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Nem rapper, nem Curry. Novo dono de time da NFL é ricaço que odeia Trump

John Bazemore/AP
Imagem: John Bazemore/AP

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

02/06/2018 04h00

Há duas semanas o Carolina Panthers foi vendido por 2,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 8,5 bi) no maior negócio da história da NFL. O comprador não é Stephen Curry ou o rapper P. Diddy, como chegou a ser especulado nos últimos meses, e sim o bilionário David Tepper, uma figura peculiar que não perde a oportunidade de xingar publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Tepper tem patrimônio declarado de 11 bilhões de dólares e é descrito pela revista Forbes como “indiscutivelmente o maior gestor de fundos de cobertura de sua geração”, o que quer dizer que ele sabe tudo de qualquer investimento não tradicional, como Bolsa de Valores ou renda fixa. Ele está no ramo há 25 anos, aproveitou-se da Crise de 2008 e agora, aos 60 anos, gastou mais de um quinto de sua riqueza para comprar os Panthers.

Tepper mergulha na NFL sendo mais conhecido por suas declarações fortes do que pelos êxitos econômicos. Em 2016, na eleição presidencial dos EUA, ele originalmente apoiou Jeb Bush nas primárias do Partido Republicano; mudou de candidato ao longo do processo; e ao final passou ao lado Democrata e respaldou Hillary Clinton. Na TV, caracterizou Trump de “o pai da mentira” e pouco depois o chamou de “demente, narcisista e desprezível”.

O presidente, por sua vez, não parece tratar Tepper como antagonista — nenhum de seus venenosos tweets recentes faz referência ao novo dono dos Panthers. O problema de Trump é com a NFL, mesmo. Depois de tentar processar a Liga na década de 1980, quando controlava uma franquia de uma liga concorrente, no ano passado ele forçou queda de braço com jogadores que se ajoelharam durante o hino nacional (chegou a discursar contra os ‘filhos da p…’, em suas palavras).

Para Tepper, a compra dos Carolina Panthers é um negócio de oportunidade, mas uma aposta alta. O antigo dono da equipe, Jerry Richardson, despede-se em meio a uma série de denúncias de má conduta e assédio moral, racial e sexual. Desta forma a venda é uma tentativa de esfriar as investigações da NFL, que de certa forma já estão sendo deixadas em segundo plano. Por outro lado, o valor recorde impressiona por tratar-se de uma franquia de alcance médio, que não faz parte dos maiores mercados da Liga.

Aprovado de forma unânime pelos demais donos de franquias, Tepper deve oficializar a aquisição dos Panthers em julho. Ele já era dono de 5% do Pittsburgh Steelers, fatia que terá que vender para assumir a equipe de Carolina.

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