Esporte

Correios reduzem investimento no esporte e geram mudanças em confederações

Cristiano Andujar/CBT
Correios não patrocinam mais a Confederação Brasileira de Tênis Imagem: Cristiano Andujar/CBT

Fabio Aleixo e Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

03/10/2016 16h20

Em meio a uma crise financeira sem precedentes – prejuízo de R$ 2,1 bilhões apenas em 2015 –, os Correios decidiram cortar investimento no esporte brasileiro e fizeram na semana passada uma reunião para avisar isso às diretorias das confederações nacionais de esportes aquáticos (CBDA), handebol (CBHb) e tênis (CBT). E isso já obrigou as entidades a fazerem ajustes drásticos poucos dias depois dos Jogos Olímpicos de 2016, que foram realizados no Rio de Janeiro. Foi pedido também que as entidades elaborem projetos com valores muito mais enxutos caso desejem seguir recebendo repasses. Todas as renovações contratuais estão emperradas no momento e podem nem mesmo ocorrer.

“Na última terça-feira (27), o presidente dos Correios, Guilherme Campos, se reuniu com os presidentes da CBT, CBHb e CBDA para tratar da renovação dos contratos de patrocínio. Na ocasião, foi solicitado às confederações que apresentassem um projeto, com valores reduzidos frente aos atuais, para ser avaliado pelos Correios. Neste momento, mantemos a informação repassada nas últimas solicitações de informações de que as renovações dos contratos de patrocínio esportivo estão em análise nos Correios”, informou a assessoria de empresa dos Correios em nota enviada ao UOL Esporte.

Os valores dos repasses de 2016 ainda não foram divulgados, mas em 2015 as três confederações receberam pouco mais de R$ 32 milhões dos Correios (R$ 18,8 milhões para a CBDA; R$ 8,6 milhões para a CBT e 6,8 milhões para CBHb, segundo balanços financeiros das entidades).

A incerteza sobre a continuidade dos Correios, contudo, é especialmente complicada para a CBT. O contrato da estatal com a entidade responsável pelo tênis em âmbito nacional terminou no último dia 26, e a instituição esportiva agora não conta com nenhum patrocinador. Por causa disso, já rescindiu 55 contratos e encerrou repasse que era feito a tenistas como Thomaz Bellucci e os duplistas Bruno Soares e Marcelo Melo, por exemplo.

“Pelo Presidente dos Correios nos foi passado que a situação da empresa é complicada, com um prejuízo de R$ 2,1 bilhões em 2015 e previsão desse ano fechar em R$ 2 bilhões. Sendo assim, estamos em negociação para tentar renovar o contrato, mas sem data exata para termos a resposta. Pode levar uma semana como alguns meses”, escreveu o presidente Jorge Lacerda em comunicado enviado a todas as federações nacionais.

Para amenizar o tombo representado pelo fim da parceria com os Correios, a CBT pretende mudar de sede. Na sexta-feira (07), em assembleia geral da entidade, a atual diretoria votará uma transferência de escritório de São Paulo, onde a instituição paga aluguel, para Florianópolis.

“Em contato com os Governantes de Florianópolis e Santa Catarina, ficou acertado que na renovação do convênio da sede da FCT a CBT será incluída. Assim, a CBT passará a ter sua casa própria, sem custo mais de aluguel e tudo que é inerente aos contratos locatícios”, justificou Lacerda, que alegou também não ter verba para pagar passagens aéreas para que os presidentes das federações estaduais viajem a Florianópolis para a assembleia geral.

A redução do aporte dos Correios também já alterou o cotidiano da CBDA, entidade que tem contrato com a estatal há 25 anos. A empresa é atualmente a principal fonte de receita dos responsáveis por esportes aquáticos.

Nesta semana, a CBDA apresentará uma proposta para manutenção do acordo. “a CBDA apresentará um projeto de renovação tentando equilibrar as necessidades mínimas da confederação à situação atual dos Correios e ao retorno que pode ser proporcionado às duas entidades no desenvolvimento esportivo e no retorno de imagem”, explicou a entidade em nota oficial.

No entanto, a incerteza já motivou adequações. Prestadores de serviço da CBDA foram informados que não seguirão na entidade se o contrato não for renovado – muitos cumpriram aviso prévio durante a Rio-2016 –, e aportes que eram feitos a atletas já foram suspensos. Isso afetou, por exemplo, os principais reforços contratados pela seleção brasileira masculina de polo aquático.

Já o contrato entre Correios e CBHb vai se encerrar ao fim deste ano. Procurada pela reportagem, a confederação limitou-se a dizer que recebeu dos Correios a determinação de elaborar projetos com “reduções drásticas de custos”. A CBHb conta também com patrocínio do Banco do Brasil.

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