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Confederações temem recessão pós-Rio-2016 e tentam proteger apostas

REUTERS/A. Konstantinidis
Com medo de ter menos dinheiro no próximo ciclo, CBTM faz planos para tentar preservar a preparação de Hugo Calderano Imagem: REUTERS/A. Konstantinidis

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

12/10/2016 06h00

A menos de dois meses do fim do ano, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) ainda não iniciou discussões com as confederações esportivas sobre orçamentos de 2017. A demora contribuiu para fomentar nas entidades um sentimento de temor: com mudanças no cenário econômico e sem o argumento de o país sediar os Jogos Olímpicos, dirigentes trabalham com perspectivas financeiras bem mais conservadoras a partir da próxima temporada. E isso já motivou em algumas modalidades a criação de planos para proteger apostas de medalha no próximo ciclo.

As ideias pessimistas são mais claras em confederações cujos destaques esportivos são mais proeminentes. É o caso do tênis de mesa, por exemplo: o plano B da CBTM inclui cortes em seleções de base e viagens para competições internacionais a fim de priorizar a preparação de Hugo Calderano, 20, que foi até as oitavas de final na Rio-2016.

“Alguns atletas iriam para oito ou dez eventos internacionais. Talvez tenhamos de cortar para três ou quatro”, contou Alaor Azevedo, presidente da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa).

A lista de medidas tomadas por confederações para adequação a uma nova realidade também tem renegociação de contratos de prestação de serviço, por exemplo. Em algumas entidades, técnicos passaram a receber por dia de trabalho, modelo que torna mais fácil um eventual corte em caso de redução de receita.

“Nós estamos trabalhando e cuidando de todo o potencial da canoagem. Mas estamos buscando manter o pessoal da canoa, que é o maior potencial, e chegar a Tóquio igual ou melhor do que estávamos neste ano”, disse João Tomasini, presidente da CBCA (Confederação Brasileira de Canoagem), que acumulou três pódios na Rio-2016 (todos com a equipe masculina de canoa velocidade).

Outras confederações também trabalham com perspectiva financeira pessimista para o próximo ciclo, mas têm dificuldade para concentrar investimentos em um número menor de apostas. Isso acontece principalmente em esportes mais competitivos – no judô, por exemplo, nenhum dos medalhistas brasileiros da Rio-2016 é absoluto em sua categoria.

Os dirigentes do rúgbi também são reticentes sobre a concentração de investimento, mas já consideram a possibilidade de o próximo ciclo ser menos pujante no ponto de vista financeiro. “Temos um plano ideal, um cenário pessimista e uma condição para algo catastrófico. Pensamos nessas três situações”, contou Samy Arap Sobrinho, presidente da CBRU (Confederação Brasileira de Rugby).

A principal incógnita para as confederações é a verba oriunda da lei Agnelo/Piva, sancionada em 2001, que direciona ao COB e ao CPB (Comitê Paralímpico do Brasil) uma fatia de 2,7% da arrecadação bruta de loterias federais em operação no país. Em 2016, foram R$ 220 milhões amealhados e R$ 131 milhões enviados a confederações (R$ 13,3 milhões a mais do que na temporada anterior).

Os valores da próxima temporada ainda não foram divulgados, mas um presidente de confederação ouvido pelo UOL Esporte disse que existe uma perspectiva de que o valor bruto seja até 15% menor. Além disso, haverá cinco novas modalidades para dividir o montante (beisebol, caratê, escalada, skate e surfe, que foram incorporadas pelo COI ao programa esportivo de Tóquio-2020).

Segundo o dirigente, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, disse a mandatários de confederações que o COB custearia em 2017 o valor correspondente ao decréscimo da Lei Agnelo/Piva. Assim, evitaria que as confederações trabalhassem com menos dinheiro no próximo ano. Consultado pelo UOL Esporte, o comitê disse apenas que não começou a discutir orçamento.

Para algumas confederações, os cortes já se tornaram realidade. A presidência dos Correios, por exemplo, cancelou contratos com esportes aquáticos (CBDA), handebol (CBHB) e tênis (CBT). Pediu às três entidades que enviem novas propostas, com perspectiva de manutenção de apenas 5% do valor pago no atual contrato.

A perspectiva financeira preocupante para 2017 é atualmente um dos assuntos mais recorrentes entre presidentes de confederações. Foi por isso, por exemplo, que Nuzman chegou a conversar com alguns deles sobre a possibilidade de participar ativamente da busca de aportes privados para entidades esportivas.

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