Topo

Esporte

Presidente do COB: "Não dá pra pensar na extinção do Ministério do Esporte"

Divulgação/COB
Paulo Wanderley completa um ano à frente do COB nesta quinta-feira Imagem: Divulgação/COB

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

11/10/2018 04h00

Paulo Wanderley completa um ano como presidente do Comitê Olímpico do Brasil nesta quinta-feira. O dirigente, que vem trabalhando na reestruturação da entidade, faz um alerta sobre o futuro do esporte diante do atual cenário político do país. Afirma que o COB não se envolve com questões políticas, mas considera importante que o Ministério do Esporte não seja extinto.

“Como dirigente esportivo, quero que o futuro presidente eleito tenha a compreensão que o esporte não pode retroagir nas conquistas que obteve até o momento”, diz. “Não dá para pensar na extinção do Ministério do Esporte, por exemplo”.

Ele assumiu o COB um ano após as Olimpíadas do Rio de Janeiro, ao substituir o ex-presidente Carlos Arthur Nuzman que renunciou por responder a processos de corrupção. Wanderley, que construiu sua carreira como dirigente da Confederação de Judô, era vice-presidente até assumir o cargo máximo.

Em sua gestão, tem cortado gastos. Começou com demissão de pessoal e até mesmo trocou a sede da entidade para o Parque Aquático Maria Lenk - que já era usado como centro de treinamento. As medidas foram adotadas para lidar com a debandada dos investidores e devolver a credibilidade ao COB. Em entrevista ao UOL Esporte, ele fala sobre o projeto para as Olimpíadas de Tóquio e a busca de um patrocinador que, ele espera, seja confirmado até o início de 2019.

Busca por patrocínio

"Nós tivemos um ano de Copa. Junte isso com a questão política e estava tudo imobilizado. Pudemos entrar em campo novamente a partir do segundo semestre. Estamos na prospecção. Já temos bons contatos, boa aceitação, mas nada ainda concretizado. Mas em via de concretizar novos apoiadores para o Comitê Olímpico."

"Eu prefiro não dar números. O que eu posso garantir é que a prospecção já foi iniciada, já fizemos mais de dois contatos com patrocinadores nacionais e internacionais e haverá uma definição mais concreta a partir do final deste ano e início do próximo. Porque agora as empresas estão montando seus projetos, estão montando seus orçamentos. As agências que tratam dessa situação dentro das empresas estão fechando [orçamentos] até o fim do ano. Antes disso, não dá para antecipar nada."

"Seria leviano dizer que não [se o período eleitoral afetou a busca por parcerias]. As atenções da política, da população, do empresariado, do governo especificamente, estão todas voltadas para essas questões emergenciais, imediatas que estão aqui na porta, que são as eleições. Tenho a segurança que, passado esse período, haverá um progresso maior na retomada do crescimento da nossa área."

Realidade quando assumiu e saída de investidores

"Era a mesma realidade do Brasil, com essas situações políticas que refletem na economia. A área privada em retração, não querendo se arriscar. São conjunturas. Juntaram-se todas ao mesmo tempo e, infelizmente, caiu [a mudança de diretoria do COB] nesse exato momento do Brasil, da economia brasileira, do esporte brasileiro."

"No ciclo de 2009, quando nós ganhamos a candidatura dos Jogos de 2016, foi natural que um evento como esse trouxesse mais investimentos, mais aporte de recursos. Não só governamental, mas privado. O evento foi realizado no Brasil, existia muita expectativa, muito comprometimento com resultados. É claro que houve um investimento maior, atípico. O retorno a patamares inferiores era previsível. Acontece não só com o nosso país, mas com países que realizaram eventos desse porte. Vai muito da conscientização que o problema existe. E vamos contornar. Não vamos ficar lamentando o que está acontecendo."

Imagem abalada por corrupção

"No momento em que assumi, evidentemente que sim [a imagem do COB estava abalada pelas denúncias de corrupção]. Nos meses de outubro e novembro, até o início de dezembro, as coisas realmente ficaram bastante abaladas. Impossível dizer que não afetou. Afetou sim. O que eu posso garantir é que as medidas tomadas estão favoráveis ao momento atual do Comitê Olímpico. Tivemos as questões do Comitê Olímpico Internacional [que suspendeu o ex-presidente Nuzman em 2017], mas estamos, hoje, totalmente conformes. Tivemos a assinatura do pacto com o governo e estamos totalmente sanados. A imagem do COB é uma realidade, está em franca ascensão, no lugar que realmente merece. É uma instituição de 104 anos de idade que não poderia ficar eternamente numa situação daquela. Foi um vendaval que passou."

Hora de apontar o dedo?

"Isso cabe aos historiadores, não entro nessa história, não. Os historiadores é que vão analisar no futuro, fundamentados na realidade desse momento que estamos passando. Eu estou cuidando do presente e mudando o futuro."

Reestruturação do COB

"Tudo aquilo que foi falado está sendo praticado. Com relação a austeridade, meritocracia e com relação a transparência. O COB hoje é uma entidade mais transparente, as pessoas sabem o que nós estamos fazendo e como estamos fazendo. Em termos de meritocracia, criamos os critérios para distribuição de recursos para as confederações fundamentados em 11 itens, entre eles a questão esportiva, mas tem também a questão da governança nas confederações. Austeridade, cumprimos aquilo o que foi previsto, a redução de gastos e a otimização dos recursos no enxugamento da folha, redução de postos de trabalho e tivemos contratos negociados."

"Posso citar um item: a redução de custos de fornecedores. Na área de TI, após a contratação de uma empresa de auditoria e gestão nessa área, tivemos sensivelmente reduzido o número de pessoas atuantes na área em uma economia aproximada ao ano de R$ 7,5 mi." 

Dívidas trabalhistas após cortes

"De fato aconteceu. Muitos colaboradores foram desligados. Isso naturalmente implica num custo alto, pessoas que têm 15 anos de casa, outros mais recentes, cinco, seis anos, em nível de diretoria, nível de gerência. Naturalmente, tem custo alto no desligamento, mas isso será recuperado evidentemente."

Esporte na disputa presidencial

"O Comitê Olímpico tem por estatuto não se envolver em questões e discussões políticas. Como dirigente esportivo, quero entender que o futuro presidente eleito tenha a compreensão que o esporte não pode retroagir nas conquistas que obteve até o momento."

"Posso falar pelo esporte como um todo, não tenho a representação do Comitê Paralímpico, nem do Comitê de Clubes, mas eu tenho o entendimento que eles pensam igual. Não dá para pensar na extinção do Ministério do Esporte, por exemplo. Essa é uma coisa pontual que eu posso dizer sob o ponto de vista administrativo e prático do esporte."

Investimentos mais enxutos para Tóquio

"Existe uma mecânica de proporcionalidade. Tivemos mais investimentos [em 2016], mas nós tivemos também uma delegação muito grande. Essa delegação para Tóquio, pelas últimas análises, não deve ultrapassar 250 em número de atletas. O investimento é menor, mas a delegação também é menor. Então há uma proporcionalidade."

Expectativa e as modalidades surfe, skate e karatê

"Em relação a metas, não foram estabelecidas ainda. Só a partir do ano que vem, quando nós tivermos já realizados os Jogos Pan-Americanos e os campeonatos mundiais de cada modalidade. Aí teremos um parâmetro para fazer comparação e fazer um prognóstico de possibilidades."

"Evidentemente, estamos acreditando nessas novas modalidades que têm histórico de resultado em competições muito positivo. Estamos torcendo e trabalhando junto com as confederações para que se transforme em realidade nos Jogos Olímpicos."

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Mais Esporte