UOL Esporte Tênis de Mesa
 
14/11/2008 - 08h02

Olhos lacrimejantes e internet levam Urupês aos Jogos Abertos

Rodrigo Farah
Em Piracicaba (SP)
A cidade de Urupês não é das mais conhecidas do povo paulista. Com economia rural e 11.917 habitantes, o município claramente está longe de ser uma potência esportiva. Apesar disso, treinamentos diários via Youtube aliados a um grande esforço pessoal foram o suficiente para Urupês mandar três mesa-tenistas aos Jogos Abertos do Interior, em Piracicaba.

SONHO REALIZADO
Rodrigo Farah/UOL
Mesa-tenista de Urupês observa jogo de Hugo Hoyama nos Jogos Abertos
Rodrigo Farah/UOL
Árbitro chegou a impedir Ailon de jogar, mas um reparo na raquete mudou decisão
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O esporte começou como recreação escolar para Ailon Rezende (16), Túlio Barbosa (16) e Mário Duarte (18). No início, alguns anos atrás, eles usavam uma tábua de madeira como mesa no colégio e trocavam a bola com raquetes furadas, como fizeram questão de destacar.

"Começamos a jogar só por brincadeira. A bola era horrível, e as raquetes piores ainda", comentou Túlio, sendo interrompido logo em seguida por Ailon: "Já estava ótimo para nós. Foi algo que sempre nos chamou a atenção, mas não passava de brincadeira de escola", afirmou.

Com o tempo, o interesse pelo tênis de mesa aumentou. Foi quando o trio decidiu intensificar os treinamentos para ver se havia alguma evolução. Sem nenhum treinador na cidade, eles começaram a observar vídeos no Youtube para tentar aprender funções básicas, como regras e formas de dar efeito na bola.

O principal apoiador do trio foi justamente o professor de educação física dos garotos, Edmílson Gimenez. Atento ao interesse dos alunos, ele os incentivou a continuar os treinamentos. Até que no início do ano, todos concordaram que já estava na hora de testar o nível de jogo em um campeonato.

"Aos poucos eles foram pegando gosto pela coisa e decidiram se inscrever nos Jogos Regionais. Para surpresa de todos, conseguiram ganhar e se classificaram para os Abertos. Só o fato de chegar aqui e jogar ao lado dele [apontando para Hugo Hoyama] é como um sonho", comentou o professor, enquanto o trio observava com olhos lacrimejantes a estréia do Hoyama nos Jogos Abertos.

A expectativa pelo desempenho na competição em Piracicaba não era grande. Ao ver as outras partidas, os jogadores de Urupês exibiram um olhar de medo misturado com exaltação graças à importância do campeonato.

"Se ganharmos uns cinco, seis pontos de cada 11 dos sets, estará ótimo", comentou Mário, enquanto o árbitro impedia Ailon de participar da primeira partida por equipes devido às condições de sua raquete. Minutos depois, ele finalmente pôde jogar, pois fez o reparo auxiliado por um técnico de uma cidade que estava em disputa na mesa ao lado.

O revés no campeonato já era esperado e pouco importou para o trio. A emoção de estar ao lado do ídolo Hugo Hoyama foi ponto alto na curta carreira competitiva dos três atletas até o momento. Nesta sexta-feira de manhã, eles encerraram a participação e optaram por não disputar o campeonato individual.

"O Mário já perdeu muitas aulas e terá prova na faculdade. Temos que voltar rápido para ele não se complicar com os estudos", ponderou o professor de Educação Física, durante o segundo confronto da equipe de Urupês.

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