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Com menos dinheiro, Nuzman admite que Brasil voltou à década de 90

Pedro Ivo Almeida/UOL
Imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL

Pedro Ivo Almeida e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/03/2017 14h05

A fuga de patrocínios do esporte brasileiro e do próprio Comitê Olímpico do Brasil (COB) - que perdeu todos seus apoiadores privados, incluindo a Nike - fez o presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, reconhecer que o Brasil voltou no tempo.

"Era natural que eu enxergasse dessa maneira, um cenário mais difícil. O Brasil passou de 2002 a 2016 organizando grandes eventos, as origens de recursos eram diferentes. A partir de agora, a gente volta ao que era antes de Sydney-2000. Os patrocínios e recursos eram diferentes e menores”, disse em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, antes da entrega do Prêmio Brasil Olímpico, no Rio de Janeiro. Nenhum banner com patrocinador foi exibido ao fundo.

"Não temos mais o ciclo de grandes eventos e investimentos. Por outro lado, temos os recursos da Lei Agnelo/Piva (proveniente das Loterias), algo que não tínhamos ali em 2000", completou.

O mandatário afirmou que o COB está buscando soluções para driblar a falta de recursos, que abundaram no último ciclo olímpico.

“Temos uma equipe nova da área comercial. Não renovar alguns contratos é uma questão de apresentarmos novos projetos", justificou.

Nuzman admitiu também que a série de problemas e escândalos em Confederações só pioram a percepção das pessoas em relação ao esporte olímpico. Neste momento, por exemplo, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) está suspensa pela Federação Internacional por problemas financeiros, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) está com as eleições suspensas e a Confederação Brasileira de Taekwondo responde a uma série de denúncias.

"É natural que tudo que sai ruim afete a imagem... isso não tem a menor dúvida. Mas é bom lembrar que falamos de 30 confederações olímpicas e citamos problemas com duas, três. Lógico que não é o que gostaríamos que fosse", falou.

Nuzman, que também presidiu o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio, afirmou que não vê uma falha no legado.

"O legado esportivo não está comprometido. Nenhuma cidade tinha condição de fazer uma transformação como o Rio. Esse era o grande desafio. Nenhuma cidade em 120 anos teve uma transformação em benefício da população como aqui. Mais do que Tóquio – 19 anos após a guerra, ou Barcelona. O legado esportivo existe. O que ele precisa é ser pautado em termos de projetos e desenvolvimentos", disse.

“É natural que a gente queria logo ter tudo sobre o legado, mas é bom vermos o tempo que leva para ser montado isso. Londres teve seu parque olímpico fechado por um ano, nós ainda estamos fazendo alguns eventos lá. Sobre a poluição de lagoas e outros locais, Pequim também não cumpriu sua meta. A demora é algo normal, os problemas acontecem. Mas temos caminhos para resolver. Quanto mais rápido, melhor”, justificou.

Ele comentou sobre a situação do Maracanã, que sofreu com o abandono após os jogos e tem sido pouco utilizado. "A relação não é boa com a Concessionária, mas é com o Governo do Estado. Eles receberam o estádio e disseram que estava tudo bem. Consertamos o teto do Maracanãzinho e cuidamos do Maracanã. O que acontece é que querem [Concessionária] desviar o foco diante de tantos problemas lá dentro. Nós fizemos a nossa parte".

Neste ano, haverá eleição para a presidência da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) e Nuzman brigará pelo posto contra outros quatro candidatos, sendo que seu principal rival deverá ser o dominicano José Joaquin Puello.

"Há uma crise de liderança na região. Minha ideia é transformar a Odepa. Vou rever também a questão de Odesur (Organização Desportiva da América do Sul)", disse.

"Mas a candidatura não atrapalha em nada minha atividade no COB", afirmou.

Fim da meta de medalhas

O chefe do COB afirmou também que a partir de agora a entidade não vai mais estabelecer uma meta de medalhas, como aconteceu na Rio-2016. O Objetivo era ficar no top 10 pelo total de pódios, algo que não se concretizou. Foram 19 medalhas ganhas (seis ouros, seis pratas e seis bronzes), o que rendeu a 13ª colocação geral.

Falam muito em medalhas, mas o número de finais foram os melhores da história. São degraus que vamos subindo e nos dão uma perspectiva para frente. Vou ficar devendo sobre essa meta, será algo interno. Não vamos nem falar sobre isso para Tóquio. Se alguém falou sobre isso (Marcus Vinícius Freire, ex-superintendente de esportes do COB), cobre dele”, disparou.

Nuzman evitou falar sobre problemas com Freire, que se desligou do COB semanas após o término dos Jogos.

"Isso é uma questão de foro interno do Comitê", desconversou.

 

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