Esporte

Jornal francês publica suspeita de corrupção na eleição da Rio-2016

John Gichigi/Getty Images
Imagem: John Gichigi/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

03/03/2017 07h21

O jornal francês Le Monde apresentou nesta sexta-feira (03) uma denúncia envolvendo a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Segundo a publicação, um empresário brasileiro repassou US$ 1,5 milhão (R$ 4,73 milhões na cotação atual) em propinas a um filho de integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI). A transferência ocorreu três dias antes do anúncio da cidade brasileira como sede dos Jogos, em 2 de outubro de 2009.

A investigação feita pela Justiça da França sobre o caso começou em dezembro de 2015. A transferência do dinheiro foi feita através da Matlock Capital Group, uma holding com base nas Ilhas Virgens, paraíso fiscal. Investigadores franceses apontam que a holding é ligada ao empresário brasileiro Arthur Cesar de Menezes Soares Filho.

A Justiça francesa suspeita que esse repasse tem ligação direta com a Rio-2016. O dinheiro foi endereçado a Papa Diack, filho de Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Papa e Lamine foram banidos do esporte após acusação de corrupção e lavagem de dinheiro em esquema de doping de atletas da Rússia. Lamine está preso na França.

Apontado pelo Le Monde como responsável pela transação ilícita, Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como o "Rei Arthur", é investigado na “Operação Calicute”, operação que é um braço da Lava Jato no Rio de Janeiro e que levou à prisão do ex-governador Sérgio Cabral.

O Blog do Juca Kfouri informou, em 2 de fevereiro, que a ex-empresa de “Rei Arthur” firmou negócios com o governo estadual na gestão Sérgio Cabral no valor de R$ 2,8 bilhões, divididos em 57 contratos com 19 órgãos.

Com documentos fornecidos por autoridades fiscais dos Estados Unidos, os investigadores franceses descobriram também que Papa Diack transferiu US$ 299.300 (R$ 943 mil) para uma companhia offshore chamada Yemli Limited no dia da eleição. Esta empresa, segundo o Le Monde, tem ligação com Frankie Fredericks. O ex-corredor da Namíbia foi um dos escrutinadores do Comitê Olímpico Internacional em Copenhague.

A disputa pela sede dos Jogos envolvia Rio de Janeiro, Chicago, Madri e Tóquio. Na primeira rodada de votação, Madri levou a melhor, com 28 votos, tendo Rio (26 votos), Tóquio (22 votos) e Chicago (18 votos). Na última rodada, a cidade carioca virou o jogo, batendo a cidade espanhola por 66 a 32 votos.

Consultado pelo Le Monde sobre acusação de recebimento de propina, Papa Diack declarou: "Boa sorte ao artigo". Também procurado pelo periódico francês, o assessor de comunicação da Rio-2016 Mário Andrada negou qualquer irregularidade na candidatura: "As eleições foram limpas. O Rio venceu por 66 votos a 32. Foi uma vitória limpa".

Comitê diz não ter ligação com Rei Arthur 

Procurado pelo UOL Esporte, Andrada afirmou que Arthur César de Menezes Soares Filho não tinha nenhuma relação com o Comitê Organizador. "Ele tinha ligação com o Governo do Estado e nunca participou de nenhuma reunião do Comitê e nunca foi convidado para nenhum evento. Ele, inclusive, não estava em Copenhague no dia da eleição".

O diretor de comunicação também reforçou a versão dada para o Le Monde sobre a eleição.

"A suspeita da investigação francesa recai sobre seis membros do COI e isso não muda pois ganhamos com uma larga margem de votos. A investigação não é sobre a Rio-2016 e sim sobre Lamine e Papa Diack. Temos 100% de certeza que a eleição foi limpa".

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