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A seleção de rúgbi, acredite, faz muito sucesso. E deixa alguns emocionados

Pedro Girardelli/Divulgação
Seleção brasileira de rúgbi disputa amistoso contra seleção da USP Imagem: Pedro Girardelli/Divulgação

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

10/11/2014 06h01

Você pode não saber o nome de qualquer jogador da seleção rúgbi. Mas eles são ídolos para muita gente. Só de enfrentá-los muitos atletas sentem arrepios, ficam com olhos marejados e uma alegria incontida. Foi o que sentiram os adversários da seleção brasileira durante a disputa de um campeonato universitário.

A USP promoveu um torneio de rúgbi sevens (modalidade jogada por sete jogadores em cada time) no último fim de semana. E os destaques de cada equipe tiveram a chance de fazer um jogo de exibição contra a seleção brasileira. Antes mesmo de a partida começar, a emoção já estava estampada no rosto dos atletas que, perfilados, ouviram a execução do hino nacional.

“Foi um sonho, me diverti muito, jogar contra caras que a gente vê em grandes torneios e acompanha o trabalho é muito ‘da hora’, um sonho se realizando. Eu ficava olhando a plateia, ouvindo o hino, foi emocionante”, contou o aluno da faculdade de Direito, Santiago Tavares.

“É um privilégio jogar contras essas pessoas que estarão nas Olimpíadas, foi o ponto alto da minha carreira como atleta e a realização de um sonho. Claro que o nível é bem diferente, de profissionalismo, intensidade. Mas não foi fácil para a seleção. Gostei do desempenho”, conta o também estudante do curso de Direito, João Pedro Cortes.

Se quem entrou em quadra estava radiante, os alunos que não tiveram a oportunidade de jogar ficaram frustrados. Um dos organizadores do evento, Peter Gervai teve a missão complicada de escalar apenas 14 atletas dos 17 times que disputaram o torneio. “Dói no coração. Muita gente boa teve que ficar fora. Tem gente que não vai conversar mais comigo”.

A derrota da USP já era esperada. Mas, mesmo com o placar elástico de 40 a 0, os alunos da universidade apresentaram dificuldades para a seleção que precisou jogar sério diante de uma defesa agressiva e alguns tackles (movimento que um atleta faz para derrubar o oponente que tem a posse da bola) que levaram a torcida à loucura.

Mas a falta de entrosamento pesou e o time acabou cometendo muitos erros de passes na saída de bola. Já em vantagem no placar, a seleção passou a pressionar a defesa dos estudantes ao subir em linha e diminuir os espaços. O jogo terminou com seis tries a 0 (jogada em que o time marca a pontuação máxima de cinco pontos ao levar a bola até o in-goal do adversário e encostá-la no chão) e o placar de 40 a 0.

Apesar da disparidade técnica, o duelo contra a seleção da USP também foi valorizado pela seleção brasileira que atuou com seu time principal. O técnico da equipe, o argentino Andres Romagnoli, acredita que a iniciativa é importante para ajudar a desenvolver o esporte no país, além de ter a chance de observar novos talentos.

“Para a seleção, um jogo como esse não vai somar muito do ponto de vista esportivo, mas é uma grande possibilidade de difundir o rúgbi e colaborar para o crescimento do esporte. Acredito que o esporte universitário não deve servir como categoria de base porque os atletas já estão quase na fase adulta e a base deve começar para crianças. Mas em qualquer evento é possível observar e captar talentos. Já observei alguns aqui que têm muito potencial”.

Os próprios atletas da seleção brasileira elogiaram o nível. “Eu comecei assim num torneio universitário, claro que eles também podem chegar lá. Eu estava vendo e tem gente que pensa muito bem o jogo”, disse o atleta da seleção Allan Joseph, que atua como e ponta (velocista no ataque).

Pedro Girardelli/Divulgação
Imagem: Pedro Girardelli/Divulgação

Jogadoras da seleção treinam times universitários

No torneio da USP, a interação entre rúgbi profissional e universitário não se limita à participação da equipe nacional. Entre os cinco times femininos que disputaram a competição, dois são treinados por jogadoras da seleção brasileira.

Luiza Campos e Lariane Pruner fazem parte da seleção principal e hoje também são técnicas da equipe Tsunami, que ficou com o vice-campeonato. Para Lariane, alem de um hobby, ensinar é também uma forma ativar o raciocínio e aprimorar as estratégias no jogo.

“É algo que eu amo e também acho que passar meus ensinamentos para as meninas ajuda muito o meu jogo. Eu acabo aprendendo, observando novas estratégias e desenvolvendo formas de pensar que posso usar em jogos”, conta.

As atletas têm que se dividir entre uma rotina dura de treinos e viagens com a seleção e a assistência para as universitárias. Única entre as três técnicas que é remunerada, Raquel Kochhann estava no Uruguai para a disputa do tradicional Valentin Martinez no último fim de semana, mas nem por isso se desligou de suas pupilas que estavam em ação pela Seleção USP.

Ela deu orientações ao time, definiu a escalação e até cobrou disciplina. Tudo via Whatsaap. “Quero um vídeo com dez flexões de cada uma que se atrasar para o jogo”, escreveu por meio do aplicativo. As meninas aprovam. “Ela leva muito a sério e para a gente é muito bom. Estamos melhorando muito, tanto que fomos campeãs”, comemora a capitã Isabel.

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