Paraolimpíadas

Brasileiro assume comitê internacional e desponta em meio à queda de Nuzman

Matt Hazlett/Getty Images
Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro Imagem: Matt Hazlett/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

08/09/2017 08h14

Em eleição realizada nesta sexta-feira (08), o IPC (Comitê Paralímpico Internacional, na sigla em inglês) definiu que o brasileiro Andrew Parsons, vice-presidente desde 2009, será o novo mandatário da entidade. Ele substituirá o britânico Philip Craven, que ocupava o cargo havia 16 anos, e com isso despontará como principal liderança do esporte nacional em meio à derrocada de Carlos Arthur Nuzman, grande alvo de operação realizada nesta semana pela Polícia Federal.

Parsons entrou no CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) em 1997 para trabalhar como assessor de imprensa. Tornou-se secretário geral em 2001 e ascendeu à presidência em 2009, ano em que também passou a integrar a diretoria do IPC. Na eleição desta sexta-feira, venceu a chinesa Haidi Zhang, o dinamarquês John Petersson e o canadense Patrick Jarvis.

“Depois de 20 anos trabalhando por este movimento, é assombroso ser escolhido presidente dessa organização que percorreu um longo caminho diante de muitos problemas difíceis, mas que agora está mais forte do que nunca”, disse Parsons em seu discurso pós-eleição.

A vitória do brasileiro é especialmente significativa por causa do contexto. A presidência do IPC rendia a Craven um cargo no COI (Comitê Olímpico Internacional) – ele era membro desde 2003. Agora, o brasileiro deve ser indicado.

Essa trajetória de Parsons coincide com uma semana conturbada para Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil). O dirigente foi alvo de uma operação chamada “Unfair Play”, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (05). Além disso, fracassou em eleição à presidência da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) e renunciou ao comando da Odesur (Organização Desportiva Sul-Americana).

Parsons, contudo, está longe de ter passado incólume a denúncias. No ano passado, por quando realizou a Paraolimpíada no Rio de Janeiro e fez do evento o maior trampolim para sua eleição no IPC, o brasileiro viu o TCU (Tribunal de Contas da União) aprovar auditoria especial para investigar irregularidades em uso de dinheiro público no CPB.

Segundo o site “Inside the games”, a própria campanha de Parsons à presidência do IPC foi alvo de denúncias. A reportagem apontou a proximidade entre o dirigente e o próprio Nuzman e elencou suspeitas advindas dessa relação.

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