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Prodígio da NFL vence luta contra drogas e álcool e agora busca brilhar

Harry How/Getty Images/AFP
Josh Gordon voltou aos campos após quase três anos de suspensões e polêmicas Imagem: Harry How/Getty Images/AFP

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

06/12/2017 04h00

Em seu segundo ano na NFL, o wide receiver Josh Gordon surpreendeu a todos. Com a concorrência de Calvin Johnson, um dos melhores jogadores da história da posição, Gordon liderou toda a liga em jardas aéreas – 1.646, isso sem jogar as duas primeiras partidas da temporada de 2013.

O Cleveland Browns, um dos piores times da liga neste século, parecia ter acertado em cheio na aposta feita no draft de 2012, pois Gordon teve um bom ano de estreia e logo despontou entre os melhores da posição na temporada seguinte. No entanto, em 2013, tiveram início os problemas que virariam crônicos. A sensação de Cleveland virou decepção por abusar das drogas e o álcool, acumulando suspensões com a duração de temporadas inteiras. Até a última semana.

Após duas temporadas sem pisar em campo, Gordon voltou a jogar pelos Browns no último domingo (3) – e o fez bem. Liderou o time em jardas contra o Los Angeles Chargers e mostrou em flashes que ainda é aquele recebedor que impressionou a liga há quatro anos. Os Browns perderam. Pela 12ª vez em 12 jogos. Para Gordon, 26 anos, já foi uma vitória estar lá, 1078 dias após seu último jogo oficial.

Usuário de maconha desde os tempos do futebol americano universitário, período no qual foi pego em três testes antidoping, Gordon foi suspenso pela primeira vez na NFL em sua segunda temporada como profissional. Por um acordo da liga com a associação de atletas, não foi divulgado oficialmente qual substância usada violou as regras, mas os Browns e Gordon argumentaram que foi por uso de antibióticos e remédios contra tosse, que continham codeína.

Àquela altura não havia maiores preocupações, afinal nos 14 jogos que ele realizou, foi o melhor da NFL e estabeleceu recordes históricos, como o de mais jardas em duas partidas consecutivas (498). Só que, antes da temporada de 2014, os problemas extracampo saíram do controle.

David Richard/AP
Imagem: David Richard/AP

Em julho de 2014, Gordon foi detido pela polícia da Carolina do Norte por dirigir sob efeito de alguma substância. Em agosto, uma notícia aguardada desde o primeiro semestre daquele ano se concretizou: flagrado em novo exame antidoping, o recebedor foi suspenso por toda a temporada.

Podendo apenas trabalhar com os treinadores da academia dos Browns e fora das atividades táticas, o jogador apelou da decisão da liga, porém seu pedido foi rejeitado. Entretanto, um novo acordo entre a NFL e a NFLPA (associação dos jogadores) permitiu que os afastamentos em casos com o de Gordon fossem reduzidos a dez partidas. Liberado para jogar, o recebedor não teve um final de ano feliz.

Ele participou de cinco partidas, mas em apenas uma delas teve um impacto significativo. Não bastasse isso, foi suspenso pelos próprios Browns do último jogo da temporada por quebrar regras internas.

A situação não melhorou em 2015. Testado novamente pela NFL, ele foi flagrado por ter consumido álcool, motivo assumido de sua prisão no ano anterior. Como havia entrado no programa de abuso de substâncias da liga, acabou suspenso sem salário por tempo indefinido. Dessa vez, Gordon foi afastado para valer de toda a temporada, precisando de um pedido formal para ser reintegrado à liga.

Ele o fez em janeiro de 2016, mas teve o pedido negado, pois falhou em novo teste de substâncias, dessa vez por uso de maconha. A liberação acabou ocorrendo em julho, quando o atleta participou dos treinos de pré-temporada sabendo que não poderia atuar nos quatro primeiros jogos daquele ano.

Antes disso chegar, no entanto, Gordon tomou uma medida drástica e se internou em uma clínica de reabilitação. “Após pensar cautelosamente e considerar profundamente, eu decidi que preciso me afastar de um retorno aos Browns e minha carreira no futebol americano para entrar em uma clínica de reabilitação. Essa é a decisão certa para mim e espero que me permita recuperar controle total da minha vida e continuar em um caminho para chegar a todo meu potencial como pessoa”, declarou na época. Ele também agradeceu o apoio recebido pela decisão tomada.

O roteiro de 2016 se repetiu neste ano. Gordon pediu reintegração em março, mas ouviu um “não” em maio. O retorno só se deu em novembro, após uma permissão condicional. O atleta voltou a trabalhar com o time, sendo liberado pela treinar no último dia 20 e para jogar a partir do dia 27 (segunda-feira da última semana).

O período serviu para Gordon admitir erros do passado. Em entrevista à revista “GQ”, o atleta assumiu que nunca jogou uma partida sóbrio. “Nós ficávamos no hotel do time, então os jogadores são liberados para voltar para casa, pegar o que precisam e então ir para o jogo. Eu deixava o hotel de manhã, ia para casa, tomava o café da manhã, fazia meu pequeno ritual, qualquer que seja ele, com um pouco de erva, um pouco de álcool, e então ia para o jogo. Depois, eu ia festejar depois de cada jogo, seja após vitória ou derrota. Todo jogo”, revelou.

Ao que tudo indica, isso ficou para o passado. Ainda jovem, com 26 anos, Gordon abraça a chance de se firmar entre os melhores da NFL. Bom para ele e para os Browns, que há vivem anos sem esperanças para dias melhores. Com a volta de uma de suas principais promessas, a possibilidade de algo positivo no futuro voltou a existir.

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