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Finalista da NFL doou salário anual de R$ 3 milhões para financiar educação

AP Photo/Patrick Semansky
Com a família, Chris Long comemora a classificação do Philadelphia Eagles ao Super Bowl Imagem: AP Photo/Patrick Semansky

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

31/01/2018 04h00

Você abriria mão de um salário anual de US$ 1 milhão (R$ 3,1 milhão na cotação do dia) para valorizar princípios? Para Chris Long, usar a remuneração que receberia do Philadelphia Eagles nesta temporada da NFL para financiar educação virou questão de honra após ele presenciar, em agosto de 2017, grupos de supremacistas brancos insultarem e agredirem negros e grupos antirracismo em Charlottesville, cidade norte-americana onde cresceu, estudou e iniciou carreira no futebol americano - três pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas nos confrontos.

Inicialmente, Long resolveu doar o equivalente ao que receberia pelos seis primeiros jogos do campeonato para bancar a formação de duas crianças por sete anos, até a conclusão do ensino médio. Quem administra as bolsas de estudo é a St. Anne's-Belfield School, colégio frequentado pelo jogador na infância. Em seguida, ele abriu mão do restante do salário para lançar a campanha Pledge 10 for Tomorrow, que levanta fundos para apoiar projetos de fomento à educação nas três cidades onde atuou na NFL - St. Louis, Boston e Filadélfia.

"Assistimos às pessoas invadirem as ruas da cidade com ódio e fanatismo. Decidi tentar enfrentar o problema com investimento próprio. Nossa cidade é maravilhosa, e acho que as pessoas ficaram com uma impressão errada sobre os cidadãos de Charlottesville”, explicou o jogador à ESPN dos Estados Unidos na ocasião.

Ajudar jovens a ter uma base de conhecimento mais ampla é a principal recompensa da ação que está promovendo, mas Chris Long também poderá desfrutar de reconhecimento esportivo. Atual campeão do Super Bowl, ele terá a chance de conquistar o bicampeonato da final da NFL comandando a defesa dos Eagles diante do New England Patriots, justamente a equipe que o levou ao título no ano passado. A partida será neste domingo (4), às 21h30 (de Brasília), no US Bank  Stadium, em Minneapolis.

Aos 32 anos e na liga há dez temporadas, Long é defensive end, compõe a linha defensiva do Philadelphia Eagles. A função primordial dele é conter avanços ofensivos e tentar chegar ao quarterback adversário para neutralizá-lo. Dedicar-se à defesa também faz parte do DNA de atleta fora de campo. Ele aproveita a fama e a projeção que a NFL lhe proporciona para realizar filantropia e se posicionar como ativista.

Em 2015, Long participou de uma expedição ao Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, o ponto mais alto da África, com 5.895 metros, e se sensibilizou com as condições de pobreza da população local. Foi o pontapé inicial para a criação da ONG Waterboys, que arrecada verba para a construção de poços com água potável na região. Por meio de doações, pretende criar 32 pontos de captação de água, representando os 32 times da NFL. Segundo o site do grupo, a instalação de cada poço custa US$ 45 mil (R$ 142 mil) e pode servir a 7.500 pessoas. 

Em conjunto com outros jogadores da liga e de veteranos de guerra, o Waterboys promove uma escalada anual ao Kilimanjaro também para angariar fundos e promover justiça social. A edição de 2018, duas semanas após o Super Bowl, terá como meta juntar US$ 150 mil (R$ 475 mil).

Vira-latas da NFL

Bill Streicher-USA TODAY Sports
Imagem: Bill Streicher-USA TODAY Sports

Até uma brincadeira promovida nos playoffs virou ação beneficente. Alguns jogadores usaram máscaras de cachorros na comemoração pela vitória sobre o Minnesota Vikings, na final da Conferência Nacional, uma provocação aos que consideravam os Eagles como azarões na caminhada rumo ao Super Bowl. A NFL, atenta à repercussão nas redes sociais, lançou uma edição comemorativa de camisetas do Philadelphia com rostos de cachorros. Long interveio, e sugeriu no Twitter que a liga deveria doar o lucro para a caridade. Horas depois, a NFL anunciou que 100% das vendas seriam revertidos a projetos educacionais.

Long também é ativista político. No ano passado, ao ser campeão do Super Bowl pelos Patriots, ele recusou convite para ir à Casa Branca visitar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evento tradicional das ligas locais. Se vencer a final novamente neste ano, o defensor já antecipou que declinará o chamado de novo.

Ele também foi voz ativa durante os protestos que jogadores negros da NFL promoveram no início desta temporada, ajoelhando-se durante a execução do hino nacional norte-americano, em protesto ao racismo e à violência policial contra afrodescendentes no país.

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