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Ele virou ícone contra racismo, mas deve sofrer em tribunal dos EUA

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Kaepernick trava batalha contra as equipes da NFL para provar que foi vítima de conluio Imagem: AP

Do UOL, em São Paulo

24/12/2017 04h00

Colin Kaepernick virou sinônimo da luta contra as injustiças raciais nos Estados Unidos. Foi eleito cidadão do ano pela revista GQ americana, ganhou prêmio por sua contribuição social por meio do esporte e é apontado por estrelas mundiais como um ícone pela igualdade racial. Mas o quarterback é um grande “azarão” na batalha por sua carreira como jogador.

O reconhecimento por sua dedicação social não deve ajudá-lo em termos práticos na disputa judicial que move contra a NFL e as equipes de futebol americano. Ele acusa os times de conluio para mantê-lo fora da liga depois de iniciar os protestos contra as injustiças raciais.

Uma análise feita pelo “The New York Times”, baseada em opiniões de especialistas locais no tema, mostra que Kaepernick terá muita dificuldade para provar um acordo entre os times, mesmo que isso tenha acontecido.

Empresas terceirizadas serão responsáveis por coletar eventuais provas, fazendo uma varredura em computadores, telefones e outros meios que poderiam ter sido usados por responsáveis pelas equipes. Kaepernick acusa os dirigentes de terem combinado para que ninguém o contratasse para a atual temporada da NFL.

Sem emprego desde o início do ano, o quarterback viu mais de 20 jogadores de sua posição assinarem contratos, incluindo atletas saindo de aposentadoria e outros apontados pela mídia especializada como muito inferiores a Kaepernick.

O problema, de acordo com os especialistas, é que muitos fatores são levados em conta na contratação de um jogador, de temperamento a custo-benefício, passando por estilo de jogo e necessidade de cada elenco.

No processo judicial, caberá a cada time provar isoladamente que a escolha por outro quarterback teve qualquer uma das motivações citadas acima. Sem uma prova física que mostre o contrário, Kaepernick terá uma argumentação vulnerável, avalia o levantamento do “The New York Times”. Casos como o dele costumam parar na corte federal dos EUA.

Mas mesmo se conseguir expor qualquer tipo de acordo feito para prejudicá-lo, Kaepernick terá como prêmio uma compensação financeira calculada com base nos ganhos de sua carreira, e não a garantia de que voltará a jogar futebol americano profissionalmente nos Estados Unidos. Afinal, a justiça não pode obrigar nenhum time a contratar um jogador.

Uma vitória palpável para Kaepernick, destaca o jornal americano, seria a NFL e os times oferecerem um acordo financeiro para o quarterback para evitar um maior desgaste da liga durante as etapas do processo. Neste caso, porém, a NFL ou as equipes não reconheceriam nenhum eventual erro cometido contra o jogador.

Na prática, Kaepernick ganharia dinheiro, mas não o reconhecimento público por parte da liga, algo que poderia soar como uma derrota moral para o quarterback.

Por fim, em todas as hipóteses, Kaepernick provavelmente terá que se conformar em ficar uma temporada inteira sem jogar, considerando que o fim da NFL é em fevereiro. Ao menos diante da justiça americana, as perspectivas do jogador não parecem nada animadoras.

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