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Rúgbi usa Rio-2016 para tentar sair do anonimato no Brasil

Ana Luiza Rosa

Em São Paulo

21/04/2010 07h01

“Rúgbi. Isso ainda vai ser grande por aqui”. Nas últimas semanas, essa frase apareceu na TV e na internet em comerciais da Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu). Os filmes são engraçados, irônicos e chamam a atenção do público. É o primeiro passo para popularizar uma modalidade que ainda engatinha no Brasil, mas é sensação por todo o planeta, tem o terceiro evento esportivo mais importante do mundo - a Copa do Mundo da modalidade - e vai reestrear entre os esportes olímpicos no Rio de Janeiro, nos Jogos Olímpicos de 2016.

SEBÁ E SUA VIDA NO RÚGBI

Sebá, vocalista do grupo de pagode Inimigos da HP, é um dos grandes incentivadores do rúgbi no país. Argentino, veio para o Brasil ainda criança e não encontrou equipes para jogar. Só voltou a participar do esporte com 14 anos. A partir daí, conseguiu carreira de sucesso no esporte, chegando ao posto de capitão das seleções brasileiras de 15 e de 7 nas categorias juvenil e adulto, além de comandar o time do Rio Branco Rugby Club.

“O rúgbi cresceu pouco de quando cheguei ao Brasil para agora. Depois de mais de 20 anos aqui vejo a evolução como pequena em relação ao mundo e aos vizinhos, o Uruguai já jogou dois Mundiais, por exemplo. Mas é uma questão cultural, a galera não conhece muito o esporte e há um pouco de receio por ter muito contato. Mas nos últimos cinco anos acho que houve um desenvolvimento maior pelas ações da Confederação Brasileira de Rúgbi e também pelas transmissões ao vivo."

A inclusão da modalidade no programa olímpico trouxe mudanças no esporte nacional. A primeira atitude foi a transformação da então Associação de rúgbi em Confederação, o que deu direito do rúgbi receber dinheiro das leis de incentivo ao Esporte.

O primeiro investimento já chegou, R$ 300 mil vindos da Lei Agnelo/Piva para o treinamento da seleção feminina de 7 - as mulheres são mais notáveis que os homens no rúgbi brasileiro e já se classificaram para dois Mundiais, enquanto a seleção masculina ainda não conseguiu vaga para a competição. 

“Precisávamos tirar o rúgbi do estado de hibernação, o esporte não melhorava nem piorava há 30 anos. Pensamos no que seria preciso fazer para isso acontecer e começamos o novo trabalho”, diz o presidente da Confederação, Sami Arap Sobrinho, que assumiu o comando do esporte em janeiro deste ano.

A partir daí, com profissionais designados para cada área – antes, toda a confederação era composta por apenas duas pessoas -, o rúgbi resolveu se desenvolver com foco na mídia. Um diretor de marketing e comunicação, João Luis Olivério, tomou as rédeas na entidade, e a diretoria buscou parceiros e recursos para divulgar a modalidade através da comunicação.

Com ajuda da Topper, que assumiu o patrocínio das seleções por um ano (com possibilidade de renovação por acordo), duas propagadas foram veiculadas na internet e na televisão. Com o mote “Rúgbi, isso ainda vai ser grande por aqui”, o esporte ganhou destaque e segundo João Luis Olivério a ação teve uma ótima resposta do público. Os filmes terão continuação e devem mostrar as mulheres e as crianças jogando.

“Quando a Topper virou patrocinadora demos a dica de que o rúgbi nunca teve patrocinador oficial e eles abraçaram a ideia, fazendo uma propagada rápida, com bom humor e ironia. A princípio, colocaríamos apenas na internet, mas chegou à televisão e foi um sucesso”, afirma.

Além da publicidade, novas ações estão sendo planejadas envolvendo a comunicação. “Começamos a ser mais ativos nessa vertente. Estamos buscando chegar ao público por meio da internet, com o site novo, newsletter, releases com as novidades, além do marketing com as redes sociais, já que o esporte conta com cerca de 100 mil seguidores na rede”, completa.

RAIO-X DO RÚGBI NACIONAL

Entidade: Confederação Brasileira de Rúgbi, fundada em 15/01/2010 (antes disso era Associação Brasileira de Rúgbi, desde dezembro de 1972)
Ranking: 27º entre 95 federados (melhor da América do Sul é a Argentina, na 6ª posição)
Número de praticantes: 9 mil (federados), 30 mil (praticantes)
Número de clubes: 200
Principais Títulos:
Masculino: 4º colocado no Sul-Americano, nunca se classificou para o Mundial
Feminino:  Hexacampeão sul-americano e 10º lugar último Mundial (em Dubai, 2009)
Capitães: Ramiro Mina (Bandeirantes) e Júlia Sardá (Desterro Rugby)

*Dados da CBRu

No site oficial da CBRu há o detalhamento da proposta para 2010. Na área de comunicação, três vertentes estão citadas: criação de um programa de comunicação, de um canal de comunicação com a imprensa esportiva e de um grupo de trabalho de "evangelização" para a divulgação dos princípios, ética e valores do esporte.

O próximo bote do rúgbi será na fatia de público da televisão. A confederação pretende lançar matérias sobre resultados dos torneios nacionais e bastidores das competições em vários programas esportivos.

“Pretendemos buscar mais espaços nos jornais pelo menos para os resultados. A qualidade dos jogadores nos interessa, mas gostaria muito de igualar o número de praticantes de Buenos Aires, que só na cidade tem 60 mil pessoas jogando. Temos que mostrar eficiência, respeito ao esporte e credibilidade para que isso aconteça”, finaliza o presidente.

Clubes

Como patrocínio é exclusivo às seleções, os clubes ainda precisam se virar para sobreviver. O presidente quer usar o recurso "pirâmide invertida", que consiste na administração inicial de poucas equipes para fortalecê-las e então ampliar o número de competidoras.

RÚGBI DE 7 X 15

As duas vertentes da modalidade se diferem, principalmente, pelo tempo da disputa. Na partida com 15 atletas, são jogados dois tempos de 40 minutos; já com a presença de sete jogadores a partida cai para sete minutos (nas finais, chega a dez minutos). A composição em campo também é distinta pelo número de atletas, assim como o desgaste.

"Pretendemos fazer o que o vôlei fez há 30 anos, com poucas equipes e uma seleção. Assim, quando os clubes se tornarem mais fortes, podemos pensar em expandir a base", diz o mandatário.

Para o dirigente, uma saída para os clubes é a aproximação com as prefeituras, criando uma identidade com a cidade para dar fama à equipe e também ganhar mais seguidores. 

"Queremos que cada clube procure sua prefeitura e se enquadre em uma lei de incentivo ao esporte. Faça um projeto que o aproxime do município. Assim, podem levantar recursos necessários para se fortalecer", completa.

 

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