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Goleira de handebol é mais jovem que invencibilidade do Brasil no Pan

Renata Arruda, com 20 anos, uma das duas jogadoras que nasceram depois da última derrota do Brasil no handebol feminino em Jogos Pan-Americanos - Wander Roberto/COB
Renata Arruda, com 20 anos, uma das duas jogadoras que nasceram depois da última derrota do Brasil no handebol feminino em Jogos Pan-Americanos Imagem: Wander Roberto/COB

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Lima (Peru)

24/07/2019 04h00

A seleção brasileira feminina de handebol estreia hoje (24) nos Jogos Pan-Americanos de Lima sabendo que só uma tragédia vai tirar do time o hexacampeonato consecutivo e a vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A última derrota da equipe no Pan foi em 20 de março de 1995, em Mar del Plata (Argentina), para os Estados Unidos: 29x26.

É um período maior do que toda a vida de Renata, 20 anos, goleira da seleção e eleita a melhor da posição no último Campeonato Espanhol. E não é só ela: a ala Bruna de Paula, de 22 anos, também nasceu depois daquele último revés. As duas, porém, são exceção.

Já pensando em Tóquio, a seleção brasileira feminina de handebol, campeã mundial em 2013, trabalha com um grupo de 25 jogadoras, dos quais 14 vieram a Lima. Dessas, apenas duas, Renata e Bruna, têm menos de 25 anos. A veterana Alexandra, que não defende a seleção desde a Olimpíada do Rio, voltou a participar de treinamentos com a seleção em março, mas sofreu lesão muscular e ficou fora do Pan. Por outro lado, o grupo conta com Deonise, tricampeã do Pan, e Duda, ainda uma das melhores do mundo, bicampeã do torneio continental.

Independentemente de quem jogar, o Brasil tem um favoritismo muito grande. São cinco títulos seguidos dos Jogos Pan-Americanos, desde 1999. No Campeonato Pan-Americano, o time venceu 10 das últimas 11 edições, perdendo só em 2009, quando jogou com uma equipe jovem.

"Se o Brasil estiver no nível que esperamos, temos que ganhar. Mas temos que jogar e na quadra pode acontecer muitas coisas. Temos que ir jogo a jogo. Penso também que temos que controlar a pressão. Precisamos trabalhar de forma humilde para conseguir o sucesso", afirma o treinador espanhol Jorge Dueñas.

Handebol busca verba

Tão importante quanto (ou até mais) que um ouro e a defesa dessa invencibilidade, porém, é aproveitar a visibilidade da transmissão televisiva e da cobertura da imprensa para salvar financeiramente a modalidade. "'Não podemos deixar passar a oportunidade para ganhar os Jogos Pan-Americanos. É uma forma de conseguir a visibilidade para que no futuro tenhamos mais possibilidades de ter dinheiro. Quando falamos de esportes como o handebol, precisamos de parceiro, de patrocinadores. Tendo sucesso é mais fácil conseguir patrocinadores", avalia Dueñas.

Quando ele foi contratado para substituir o lendário Morten Soubak, a CBHb vivia boa situação financeira, em reconhecimento principalmente às conquistas de Duda, Deonise e companhia - foi essa geração que conquistou o título mundial da modalidade, em 2013. Mas as denúncias de desvios por parte do presidente Manoel Luiz Oliveira fizeram com que Banco do Brasil e Correios decidissem não renovar os contratos de patrocínio. A Hummell desistiu de fornecer material esportivo e o handebol passou a ser dependente do dinheiro da Lei Agnelo/Piva, recurso que também foi suspenso porque a CBHb deve mais de R$ 10 milhões ao antigo Ministério do Esporte.

"É uma situação difícil. Havia a perspectiva de poder fazer um trabalho com mais tempo para trabalhar juntos e com a possibilidade de ver mais jogadoras jovens, mas se isso não acontece, nós temos que nos adaptar. Estamos tendo muita ajuda do COB, estamos em boa situação, mas as jogadoras estão muito cientes do fato de que a gente precisa superar esse momento para ter um melhor futuro", diz Dueñas.

O Brasil estreia contra Cuba às 22h30 (22h30 de Brasília), nesta quarta. Depois, ainda pega o Canadá na quinta e Porto Rico no sábado. Se avançar à semifinal, tem novo compromisso na segunda. A final será na terça-feira da semana que vem.