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Ela é confundida com homem e sofre com aparência: o drama de uma jogadora

Matt Roberts/Getty Images
Fisher é careca por culpa de uma doença chamada alopecia Imagem: Matt Roberts/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

10/12/2017 04h00

Ela já foi abordada pela polícia algumas vezes, em diferentes países, pelo mesmo motivo: estar no banheiro feminino. Outras mulheres a confundiram com um homem e por isso chamaram as autoridades locais. A causa do frequente mal-entendido envolvendo Heather Fisher, jogadora da seleção inglesa de rúgbi, é uma doença que a deixa careca, além do fato de ser muito forte.

A "alopecia nervosa", que incomoda Fisher, se caracteriza pela redução parcial ou total de pêlos ou cabelos em determinadas áreas do corpo. Segundo ela, o problema é resultado de um estado intenso de ansiedade que começou na adolescência.

“Eu me sentia muito feia e, de certa forma, ainda me sinto. Não me sinto atraente porque, como mulher, você sempre quer ter cabelo, mas eu não tenho. Toda hora me perguntam se tenho câncer e se já estou melhor”, relatou ela ao “El Confidencial”. “E me confundem com homem o tempo todo”.

"Perdi o controle da minha existência"

David Rogers/Getty Images
Heather Fisher, atleta do time britânico de rúgbi, durante a disputa da Rio-2016 Imagem: David Rogers/Getty Images

Fisher tem 33 anos e sofre com problemas de saúde desde os 12, quando o pai deixou sua casa. Na época, ela precisou enfrentar outra doença grave, a anorexia.

“Perdi o controle da minha existência. Tudo estava tão mal e tinha tanta raiva dentro de mim que a única coisa que eu podia fazer era deixar de comer”, revelou. “Eu sabia que estava muito magra e precisava de ajuda”.

Foi um nutricionista quem conseguiu tocar num ponto importante para fazer Fisher se tratar. Como ela praticava remo desde pequena e sonhava disputar uma Olimpíada, o especialista alertou: “você nunca será uma atleta se não comer”.

O aviso deu resultado. A garota passou a se alimentar melhor, mas a ansiedade lhe causou a alopecia, doença que ainda a afeta. O rúgbi, então, entrou na sua vida quase como uma salvação.

Fisher diz que o ambiente do rúgbi é o único em que sua aparência não lhe causa constrangimentos ou situações embaraçosas. Além disso, foi graças à modalidade que ela realizou seu maior sonho: Fisher esteve no Rio disputando a última edição da Olimpíada.

Depois de começar no remo, a inglesa ainda praticou badminton e bobsled antes de chegar ao esporte da bola oval. E ela conta que é o rúgbi que a ajuda a superar os momentos ruins, quando até olhar para o espelho pode se tornar um problema.

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