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Brasileira salta de penhasco e impressiona público: nos acham suicidas

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

14/04/2018 04h00

Para Jaqueline Valente é fácil impressionar. Só precisa contar que pratica salto de penhasco. A pessoa fica de boca ainda mais aberta se presenciar uma mulher se atirar de 22 metros de altura e fazer rodopios enquanto o corpo despenca em queda livre. E ainda tem o barulho do impacto com a água.

“O estrondo parece que arrebentou o pé da pessoa. Já vi pessoas gritando. Apesar de sermos profissionais, acham que somos suicidas, malucos”.

Mas fica uma pergunta. Em que altura de seus 32 anos de vida ela descobriu este talento? “Foi trabalhando num show em Macau (China). Falavam que eu podia tentar fazer o high diving. Fiquei com curiosidade, experimentei e achei legal”.

Só que estar a 22 metros de altura nem sempre é confortável. A atleta tem medo e ele se manifesta em maior intensidade numa situação curiosa. “Até hoje, se vou para beira da plataforma com roupa normal, como tirar uma selfie no começo da competição, fico com muito medo. Mas se vou de maiô, sunga eu me sinto muito bem”.

Reprodução Instagram
Imagem: Reprodução Instagram

Companheira de treinos de Daiane dos Santos

Jaqueline começou no esporte como ginasta. Gaúcha, treinava com Daiane dos Santos. As duas foram juntas para a seleção brasileira. Mas depois de uma cirurgia por causa de uma contusão grave no cotovelo, Jaque ficou com limitação de movimento. Fim da linha para o projeto olímpico.

Longe das Olimpíadas de 2000, ela experimentou o momento fossa, engordou e se abandonou o esporte de alto rendimento. Mas uma nova carreira surgiu. “Me chamaram para show na Alemanha de apresentação de ginástica olímpica. Era outro nível, nada muito exigente para mim. Fiquei nove meses. O convite voltou a acontecer e na terceira vez minha mãe falou: ‘tem que prestar atenção nisso’. Ela tinha razão, virou profissão”.

Reprodução Instagram
Imagem: Reprodução Instagram

Professor do YouTube ensinou até pole dance

As piruetas levaram ao circo e Jaqueline construiu seu nome. Neste caminho, aprendeu diversas técnicas e se juntou a profissionais que se apresentam em espetáculos ao estilo Cirque de Soleil. O conhecimento que ela precisava para a nova atividade não se ensina em universidades ou escolas. As oportunidades de trabalho a fizeram digitar coisas como pole dance na internet. “Quem me ensina é YouTube. As vezes alguém me ajuda. Mas a grande maioria das vezes sou eu com ajuda do meu marido e do YouTube”.

Como Jaque tem coragem de sobra, logo depois de dominar o pole dance, estava repetindo os movimentos em alturas que não aceitam erros. Mesmo correndo tanto risco, a única lesão sofrida em anos de aventuras circenses foi similar a um acidente doméstico. Escorregou em um tapete durante uma apresentação em Abu Dhabi em 2013.

O diagnóstico foi de lesão de jogador de futebol: rompimento de ligamento cruzado anterior do joelho direito. A cirurgia não podia vir em pior hora. “Me convidaram e eu não pude. Fiquei bem chateada. Estava com a perna para cima, incapaz de fazer qualquer coisa. Não sabia se conseguiria me recuperar. Também achei que podiam não me chamar mais, achar ‘essa menina já era’. Mas me chamaram no ano seguinte”.

Um mundo novo, e bem alto, se abriu para Jaque. Foi mais um passo inusitado numa vida que não seguiu planos convencionais. Uma trajetória da qual ela não reclama nem um pouco.

“Foi um destino, mas um destino bom. Se eu parar para pensar é uma coisa bem doida. Não dá para comparar com ninguém. Nunca imaginei que ia casar com um polonês, por exemplo. Mas faria tudo igualzinho e tudo faz sentido”.

Além de saltadora de penhascos, Jaque virou uma colecionadora de aventuras. Mas tem uma coisa que a atleta fala que não conseguiu: dinheiro. “Eu queria poder te dizer que tenho ambos, mas tenho somente histórias de aventuras. Estou em busca de patrocinadores e se aparecer algo, mudo a resposta”, diverte-se em responder em meio a risadas.

No pain no gain!!!

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