajava juntos, jogamos duplas mistas no Pan-Americano, Roland Garros e outros torneios na Europa. Ela era muito divertida, mais na intimidade assim era engraçada, piadista e as pessoas realmente não conheciam essa faceta dela”, declarou Koch, medalhista de prata em São Paulo-1963 ao lado da ex-tenista.

"Desde garoto, com 10 anos, eu via ela treinar no clube, me inspirei muito na Maria Esther. Tive a oportunidade até de três meses atrás bater uma bola com ela. Ao mesmo tempo fica muito triste, um dia de luto para nós, mas de lembrar de coisas muito bacanas que ela fez, uma inspiração para todos nós”, finalizou Mattar, que foi top 30 no ranking da ATP.

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