BBB: Marinalva fez dupla com ex-São Paulo e deu "dor de cabeça" a técnico

Fábio Aleixo e Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

  • Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB

De oitavo lugar na Paraolimpíada do Rio de Janeiro à participante do Big Brother Brasil 17. Foi este o caminho traçado por Marinalva de Almeida em um período de apenas quatro meses. A partir de segunda-feira, brigará com outros 12 concorrentes pelo prêmio de R$ 1,5 milhão. A paranaense de 39 anos foi a única escolhida para a atração global a ter algum tipo de deficiência. Não possui a perna esquerda, que precisou ser amputada em virtude de um acidente de moto quando tinha apenas 15 anos.

Foi por causa disso que decidiu tentar o esporte paraolímpico e passou por diversas modalidades, com destaque para o atletismo no qual foi por muito tempo recordista brasileira na classe T43. Também foi a primeira primeira mulher a completar a São Silvestre usando muletas em vez de prótese. Mas a sua única participação em uma Paraolímpiada aconteceu na vela adaptada, esporte que conheceu em 2013. Teve como parceiro na classe SKUD-18 Bruno Landgraff, ex-goleiro do São Paulo que ficou tetraplégico após um acidente automobilístico em 2006.

Marinalva, que também é modelo e palestrante, é tida como uma pessoa de comportamento difícil por diversas pessoas ouvidas pelo UOL Esporte. Seu relacionamento com Bruno também não era dos melhores, assim como os demais integrantes do time. Foi selecionada para a disputa da Paraolimpíada apenas por não haver outra competidora melhor para integrar a SKUD-18, uma categoria mista.

Ela, inclusive, chegou a ter uma série de discussões e entreveros com Pedro Paulo Franca, técnico da equipe brasileira de vela adaptada, antes da participação nos Jogos do Rio.

"Ela fez um monte de esportes e não ficou em nenhum, De vez em quando faltava a um treino, e na hora que ia ver, ela estava disputando arco e flecha. Ia passar fim de semana fora. E não contava que fazia arco e flecha. Até pegou uma medalha de bronze. Teve um dia que tinha treino e ela sumiu. Ela disse: 'não estou me sentindo bem'. Aí aparece foto dela no Facebook disputando competição de arco e flecha no dia. Ela até ganhou medalha. Foi muito pesado, triste, estava todo mundo se dedicando. A competição em equipe, não era individual. Uma mulher com 40 anos nas costas fazendo uma coisa dessas não cresceu, não tem maturidade. Amadurecimento é uma coisa pessoal: ou tem ou não tem", disse Pedro Paulo em entrevista ao UOL Esporte.

 

O treinador ressalta que a postura da atleta era completamente diferente da adotada por Bruno, que sempre se dedicou em busca do melhor resultado.

"O Bruno subia pelas paredes pela maneira que tinha que fazer. Em maio eu pensei: 'isso não vai funcionar, esse time não vai andar'. Eu velejo há mais de 40 anos com barcos de elite, a gente percebe quem vai e quem não vai. Ficar em oitavo já foi uma grata surpresa. Até um pouquinho antes dos Jogos, pensei: 'se conseguir não ficar em último já vai ser lucro'. Mas as coisas foram melhorando, o treinamento acabou funcionando", disse.

"Ela tinha tudo para ser sensacional: (tinha) disposição, força, mas não tinha cabeça. Faltava dedicação intelectual, dedicação, foco. Ela ia como quem vai para o castigo, era um trabalho, não era um prazer. Vela é um negócio que tem que fazer por prazer", completou o treinador.

Para Pedro Paulo, a participação de Marinalva no BBB pouco ajudará na exposição do esporte paraolímpico no país.

"Não vai dar projeção ao esporte. Vai dar promoção pra ela. Sou meio cético, vai levar gerações para que as pessoas aceitem, tenham conhecimento de como os deficientes vivem e mais séculos para que se deem valor ao esporte. Tomara que eu esteja errado".

Por estar confinada na casa do BBB, Marinalva não pôde ser contatada pela reportagem para dar sua explicação sobre os problemas relatados pelo treinador, já que seu telefone estava desligado. Os familiares também não foram localizados.

Na TV, Marinalva diz não jogar sujo

No vídeo de apresentação dos participantes do programa, Marinalva se classifica como uma competidora leal. "Não tenho medo de competir em nenhuma prova da casa. Só que tem um porém: não jogo sujo. Tem pessoas que fazem qualquer coisa pra ganhar, mas, para mim, tem que ser na garra".

Seu futuro no esporte paraolímpico é incerto, uma vez que a vela foi excluída do programa dos Jogos de Tóquio, em 2020.

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