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Serena desabafa sobre polêmica racial nos EUA: "Não ficarei em silêncio"

AFP PHOTO / EDUARDO MUNOZ ALVAREZ
Serena Williams parafraseou Martim Luther King para se posicionar sobre tensão racial Imagem: AFP PHOTO / EDUARDO MUNOZ ALVAREZ

Do UOL, em São Paulo

27/09/2016 19h54

A ex-número 1 do mundo Serena Williams desabafou sobre a polêmica racial nos EUA. Em texto publicado em seu Facebook, a tenista norte-americana disse que não se calará sobre os recentes acontecimentos em relação à violência policial contra a população negra nos EUA.

Em seu desabafo na rede social, Serena contou uma história cotidiana sobre seu jovem sobrinho negro e terminou refletindo sobre a situação racial nos EUA. No fim, ela ainda reproduziu uma frase do líder Martim Luther King.

"Como o Dr. Martin Luther King disse: ‘chega uma hora em que o silêncio é traição’. Eu não vou ficar em silêncio”, escreveu Serena, em post com quase 45 mil curtidas e sete mil compartilhamentos após três horas.

Há uma semana, a cidade de Charlotte, na Carolina do Norte, no sul dos EUA, tornou-se palco de manifestações contra a morte de Keith Lamont Scott, 43 anos, na terça-feira (20) passada.

Segundo versão da Polícia, Scott foi morto a tiros por um policial porque se recusou a largar uma pistola. Mas testemunhas afirmaram que ele carregava um livro – e não uma arma de fogo. A divergência sobre a morte de Scott reativou a todo vapor a tensão racial nos EUA, com manifestações diárias, quebra-quebra e dezenas de feridos pelo país. 

Veja abaixo a íntegra do texto escrito por Serena Williams

Hoje pedi ao meu sobrinho de 18 anos (para ser claro, ele é preto) para me levar para as reuniões para que eu possa trabalhar no meu celular #safteyfirst. No caminho eu vi a polícia na beira da estrada. Eu olhei rapidamente para verificar se ele estava obedecendo o limite de velocidade. Então eu lembrei daquele vídeo horrível da mulher no carro quando um policial atirou no seu namorado. Tudo isso passou pela minha cabeça em questão de segundos. Eu até me arrependi não estar dirigindo. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com meu sobrinho. Por que eu tenho que pensar sobre isso em 2016? Nós [os negros] não passamos por coisas o suficiente, abrindo tantas portas, impactado milhares de milhões de vidas? Mas eu percebi que devemos seguir em frente - por que não é o quão longe nós chegamos, mas quanto mais longe podemos ir. Eu então me perguntei: “eu dei minha opinião”? Eu tive que olhar para mim mesma. E o meu sobrinho? E se eu tivesse um filho? E sobre as minhas filhas? Como o Dr. Martin Luther King disse: "chega uma hora em que o silêncio é traição".

Eu não vou ficar em silêncio,
Serena. 

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