Esporte

Doria e reitoria da USP querem derrubar muro da raia. Atletas são contra

Julia Rodrigues/Folhapress
Raia Olímpica da USP Imagem: Julia Rodrigues/Folhapress

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

12/06/2017 04h00

Em mais uma etapa do Programa Cidade Linda, a Prefeitura de São Paulo e a reitoria USP (Universidade de São Paulo) anunciaram a derrubada do muro que separa a raia de remo e canoagem da universidade da Marginal Pinheiros. No lugar, seria colocada uma grade.

Faltou perguntar aos atletas e professores que usam o espaço. Eles são contra porque medições apontaram que a obra aumentaria em 30% a poluição sonora e dobraria a poluição atmosférica.

“Estão tirando um filtro da gente”, resume o professor de remo e canoagem Marcos Massatoshi Ito.

A reclamação referente a poluição do ar está baseada num estudo do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP. Foram feitas seis medições em maio e elas mostraram que o muro impede o avanço da fuligem do trânsito. No lado da raia, existem 6,5 microgramas de poluentes por metro cúbico de ar. No outro lado do muro, as pessoas que passam pela Marginal Pinheiros convivem com 13,9 microgramas de poluentes por metro cúbico de ar.

No discurso de anúncio da derrubada do muro, o prefeito João Doria afirmou que a obra integraria a USP à cidade. A substituição é mais uma etapa do Programa Cidade Linda. Na ocasião, em 8 de maio, não havia o questionamento dos atletas. Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura enviou nota informando que defende o projeto, mas que detalhes devem ser tratados com a USP, responsável pela execução.

Desta maneira, a prefeitura também não comentou o resultado de um estudo sobre poluição sonora feito por uma empresa a pedido da revista "Veja SP". O trabalho apontou que na marginal o barulho chega a 85 decibéis. O nível é 30% superior aos 65 decibéis verificados na raia.

O professor de remo e canoagem Marcos Nassatoshito diz que a diferença é relevante porque ele precisa orientar os alunos para evitar colisões e que as embarcações encalhem. Ele ressalta que a qualidade do ambiente também é importante porque ao redor da raia há uma pista utilizada pacientes em recuperação de câncer e pessoas com deficiência.

A medida deixariam expostas a um risco a saúde pacientes que estão justamente tentando recuperar a saúde, declarou Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da universidade em entrevista ao "Jornal da USP". Ele sugeriu usar outras alternativas para integrar a USP com a cidade, como jardins 90º ou grafitar o muro. Outra alternativa sugerida pelos atletas é a colocação de placas de vidro.

A remadora Maria Luiza Camargo contesta o foco da iniciativa. Ela conta que o acesso a raia tem buracos e já ocorreu de cadeirantes caírem no local. “Tem coisa mais importante para ser feita”. A raia da USP é usada ainda por paratletas e atletas de clubes de São Paulo. Até mesmo o medalhista olímpico Isaquias Queiroz remou no local.

A USP foi procurada pelos atletas e professores do Centro de Práticas Esportivas da USP e pelo UOL Esporte, mas preferiu não se manifestar. A obra vai custar R$ 2,2 milhões e será bancada pela Prevent Sênior e pela GCL Brasil, empresa de equipamentos de iluminação pública. A derrubada já devia ter começado e a substituição estava programada para acabar neste mês. Até o momento, nada foi feito.

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