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Demitida do Rio-2016 por "roubo" fala sobre Nuzman preso: "Vivi uma farsa"

Arquivo pessoal
Renata Santiago durante os Jogos de Londres-2012 Imagem: Arquivo pessoal

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

13/10/2017 11h00

Acusada de furtar documentos confidenciais durante os Jogos de Londres-2012, Renata Santiago, ex-funcionária do Comitê Rio-2016, assistiu, do sofá de casa, a derrocada de Carlos Arthur Nuzman, preso por suposto envolvimento na compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica.

Para os de memória curta, Renata foi uma das protagonistas de um escândalo de dimensões olímpicas. Na edição que antecedeu a Olimpíada carioca, os organizadores londrinos acusaram colaboradores brasileiros de furto. Sem direito a explicação, todos aqueles que participavam de um programa de transferência de conhecimento entre as sedes foram sumariamente demitidos por Nuzman, em um caso sem comprovação alguma até os dias de hoje.

Apesar de passados cinco anos do ocorrido, Renata ainda cumpre a sua "pena". Retirada do Comitê Rio-2016, conviveu com a rejeição em diversos processos seletivos para emprego. Taxada de "ladra", teve de conviver com a queda do padrão de vida. De volta à sala de aula, voltou a lecionar espanhol, algo que não fazia mais parte de seu plano de vida. Sem grana, voltou a morar com a mãe. Desta vez com o marido e os filhos. Apesar das dificuldades, afirma que não consegue se alegrar com a queda de quem a derrubou um dia.

"Eu idolatrava o Nuzman. Eu até poderia imaginar que houvesse lobby para a escolha das sedes, mas não com dinheiro envolvido. Não consigo ficar feliz com nada disso, vivi uma farsa por 12 anos. Para que as noites viradas em Copenhagen (local da eleição) se já estava tudo armado mesmo?", disse Renata.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Mesmo com o ex-chefe na prisão, Renata disse que ainda tem contas a acertar com seu antigo empregador. Corre na 10ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) uma ação que pode esvaziar ainda mais os já vazios cofres da Rio-2016. Em 2013, Renata entrou com uma ação trabalhista e exige reparações por perdas e danos. O valor total da causa pode chegar a R$ 2 milhões, mas ela não conseguiu a reparação desejada ainda. Em 1ª instância, o juiz Pedro Figueiredo arbitrou a causa em R$ 500 mil, valor não aceito pela defesa, que entrou com recurso.

"Eu fiquei desempregada, meu nome ficou sujo, mas o que aconteceu (prisão) não me traz um gosto de vingança, de vitória pessoal. Não é que tenha pena, mas fico imaginando um cara desses dormindo num colchão da cadeia", contou.

Renúncia e pedido negado

A última quarta-feira não foi das mais fáceis para o ex-mandatário do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Por meio de carta, Nuzman renunciou ao cargo de presidente. Com a cadeira vaga, Paulo Wanderley, que exercia interinamente a função, assume efetivamente.

Horas mais tarde, o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª região, indeferiu o pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-presidente do COB. Com isso, o dirigente, preso desde a última quinta-feira, seguirá detido preventivamente.

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