Amauri do vôlei nega dívida de R$ 1 mi e se diz triste

Aiuri Rebello*

Do UOL, em São Paulo*

  • Rio 2016/Marcos de Paula

    Amauri, um dos maiores jogadores de vôlei da história do Brasil e campeão olímpico em Barcelona-1992, carregou a Tocha Olímpica em 2016.

    Amauri, um dos maiores jogadores de vôlei da história do Brasil e campeão olímpico em Barcelona-1992, carregou a Tocha Olímpica em 2016.

O ex-jogador de vôlei Amauri Ribeiro, campeão olímpico com a seleção brasileira nos jogos de Barcelona em 1992 e medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles em 1984, nega que tenha uma dívida de quase R$ 1 milhão com o Ministério do Esporte. Amauri procurou o UOL depois que nesta quarta-feira (15) foi publicada a reportagem "Governo cobra R$ 1 mi de Amauri, campeão olímpico de vôlei em Barcelona-92".

"Eu fiquei perturbado com essa história, triste mesmo", afirma o campeão olímpico. "Aproveitei que estava aqui em Brasília e fui ao Ministério tentar esclarecer esta situação. Disse que não sabia de pendência nenhuma", afirma o ex-atleta. "Disseram que não conseguiram me achar. Poxa, como?", indaga ele com frustração.

No dia 10 deste mês, o Ministério do Esporte publicou no Diário Oficial da União a cobrança. Na publicação, o ministério afirma que Amauri se encontra em "local incerto e não sabido", e pede que ele efetue o depósito do pagamento para considerar o caso encerrado. "Era só ter me ligado, todo mundo tem meu telefone inclusive no Ministério do Esporte", diz Amauri.

A cobrança é por causa de um convênio assinado em 2010 entre o governo e a ABVP (Associação Brasileira de Voleibol Paralímpico), da qual Amauri era o presidente na época. O acordo era para treinamento e preparação de atletas da seleção paraolímpica de vôlei sentado ao longo de um ano, de dezembro 2010 a dezembro de 2011. O objetivo era preparar a equipe para os Jogos Paraolímpicos de 2016.

De acordo com o Ministério do Esporte, desde que pegou o dinheiro, Amauri teria sumido. A prestação de contas foi parcialmente aprovada e desde 2012 a pasta do Esporte tenta receber o dinheiro de volta. Segundo o Ministério do Esporte, o valor a ser devolvido seria de R$ 554.636,98. Porém, com a correção dos últimos sete anos, o valor está em R$ 960.900,17.

Mal-entendido e desabafo

Segundo Amauri, o que está acontecendo é um grande mal-entendido. "O pessoal da área técnica desta prestação não me encontrou mais por que mudamos de sede, aí essa história ficou no limbo e nem sabia que tinha alguma pendência", diz.

"Ao todo nesse convênio, pegamos cerca de R$ 750 mil para preparar as seleções. Como o dinheiro chegou mais de seis meses atrasado em relação ao início dos trabalhos, no final não conseguimos fazer tudo que tinha sido planejado. Gastamos os cerca de R$ 500 mil e devolvemos mais ou menos R$ 250 mil que não conseguimos usar. Para mim o assunto estava encerrado."

O ex-atleta diz que, depois da reportagem, conseguiu se informar sobre o problema. "Fui lá, esclarecemos o ´sumiço´ e me disseram que faltavam alguns itens da prestação de contas, como recibos, canhotos de passagens aéreas e outros detalhes, mas a documentação principal já estava toda entregue. Vou regularizar o que falta e seguir em frente", afirma. Ele conta que em dezembro fechou mais três convênios com o Ministério do Esporte, e se estivesse com o "nome sujo" no órgão, não conseguiria aprovar as verbas.

Amauri aproveitou para fazer um desabafo. "É muito difícil fazer algo pelo esporte no Brasil. Eu quando assumi o vôlei sentado tive que largar meus outros trabalhos para me dedicar de verdade", conta. "Sempre lutamos muito para conseguir fazer um trabalho legal, quase sem salário já que até o pró-labore [salário pago a dirigentes esportivos] vivem implicando", diz sobre os órgãos de controle.

"Aí o que me faltava era uma notícia dessas. O pessoal fica achando que roubei R$ 1 milhão e não é nada disso, é um problema de burocracia", diz Amauri. O ex-jogador afirmou que está feliz com o desenvolvimento do vôlei sentado brasileiro. "Estávamos nas últimas posições do raking mundial e sete anos depois estamos em segundo lugar no masculino e em terceiro no feminino", afirma.

"É um grande feito, principalmente pela falta de apoio. Depois dos Jogos deixamos de receber de alguns patrocínios e mandei embora algumas pessoas por falta de dinheiro. Hoje sou só eu e um funcionário", diz ele, mas não pensa em parar. "Só quero esclarecer esta questão com meu nome e continuar o trabalho."

O ex-jogador é atualmente presidente da CBVD (Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes), com sede em São Paulo. A CBVD é uma pessoa jurídica que substituiu a ABVP.

Procurado pelo UOL nesta quinta-feira (16) para comentar as alegações de Amauri, o Ministério do Esporte enviou nota pela noite. 

"Existe a necessidade da Prestação de Contas para regularizar a situação. Neste sentido, ainda ontem, o Sr. Amauri esteve no Ministério para atualizar-se da situação e regularizar as pendências apontadas", diz a nota enviada pela assessoria de imprensa. 

"Quando não há a apresentação integral da documentação comprobatória para Prestação de Contas de recursos públicos recebidos, a legislação reza pela cobrança dos valores cuja utilização não fora comprovada. Neste sentido, o Convenente possui duas formas de regularizar a situação: devolvendo o valor de forma atualizada ou regularizando a Prestação de Contas mediante a apresentação dos documentos comprobatórios. Apresentando a documentação necessária, o processo será novamente analisado e não havendo mais pendências, o processo é encerrado", completa o ministério.

* (Colaborou Marcelo Rizzo, do UOL em São Paulo)

* (Essa reportagem foi atualizada com a nota do Ministério do Esporte após a publicação)

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