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Quem é o golfista que retornou após 27 cirurgias e mais de 2 cm menor

Warren Little/Getty Images
Cayeux ficou sete anos longe do golfe se recuperando do grave acidente Imagem: Warren Little/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

02/12/2017 04h00

Foram 27 cirurgias, sete semanas na UTI, três meses no hospital e quatro anos reaprendendo a andar. Nesse período, depressão pós-traumática e um aborto de sua mulher pioraram ainda mais a situação. Mas Marc Cayeux, golfista do Zimbábue, passou por tudo isso e contrariou inúmeras previsões ao voltar a jogar golfe profissionalmente, mesmo depois de precisar “encurtar” suas pernas.

Há algumas semanas, depois de sete anos sem competir, Cayeux conseguiu passar pelo “cut” de um torneio na África do Sul e avançou na disputa. Não brigou pelo título, mas o simples fato de ir adiante no torneio já significava a maior vitória de todas para quem sofreu um gravíssimo acidente de carro e quase perdeu um pé.

Em setembro de 2010, um caminhão da polícia do Zimbábue atropelou uma vaca, perdeu o controle e bateu fortemente no carro de Cayeux. Depois de desmaiar, despertou ouvindo o amigo, que estava no carro da frente, dizendo para ele sair rapidamente porque o veículo acidentado estava pegando fogo depois de capotar.

“Eu tentei mover minha perna esquerda enquanto empurrava meu corpo pelo telhado do carro. Consegui me sentar, levantei a perna e vi meu pé pendurado. Foi uma visão muito dolorosa e muita coisa passou pela minha cabeça”, contou ele à BBC.

Cayeux havia sofrido múltiplas fraturas na perna direita e estava com o pé esquerdo praticamente "pendurado" na perna, balançando. Um corte profundo do lado direito do abdômen também era grave.

Reprodução/Facebook
Cayeux e sua família depois de seu retorno aos campos de golfe Imagem: Reprodução/Facebook

Para piorar, ele e o amigo demoraram quatro horas entre conseguir convencer os policiais que precisavam ir embora em busca de ajuda até chegarem à capital Harare. O drama continuou quando o primeiro ponto de atendimento só tinha um analgésico e antitérmico comum para aplicar no golfista, que vivia uma dor “extenuante”, segundo ele.

Foram 18 horas no total até Cayeux receber o tratamento adequado, já na África do Sul, para onde foi de helicóptero. “Meu medo era que os médicos optassem pela solução mais ‘simples’ e amputassem meu pé. Meu irmão tratou de convencê-los do contrário, reforçando que eu era jogador profissional e precisaria muito do pé”, relatou.

Durante o longo período em que ficou no hospital, das semanas na UTI aos três meses de internação, o golfista do Zimbábue ainda precisou entrar em isolamento por culpa de uma infecção.

Dezenas de cirurgias que se seguiram para corrigir todos os problemas, e Cayeux soube que sua perna direita havia ficado 2,54cm menor devido a um reparo no fêmur. Ele, então, pediu para o médico fazer o mesmo na outra perna para igualar o tamanho de ambas, já projetando um retorno futuro ao golfe.

“A parte boa é que agora tenho mais espaço quando viajo na classe econômica”, brincou o golfista, cujo bom humor às vezes é a única arma possível para lutar contra as dores permanentes.

“Seria incrível ter um dia inteiro sem dor, mas a realidade é que isso nunca vai acontecer, então tenho que seguir com as coisas como são”, pondera Cayeux.

Nos torneios que disputou após retornar, ele evita as caminhas entre um buraco e outro ao máximo, mesmo sabendo que o exercício é fundamental para fortalecer suas pernas. Tudo para fugir da dor e de mais remédios. “Mas agora meu objetivo é curtir o golfe novamente, sem grandes metas”.

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