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Lula, Nuzman...7 nomes que foram a cara da Rio-16 e hoje encaram a Justiça

Arte UOL
Há 8 anos, 6 nomes foram a cara da Rio-2016. Hoje enfrentam a Justiça Imagem: Arte UOL

Do UOL, em São Paulo

06/09/2017 04h00

As fotos acima ilustram um Brasil que parece ter ficado para trás. Elas foram tiradas em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, quando a candidatura do Rio de Janeiro para receber a Olimpíada de 2016 venceu concorrentes de peso, vendendo ao mundo a imagem de um país em franca ascensão.

Era uma vitória pessoal para as trajetórias públicas de nomes como Luiz Inácio Lula da Silva, Carlos Arthur Nuzman e Sérgio Cabral Filho. Hoje, quase oito anos depois, a maioria das personalidades brasileiras presentes naquela histórica delegação está envolvida em escândalos de corrupção. João Havelange, inclusive, teve problemas com a Justiça, mas morreu ainda durante a Rio-2016.

Na última terça-feira, Polícia Federal e Ministério Público do RJ deflagraram uma operação batizada de Unfair Play. A ação é um desdobramento da Lava Jato e investiga compra de votos e pagamento de propinas na escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 – a cidade venceu as candidaturas de Madri, Tóquio e Chicago. 

1. CARLOS ARTHUR NUZMAN

O presidente do Comitê Olímpico do Brasil é apontado como suspeito de intermediar a compra do voto do representante do Senegal no Comitê Olímpico Internacional para a escolha da cidade do Rio de Janeiro. Para os procuradores, Nuzman é "figura central nas tratativas”. Na última terça-feira, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do presidente do COB e na própria sede da entidade.

2. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

O ex-presidente da República lida com uma série de acusações. Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão por receber vantagens ilícitas no caso tríplex do Guarujá e aguarda julgamento em segunda instância, que pode acabar com suas chances de concorrer a cargos públicos no próximo ano. O líder do PT ainda é réu em outros casos: corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia, lavagem de dinheiro e corrupção na Lava Jato, formação de quadrilha na Lava Jato, obstrução de Justiça na Lava Jato, corrupção na Operação Janus e tráfico de influência na Operação Zelotes.

3. SÉRGIO CABRAL FILHO

Segundo o Ministério Público do Rio, o ex-governador do Estado teria recebido mais de US$ 10 milhões (R$ 37 milhões) em propinas em esquema que envolveu a compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada. Conforme as investigações, a propina que o político recebeu veio da Matlock, empresa de Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur”. O MPF diz que Cabral pagou US$ 2 milhões para o senegalês Lamine Diack para comprar voto na escolha da sede.

Preso desde 2016, o ex-governador responde como réu a 11 processos. Em um deles já foi condenado a 14 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva, por pedir e receber vantagem indevida no contrato de terraplanagem do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), além de 12 crimes de lavagem de dinheiro.

4. EDUARDO PAES

O ex-prefeito do Rio não foi envolvido diretamente em nenhum desdobramento da Lava Jato, mas seu legado na preparação da cidade para receber a Olimpíada já foi atingido em cheio. Um ex-assessor direto de Eduardo Paes disse ter pago propina para comprar votos de membros africanos do COI para a escolha da sede da Olimpíada de 2016. Ruy Cezar Miranda ocupou o cargo de secretário extraordinário da Copa-2014 e Olimpíada desde o início da primeira gestão de Paes, em 2009.

Ruy Miranda é o terceiro auxiliar de Eduardo Paes citado em investigações da Lava Jato. O ex-secretário de Obras Alexandre Pinto e o ex-secretário de Ordem Pública e Assistência Social Rodrigo Bethlem respondem a processos. O primeiro está preso sob suspeita de cobrar propina em obras olímpicas, já o segundo lida com suspeita de envolvimento com empresários de ônibus.

5. CESAR MAIA

O ex-prefeito do Rio foi envolvido em uma investigação que mirava prioritariamente o filho, Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados. A investigação apontou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base em mensagens de celular trocadas com Leo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS.

Segundo a Polícia Federal, Rodrigo Maia prestou "favores políticos" e defendeu interesses da OAS no Congresso entre 2013 e 2014. O deputado teria pedido à empreiteira doações eleitorais no valor de R$ 1 milhão em 2014, dinheiro que foi repassado oficialmente à campanha do pai ao Senado. Isso, segundo interpretação da PF, foi uma tentativa de esconder a origem da propina.

6. ORLANDO SILVA

Ministro do Esporte à época da escolha do Rio como sede olímpica, Silva deixou a pasta em 2011, desgastado por denúncias em um caso de corrupção. O político do PCdoB foi acusado de ter participação em um esquema de desvio de dinheiro público do Segundo Tempo, um programa federal destinado a promover o esporte em comunidades carentes. Por conta da pressão por essa acusação, Orlando Silva deixou o Ministério do Esporte e atualmente cumpre mandato como deputado federal.

7. JOÃO HAVELANGE

O ex-presidente da Fifa e membro do Comitê Olímpico Internacional morreu em agosto de 2016, bem no meio dos Jogos do Rio. Em 2011, o dirigente teve de renunciar ao cargo no COI para evitar uma possível expulsão em razão de denúncias de corrupção. Havelange era investigado por ligações com a agência de marketing International Sport and Leisure (ISL), que declarou falência em 2001, com dívidas de 300 milhões de dólares.

Havelange foi acusado de receber US$ 1 milhão em troca que a ISL conservasse os direitos de transmissão do Mundial de Futebol, segundo denúncias difundidas em um documentário da emissora britânica BBC. Quando morreu, Havelange também era investigado pelo FBI por suposto envolvimento em outros episódios de propina na Fifa. A mesma investigação mirava Ricardo Teixeira, ex-genro do dirigente e seu apadrinhado político, que presidiu a CBF por mais de 20 anos.

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