Esporte

Um ano após Rio-2016, Vila Olímpica tem 93% dos apartamentos encalhados

Julio Cesar Guimaraes/UOL
Vista da Vila Olímpica da Rio-2016 pouco antes do início dos Jogos Imagem: Julio Cesar Guimaraes/UOL

Leo Burlá e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

03/10/2017 04h00

A falta de legado resultante dos Jogos Olímpicos não se limita apenas ao aspecto esportivo. No aspecto econômico, novo fracasso. Um pouco mais de um ano após o término do evento, apenas 240 dos apartamentos da Vila dos Atletas foram comercializados, o que representa um índice de menos de 7% de negócios fechados.

Ao todo, o consórcio [formado pelas empreiteiras Carvalho Hosken e Odebrecht] ainda tem 3.364 apartamentos encalhados. As empresas alegam que apenas um lote de 600 unidades foi colocado à venda, mas o fiasco tem dimensões olímpicas. Desde que o Usain Bolt, Michael Phelps e outros astros do esporte mundial deixaram os 31 edifícios, a movimentação no local não lembra nem de longe o agito do período dos Jogos.

Em visita ao local, a reportagem pôde perceber o cenário de abandono de um local que já não tem a badalação de outrora.

"A gente comprou com a expectativa de ter praticamente um bairro aqui dentro, uma vila mesmo. Mas está longe disso. Há um aspecto de solidão, parece que estamos isolados. Dentro de um universo, somos pouquíssimos. Vai ser bem difícil se adaptar lá dentro. Cheguei a pensar em revender, mas a desvalorização foi enorme", disse um empresário de 38 anos que adquiriu uma das unidades, mas que ainda não se mudou definitivamente para a "Ilha Pura".

Problemas já na Rio-2016

Bruno Doro/UOL
Delegação da Austrália chegou a se recusar a ficar na Vila nos primeiros dias Imagem: Bruno Doro/UOL

A Vila foi uma das pedras no sapato da organização da Olimpíada. Tão logo a delegação da Austrália chegou, Kitty Chiller, Chefe da Missão do país, reclamou de problemas estruturais nas instalações. As falhas foram solucionadas, mas fato é que a obra foi entregue longe das condições ideais.

A crise econômica também jogou contra a empreitada. Devido à retração da economia, ficou decidido que as demais unidades só serão colocadas à disposição quando houver capacidade de absorção do mercado imobiliário e que a venda em conta-gotas faz parte dos estudos feitos na época da concepção do projeto, segundo informação da assessoria de imprensa do Ilha Pura.

Os imóveis estão orçados entre R$ 750 mil e R$ 3 milhões, mas o desafio de reaver o investimento de cerca de R$ 2,4 bilhões de reais será uma verdadeira maratona.

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